Crise é pretexto para cortes em meios de prevenção
Condições de trabalho degradam-se
Saúde ameaçada
A generalização do desemprego está a reflectir-se negativamente na segurança e saúde dos trabalhadores, constata um inquérito promovido pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho.
De acordo com o estudo, que envolveu 27 mil inquiridos nos 27 estados-membros da UE, seis em cada dez trabalhadores considera que a crise económica e o aumento do desemprego, que atinge já 22 milhões de pessoas, estão a deteriorar as condições de trabalho, especialmente no que se refere à segurança e saúde.
De resto, 75 por cento dos inquiridos afirmam que a degradação do estado de saúde pode ser imputada ao trabalho que realizam.
Esta constatação já tinha sido feita, em Agosto, pelo Eurostat, o gabinete de estatística europeu, reconhecendo que 27 milhões de trabalhadores são vítimas de acidentes ou afectados por doenças profissionais, notando ainda que 137 milhões estão quotidianamente expostos a riscos.
Os trabalhadores da Lituânia (46%), Grécia (42%), França (33%) e Portugal (32%) são os que revelam maior preocupação com os efeitos da crise nas suas condições de trabalho.
Todavia, hoje, esta não é a principal preocupação da maioria dos inquiridos. «À medida que o desemprego se generaliza, as pessoas tendem a preocupar-se mais com a manutenção do seu emprego no futuro imediato do que com as condições de segurança e saúde».
Esta conclusão do inquérito assenta nos dados obtidos. Em média, só três em cada dez trabalhadores dá prioridade ao factor saúde e segurança, enquanto que 52 por cento dos inquiridos afirma que a sua principal preocupação é «não perder o emprego». Esta situação é aproveitada pelos empresários que, para aumentarem os seus lucros, cortam nos meios de prevenção e protecção dos trabalhadores.


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