Crise financeira fez disparar os pedidos de empréstimo
Divergências são parte do jogo político
Banco Mundial promete reformas
O Banco Mundial (BM) diz estar disposto a fazer «reformas» e a ser mais «transparente» para convencer os estados-membros a reforçar o capital da instituição.
Esta terça-feira, na abertura formal da Assembleia Anual do BM e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que se realiza em Istambul, o presidente da instituição, Robert Zoellick, garantiu que o Banco «vai melhorar a sua legitimidade, eficácia e transparência». Em causa está a necessidade de aumentar os recursos daquela organização, numa altura em que a generalidade dos países em desenvolvimento se debate com as consequências da crise financeira e económica do sistema capitalista.
O compromisso enunciado por Zoellick teve lugar um dia depois de os representantes dos 186 estados-membros do BM se terem comprometido a disponibilizar recursos suplementares, caso seja necessário, para financiar projectos nos países que se vêem forçados a recorrer à instituição.
«Comprometemo-nos a garantir que o grupo do Banco Mundial disporá de recursos suficientes para fazer face aos desafios de desenvolvimento futuros», anunciou na segunda-feira o Comité de Desenvolvimento, o órgão máximo executivo do BM, a quem cabe definir definir as grandes orientações da instituição e no qual estão representados todos os estados-membros.
O BM deverá apresentar as suas necessidades futuras de capital na reunião semestral agendada para Abril de 2010, em Washington, argumentando que a crise financeira fez disparar os pedidos de empréstimo. Segundo Zoellick, o montante global de 100 mil milhões de dólares previstos para emprestar entre 2009 e 2011 será insuficiente para responder às solicitações. No último ano fiscal, terminado em 30 de Junho, os empréstimos concedidos pelo BM triplicaram, ascendendo a 33 mil milhões de dólares, e para o presente exercício as estimativas apontam para 40 mil milhões de dólares.

Jogo político

O eventual reforço de capital do BM e do FMI vai obrigar a ajustamentos na forma de funcionamento daquelas instituições financeiras, já que alguns países aproveitam a oportunidade para reforçar as suas posições. A Alemanha, França, Reino Unido e os EUA já manifestaram reservas, considerando, como afirmou o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, que antes de tomar qualquer decisão será preciso apurar se os recursos são de facto necessários e garantir que estes «serão bem administrados e usados de forma efectiva».
Sabendo, como se sabe, as consequências da intervenção do Banco Mundial e do FMI nos países que se submetem aos seus ditames – a receita é sempre a mesma, cortar nas questões sociais para engordar o capital – não espanta que o próprio Zoellick desvalorize as alegadas divergências no seio seu «rebanho» afirmando com despreocupação que tudo isso faz parte do «jogo político».
Entretanto, para dourar a pílula, o Banco Mundial já se comprometeu a aumentar em pelo menos três pontos percentuais o peso dos países em desenvolvimento na instituição, o que lhes daria 47% do poder de voto, conforme o compromisso alcançado na cimeira do G20 em Pittsburgh (EUA). O controlo efectivo, esse, continua onde sempre esteve, ou não representasse o G20 cerca de 70 por cento da economia mundial.


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