Vida difícil na emigração

O número de portugueses emigrados na Suíça em situação de desemprego atingiu, em Setembro, o valor mais elevado dos últimos anos. De acordo com os números oficiais, 7657 portugueses estão desempregados, representando 6,2 por cento do total.
Mónica Ferreira, sindicalista do UNIA contactada pela Lusa, diz que a crise nos sectores da Construção Civil e Limpezas, onde laboram grande parte dos emigrantes nacionais, está na base do aumento do desemprego. Já Manuel Beja, conselheiro das Comunidades Portuguesas na Suíça, antevê uma nova subida devido à situação nas actividades sazonais
Entretanto, as estatísticas mostram igualmente que a nova vaga de emigrantes portugueses para a Suíça, cuja comunidade conta com mais de 204 mil membros, inclui muitos jovens licenciados à procura do primeiro emprego. Desde Agosto de 2008 chegaram àquele país mais de 10 500 cidadãos nacionais, sujeitando-se a trabalhos passageiros e sem garantias.


Desempregados inscritos cresce quase um terço

O número de desempregados inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) cresceu 29,1 por cento durante o mês de Outubro face ao mesmo período do ano passado, e aumentou 1,4 por cento em relação a Setembro deste ano.
Segundo a informação periódica do IEFP, em Outubro encontravam-se inscritos nos Centros de Emprego em todo o território nacional 517 526 pessoas, ou seja, mais 116 712 indivíduos que em 2008. Comparando com Setembro do ano corrente, o aumento foi de mais de sete mil novos inscritos.
Os homens, com uma subida de 44,6 por cento face a 2008, e os jovens, com um acréscimo de 26,1 por cento do total, contribuíram fortemente para a subida do desemprego.
O IEFP revela igualmente que 91,7 por cento dos inscritos em Outubro passado estavam à procura de um novo emprego, um crescimento de 30,8 por cento face a 2008. O «fim de trabalho não permanente» absorveu 40 por cento das inscrições efectuadas em Outubro.


Trabalhar sem receber

Cerca de 19 mil empresas a operar em Portugal devem quase 10 milhões de euros em salários aos respectivos trabalhadores e à segurança Social. Os números apurados pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) referem-se ao primeiro semestre do mês de Novembro e precisam que do montante global, aproximadamente 29 por cento, 2,841 milhões, correspondem a dívidas à Segurança Social.
Os restantes mais de 71 por cento, 7,078 milhões de euros, estão por pagar a cerca de 16 mil trabalhadores, 4861 dos quais estavam em situação ilegal, mas que as empresas foram obrigadas a integrar nos quadros, revelam os dados divulgados pelas inspecções efectuadas pela ACT, citados pela Lusa.
Por outro lado, a ACT fez 87 participações contra empresas consideradas em situação difícil. 56 processos estão relacionados com encerramentos fraudulentos. «Isto significa já muito mais do que nos outros anos. No ano passado, por exemplo, fizemos 59 participações criminais e só 13 delas eram relativas a encerramentos ilícitos», disse o Inspector-Geral do Trabalho, Paulo Morgado de Carvalho, ouvido pela agência de notícias portuguesa.
O sector da Indústria, vestuário e Confecção é o que acumula maior número de participações da ACT, seguido da Construção Civil e Hotelaria.


Mil PME's lucram menos de metade da EDP

De acordo com um estudo efectuado pela Informa D&B e pela Deloitte para a revista Exame, citado na edição online do Jornal de Negócios, as 1000 maiores Pequenas e Médias Empresas nacionais lucraram cerca de 400 milhões de euros em 2008, cifra que representa um crescimento de 40,3 por cento face ao ano anterior. Das empresas analisadas, a maioria, 46,6 por cento, viu os respectivos lucros crescer a mais de dois dígitos em 2008, enquanto 28,3 por cento viu o negócio diminuir e 13 por cento registaram prejuízos.
As informações divulgadas pelo Jornal de Negócios dizem, ainda, que mesmo com um aumento de mais de 40 por cento nos lucros, as 1000 maiores PME's não chegam a metade do lucro da maior empresa portuguesa cotada em bolsa, a EDP, cujos dividendos em 2008 ascenderam a 1,091 milhões de euros, e não são capazes de alcançar os lucros obtidos pela Portugal telecom, 581 milhões de euros no mesmo período.


<i>Fuga da História?</i> nos escaparates

Acaba de sair em Portugal o livro do investigador italiano Domenico Losurdo intitulado «Fuga da História? – A revolução russa e a revolução chinesa hoje». A edição, da responsabilidade da Cooperativa Cultural Alentejana e patrocinada pelo sítio Odiário.info, é uma nova edição revista e ampliada da obra homóloga, publicada há dez anos, pela napolitana La Città del Solle.


<i>Os Meus Misteriosos Pais</i>

Nos escaparates livreiros, também já se encontra Os Meus Misteriosos Pais, de José Viale Moutinho, com ilustrações de Acácio de Carvalho, publicado com a chancela da searadeletras.
Em Os meus Misteriosos Pais, Viale Moutinho abre uma porta na evocação da memória colectiva dos negros anos anteriores ao 25 de Abril. Pela voz de um filho de militantes clandestinos, o fascismo é mostrado aos jovens.
Com a obra, Viale Moutinho presta ainda homenagem a destacados militantes comunistas e antifascistas como Joaquim Gomes, Carlos Pires, João Honrado, Ângelo Veloso, Hernâni Silva, Santos Júnior, Soeiro Pereira Gomes ou José Dias Coelho.


Resumo da Semana