Acudir à crise do sector agro-florestal
CNA não concorda com o programa do Governo
«Muita parra e pouca uva»
Para a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) o programa do Governo para o sector é «demasiado vago» e repete o programa eleitoral do PS.
Entre as várias propostas inseridas no programa do Governo - que «fazem recear as mesmas, e destrutivas, linhas nucleares das políticas agro-florestais anteriores, rumo à completa liberalização» - a CNA alerta para o «readaptar, flexibilizar e simplificar» do Programa de Desenvolvimento Rural (ProDer) que indicia que vai «continuar a privilegiar a agricultura mais intensiva e a grande agro-indústria voltadas para a exportação, ao invés de apoiar e viabilizar, prioritariamente, os mercados locais/regionais e a agricultura familiar, para garantir a soberania e a qualidade alimentares do País».
Os agricultores referem ainda o cancelamento da «modulação voluntária» que, a concretizar-se, permitiria a aplicação de reduções até 20 por cento nas ajudas públicas aos grandes proprietários e à grande agro-indústria». «Mantém, assim, a injustiça na distribuição das ajudas públicas, onde menos de 5 por cento dos beneficiários – os grandes proprietário e a grande agro-indústria – recebem mais de 95 por cento das ajudas que é suposto terem sido aplicadas na agricultura», acusa a CNA.
Sobre a proposta de Orçamento de Estado para 2010, que brevemente será conhecida, os agricultores sublinham que esta «deve consagrar o reforço do Orçamento para a agricultura e mundo rural, pois, de outra forma, a crise também se agudizará pela via do garrote orçamental que tem sido aplicado à lavoura nacional anos e anos a fio». «É necessário que o Governo aceite definir um verdadeiro "plano nacional de emergência" para acudir à crise do sector agro-florestal, o que também passa por algumas medidas no âmbito de outros ministérios como o do Ambiente e do Trabalho e da Solidariedade Social», acrescenta a CNA.

Agricultores exigem medidas do Governo
«Terramoto» na produção do arroz

A Associação dos Agricultores do Distrito de Setúbal acusou as «grandes cadeias de distribuição» e alguns «industriais» de quererem arruinar os agricultores e os produtores de arroz ao fazerem dumping (preços mais baixos do que os próprios custos) na comercialização de arroz branco (marca branca), facto confirmado pela própria ASAE.
Esta situação foi denunciada pelos agricultores em vários protestos, nomeadamente em Alcácer do Sal e no Mondego, e numa reunião com a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, na presença da Associação Nacional de Industriais de Arroz.
«É inaceitável que há boleia de uma situação ilegal (dumping), alguns industriais venham com propostas ruinosas de preços à produção (21 cêntimos o kg no arroz agulha e 23 cêntimos o kg no carolino, cerca de 50 por cento menos que em 2008)», afirma, em nota de imprensa, a associação de agricultores, lembrando que «os preços avançados pela indústria não cobrem os custos dos factores de produção e põe em causa a sobrevivência dos agricultores». «Não é sustentável que tenhamos o preço à produção mais baixo da Europa ao mesmo tempo que temos os factores de produção mais altos», acrescenta o documento.
Face a esta situação, os agricultores do distrito de Setúbal exigem que o Governo defenda a produção e os interesses nacionais. «Em causa estão 15 mil pessoas que trabalham na fileira do arroz. Com esta situação perdem os agricultores e o País, ao mesmo tempo que aumentam os lucros fabulosos da grande cadeia da distribuição. O País não deve ser uma coutada privada dos grupos económicos», sustentam os agricultores.


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