Editorial

«Primeira afirmação concreta do socialismo como alternativa histórica ao capitalismo»

A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO

Em todo o mundo, milhões de homens, mulheres e jovens comemoram a Revolução de Outubro, assumindo-a como referência essencial da sua luta de todos os dias pela construção de uma sociedade livre, justa, pacífica, fraterna, solidária, liberta de todas as formas de opressão e de exploração - e com a consciência plena de que, pelo seu significado e pelas suas consequências, ela constituiu um marco histórico na luta libertadora e transformadora dos povos.
Primeiro grande acto de ruptura com o capitalismo e a exploração do homem pelo homem, a Revolução de Outubro foi, por isso mesmo, a primeira afirmação concreta do socialismo como alternativa histórica ao capitalismo e afirmou-se como acontecimento
maior da história da humanidade.
Com efeito, com a Revolução de Outubro o mundo mudou – e mudou num sentido e com um conteúdo jamais verificados até então.
A constituição do primeiro Estado operário; as conquistas civilizacionais – políticas, sociais, económicas e culturais - alcançadas na União Soviética nascida da Revolução de Outubro; o processo de construção do socialismo então iniciado e os seus êxitos; as múltiplas repercussões no mundo de todo esse exaltante processo, dando nova dimensão à luta de libertação nacional dos trabalhadores e dos povos e à luta pela paz – e, com tudo isso e por tudo isso, o papel que a URSS passou a desempenhar à escala planetária, criaram novas e promissoras perspectivas num mundo até então submetido ao domínio absoluto do sistema capitalista, apresentado como uma «inevitabilidade» decorrente de uma «ordem natural das coisas» fabricada pela ideologia dominante à medida dos interesses do grande capital internacional.

De entre as consequências da Revolução de Outubro, emerge a intervenção decisiva e determinante da União Soviética na II Guerra Mundial, enquanto protagonista principal da resistência vitoriosa à ambição nazi-fascista de domínio do mundo, quando o exército mais poderoso de então avançou pela pátria do socialismo, numa cavalgada que muitos julgavam e desejavam imparável.
E enquanto o povo soviético resistia heroicamente à invasão nazi - e mais de vinte milhões de homens, mulheres e jovens morriam pela liberdade de toda a humanidade, pela democracia e pela defesa da paz - os EUA e a Inglaterra esperavam para ver quem seria o vencedor… e só entrariam na guerra quando se tornou evidente que o Exército Vermelho estava em condições de, por si só, libertar toda a Europa e esmagar o nazismo.
De imprescindível referência é, igualmente, o papel desempenhado pela União Soviética na luta libertadora dos povos e na liquidação do colonialismo, bem como a solidariedade activa do povo soviético no combate às ditaduras fascistas, as quais, como é sabido, tinham nos EUA o seu principal aliado.
E nunca é demais referir, nesse aspecto, o exemplo concreto do nosso País, em que a ditadura fascista contou sempre, até ao seu último dia de vida, com o apoio dos EUA, enquanto os que a combatiam e se batiam pela liberdade e pela democracia, assumindo as inevitáveis consequências repressivas dessa postura resistente, contaram sempre com o apoio fraterno e solidário da URSS e dos restantes países socialistas.
A derrota do socialismo, com o desaparecimento da União Soviética e da comunidade socialista do Leste da Europa, constituiu uma tragédia, não apenas para os povos desses países mas para toda a humanidade: com o capitalismo dominante, o mundo é, hoje, menos democrático, menos livre, menos justo, menos fraterno, menos solidário, menos pacífico.
Avaliar, com rigor, as causas dessa derrota é, assim, um imperativo que se coloca aos comunistas de todo mundo – e se é certo que alguma coisa se avançou já nessa análise, não é menos certo que o mais importante está ainda por fazer e que a divulgação, nos últimos anos, de elementos até agora ignorados abre novas e importantes pistas da reflexão que urge prosseguir.
E essa é uma tarefa crucial para todos os que não desistem do objectivo de construir nos seus países sociedades socialistas, livres, sem exploradores nem explorados; para todos os que sabem que o futuro da humanidade está no socialismo, nesse socialismo que a Revolução de Outubro nos mostrou ser possível.

Os comunistas portugueses continuam não apenas a comemorar a Revolução de Outubro, mas a assumir inequivocamente que as raízes essenciais do projecto de sociedade pelo qual lutam em Portugal se situam nos valores, nos princípios e nos êxitos da Revolução de Outubro.
Com a consciência de que, para o sucesso dessa luta, é condição básica a existência de um Partido firme na sua identidade comunista – no seu projecto de sociedade, na sua natureza de classe, na sua ideologia, nas suas normas específicas de funcionamento interno, no seu carácter simultaneamente internacionalista e patriótico, na sua constante ligação às massas trabalhadoras: este PCP que nasceu inspirado nos ideais da Revolução de Outubro e do partido bolchevique que a dirigiu e que, por isso, se assumiu como «partido leninista definido com a experiência própria»; este PCP nascido e criado, primeiro, na resistência e no combate ao fascismo; depois, na construção da democracia de Abril e na sua defesa face à ofensiva visando a sua destruição; e que, na situação actual, superando com êxito um complexo e difícil ciclo eleitoral, se mobiliza com vista à batalha pelo seu reforço orgânico, ideológico e interventivo - e sempre, em todos os momentos e circunstâncias, profundamente empenhado na luta pela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.


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