A reorganização do Royal Mail já custou 40 mil empregos
Greve nos correios britânicos
A ameaça da destruição
Após várias acções a nível regional exigindo a abertura de negociações, os trabalhadores do Royal Mail realizaram uma greve de 48 horas, nos dias 22 e 23, por melhores salários e contra o desmantelamento da empresa.
As duas jornadas de greve levaram para já a administração a sentar-se à mesa com a poderosa confederação sindical TUC, que representa mais de seis milhões de trabalhadores. Até aqui, o diálogo fora recusado ao CWU (Communication Worker’s Union), sindicato que encabeça a luta contra o congelamento dos salários e o programa de reestruturação da empresa.
Embora o actual governo trabalhista tenha suspendido, em Fevereiro passado, o projecto de privatização parcial, o programa de reestruturação foi mantido, com o pretexto da necessidade de sanear financeiramente a empresa.
A verdade é que desde a liberalização em 2006, a Royal Mail tem perdido as partes de mercado mais lucrativas, como é o caso do correio empresarial, para as multinacionais alemã DHL e a holandesa TNT.
Nos últimos anos, dezenas de milhares de postos de trabalho foram eliminados e encerrados cerca de três mil postos de atendimento. Em resultado deste «emagrecimento», feito em prejuízo do serviço universal e à custa do aumento da exploração dos trabalhadores, a Royal Mail apresentou no último exercício um saldo positivo de 321 milhões de libras (350 milhões de euros).
Mas aos olhos do governo trabalhista e da oposição conservadora a sangria tem de continuar. A «reestruturação» pretende extinguir 60 mil empregos, 40 mil dos quais já nos próximos dois anos. Estão em curso profundas alterações na gestão e na organização de toda a rede de transporte e triagem. A pressão aumenta sobre os trabalhadores.
Nas vésperas da paralisação, a administração anunciou a contratação de 30 mil trabalhadores precários, procurando assim intimidar os grevistas. A generalidade da imprensa condenou o movimento reivindicativo, acusando os sindicatos de se oporem à necessária «modernização» da empresa.
Essa foi também a posição do governo trabalhista, nomeadamente do ministro das Empresas, Peter Mandelson, até há pouco comissário europeu do Comércio e um defensor acérrimo da liberalização.
A condenação da greve pelo poder trabalhista e o rumo da Royal Mail durante a vigência trabalhista acentuaram as tensões entre o sindicato CWU e a direcção do Labour, partido em que está filiado e para o qual contribuiu com cerca de 21 milhões de libras (23 milhões de euros) desde 2001 (L’Humanité, 26.10).

Apoio popular

De forma a maximizar os efeitos da greve, no primeiro dia paralisaram os serviços de triagem e os motoristas cerca de 42 mil trabalhadores. No segundo, foi a vez dos centros de recolha e distribuição (78 mil trabalhadores). Mais de 150 milhões de cartas e encomendas ficaram retidas.
O sindicato já anunciou a decisão de convocar novas paralisações que poderão iniciar-se no final da semana. Convencidos da justeza da sua luta por salários e pelos serviços públicos, os trabalhadores dos correios sabem agora que a maioria da população está com eles. Segundo uma sondagem divulgada no domingo, pela BBC, 50 por cento dos britânicos apoiam a luta dos carteiros e apenas 25 por cento concordam com as posições da administração.


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