Resistir e lutar é a melhor solução
Na Auto Sueco, CP, Covina, Scotturb, Califa...
Luta garante resultados
Por melhores salários, em defesa da produção e do emprego com direitos, em solidariedade contra injustiças, vencendo obstáculos e intimidações, os trabalhadores vão pelo caminho seguro da luta, em unidade, organizados nos sindicatos da CGTP-IN.
O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgica e Metalomecânica do Norte saudou, em comunicado, os trabalhadores da Auto Sueco «pela luta que têm desenvolvido em torno do aumento dos salários e por um diálogo efectivo» com a empresa, que mantém uma injustificada intransigência, recusando este ano os aumentos salariais que deveriam vigorar desde Abril.
Depois de três dias de greve, a 26, 28 e 29 de Setembro, com uma adesão próxima dos cem por cento, está um curso, durante o mês de Novembro, uma paralisação parcial todos os dias. Esta foi a primeira vez em que não houve ainda aumentos salariais, com a administração a «refugiar-se na crise», como notava a Comissão Sindical do STIMM Norte. A estrutura do sindicato da CGTP-IN na empresa recorda que o grupo homónimo, de que a Auto Sueco faz parte, obteve resultados líquidos de 15 milhões de euros em 2008 e adquiriu recentemente a Arrábida Peças, revendedora de peças e acessórios, sediada no Porto.
O Grupo Auto Sueco tem 60 anos de existência e representa a marca automóvel Volvo, presente em Portugal há 75 anos.
Mesmo considerando um eventual impacto de crise na empresa, a comissão sindical exige saber quais as medidas tomadas pela empresa, recusando que a primeira medida tomada pela empresa seja não atribuir aumentos salariais.
A Auto Sueco tem um historial de atitudes persecutórias contra os trabalhadores, desde processos disciplinares por acção sindical, até um processo-crime contra um dirigente sindical, por palavras proferidas em plenário. O dirigente foi absolvido, em Junho, mas durante o julgamento ficou-se a saber que uma funcionária da empresa estava encarregue de «fazer actas» dos plenários, que eram entregues à administração.
Os trabalhadores têm sabido dar a resposta adequada, com a consciência de que a luta é o único caminho para contrariar as injustas medidas e posturas da empresa. Há quem diga mesmo nunca ter visto tanta união entre os camaradas de trabalho, ainda por cima estando três unidades da empresa (Gaia, Porto e Matosinhos) envolvidas nesta luta comum. A adesão tem sido forte, bem como forte é a convicção de que a luta traz resultados.

E o poder?

A disponibilidade de luta dos trabalhadores contrasta com a «grande passividade do Governo», comentou Rui Braga, trabalhador da Saint-Gobain Glass (ex-Covina) e dirigente do Sindicato dos Vidreiros. Falando anteontem ao Avante! acerca da luta contra a destruição da única fábrica de chapa de vidro do País, lembrou as pressões da multinacional, incluindo os valores oferecidos para comprar a rescisão dos contratos - e que, mesmo assim, é ainda rejeitada por mais de uma dezena de operários.
«Um claro sinal da impunidade» patronal, «perante o silêncio cúmplice do Governo e da Justiça», vê a direcção regional de Lisboa do PCP na decisão da Scotturb, de punir com mudança de funções e redução substancial de salário, desde Setembro do ano passado, um trabalhador e delegado sindical que não aceitou pagar os prejuízos de um assalto ao autocarro em que trabalhava. Depois de uma manifestação, em Abril, dois outros motoristas, a quem foi aplicado semelhante castigo por não terem querido pagar à empresa os bilhetes e dinheiro levados por assaltantes, retomaram já as suas funções. No plenário de solidariedade, dia 12, à porta da empresa, foi aprovada uma moção com outras reivindicações, como sanitários e local para refeições.
Em greve nos dias 9 e 10, com concentração junto ao Finibanco (principal credor da empresa), as 250 trabalhadoras da camiseira Califa decidiram retomar a produção, depois de receberem, dia 11, os salários de Setembro. Mas, caso até amanhã não lhes seja pago Outubro, voltam a parar na segunda-feira, informou o Sindicato Têxtil de Aveiro. «Daqui para a frente, o patrão já sabe com que pode contar», avisou Leonilde Capela, dirigente do sindicato, citada pela Lusa.
Pela viabilização da empresa e pelos salários de Outubro, manifestam-se hoje em Ovar os trabalhadores da Aerosoles.

Ferroviários insistem

«Quando se luta, é possível obter resultados», salienta o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, num comunicado em que valoriza os recentes casos, na CP Carga (defendidos direitos e 70 trabalhadores passaram a efectivos), na revisão da CP Lisboa (afastada a substituição de pessoal da CP por seguranças) e na EMEF (abertas negociações para, até ao fim do mês, tratar carreiras profissionais, tempo de receber e subsídio de turno).
A via da luta mantém-se aberta na Refer, a cuja sede vai hoje uma delegação, entregar ao presidente um documento a que outros responsáveis não responderam - mais de um mês após uma reunião com um novo director-geral, que não mostrou na prática o espírito de diálogo com que se apresentou.
A manter-se o comportamento da administração (que só admite discutir condições laborais), será necessário recorrer à luta na Fertagus, para negociar um Acordo de Empresa.
Dinamizar a contratação colectiva e valorizar os salários são objectivos do plenário de dirigentes e activistas, que hoje a Fectrans/CGTP-IN (de que o SNTSF faz parte) realiza frente ao Ministério dos Transportes.


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