Foi a luta de massas que retirou a maioria absoluta ao PS
Jantar com activistas sindicais
Só a luta garante a mudança
erónimo de Sousa jantou, no dia 20, na Casa do Alentejo, em Lisboa, com dirigentes e activistas sindicais do distrito, onde reafirmou a necessidade de prosseguir a luta «pela ruptura e pela mudança».
Dezenas de activistas sindicais responderam ao convite do PCP e participaram no jantar com o Secretário-geral. Ali estavam muitos daqueles que, nas empresas e locais de trabalho, esclarecem e mobilizam, organizam e resistem às ofensivas patronais (com o apoio do Governo) contra direitos e garantias.
Na sua intervenção, Jerónimo de Sousa chamou a atenção para o actual quadro político, diferente daquele que existiu nos últimos quatro anos e meio. Com a perda da maioria absoluta, prosseguiu, está-se perante uma nova situação, «certamente difícil e complexa, mas mais favorável à luta de resistência contra a política de direita, por melhores condições de vida e de trabalho e ao desenvolvimento da luta pela ruptura e pela mudança».
Este «passo em frente», como o caracterizou, «não sendo condição suficiente para a mudança necessária na situação do País, foi um avanço em relação à situação de domínio absoluto do PS, tendo em conta a poderosa ofensiva global que lhe estava associada». Um passo que, em grande medida, «foi o resultado da intensa luta desenvolvida pelos trabalhadores, pelas populações, pelo conjunto das organizações do movimento operário e sindical que, resistindo e contendo a amplitude da ofensiva nalguns domínios, deram uma ampla expressão e visibilidade ao movimento de exigência de ruptura com a política de direita», valorizou o Secretário-geral comunista. Foi precisamente essa «abnegada intervenção e luta que deitou por terra o objectivo de renovação da maioria absoluta».

Mais força para o combate!

Aos sindicalistas, Jerónimo de Sousa avançou a ideia de que «saímos deste longo ciclo eleitoral com um resultado globalmente positivo». E mais «determinados a dar mais força ao combate que temos que continuar a travar por uma vida melhor e por um Portugal mais justo e mais desenvolvido».
Um combate que, precisou, «não abdica da concretização em Portugal de uma nova política, uma política de esquerda capaz de responder aos muitos e graves problemas que o País enfrenta». Na opinião do Secretário-geral do PCP, estes problemas continuam a agravar-se «sem que o Governo lhes dê resposta, nomeadamente os de maior impacto social negativo» – que conheceram «novos desenvolvimentos neste período pós-eleitoral, depois de um calculado tempo de espera em clara articulação com o calendário eleitoral».
Jerónimo de Sousa alertou ainda para a realidade que se esconde atrás do discurso governamental da recuperação económica: o caminho do «declínio nacional e do agravamento das injustiças e desigualdades sociais». A evolução da situação do País, esclareceu, «não confirma as anunciadas boas perspectivas pré-eleitorais de melhoria da vida nacional e à medida que o tempo passa a realidade não permite alimentar qualquer visão optimista da evolução do País, a manterem-se as actuais políticas». Pelo contrário, «é cada vez mais o reino da impunidade que se amplia», afirmou, à sombra e a «pretexto da crise».

Valorizar os salários

O Secretário-geral do PCP alertou ainda para o discurso do Governo acerca dos salários, lembrando que o novo ministro da Economia, Vieira da Silva, «não perdeu tempo a esgrimir o fantasma do desemprego e a contrapor o seu crescimento futuro ao crescimento dos salários, fazendo coro com os responsáveis das organizações do grande capital». A esta posição, juntaram o pretexto de uma suposta «inflação negativa», que pretendem passar como «se estivéssemos perante uma baixa generalizada de todos os preços, o que não é verdade».
O crescimento do desemprego foi, aliás, acompanhado por uma «desvalorização real dos salários e da degradação das condições laborais», lembrou Jerónimo de Sousa. Portugal, que assiste a um novo recorde da taxa de desemprego (que em sentido lato atinge mais de 690 mil trabalhadores) é um dos países com mais baixos salários e aquele onde são maiores as desigualdades sociais no conjunto dos países da União Europeia. Para os comunistas, «não são os modestos salários dos trabalhadores» a causa do aumento do desemprego. Essa reside, sim, nas «desastrosas políticas» que têm sido seguidas ao longo dos anos. Em coerência, o PCP defende a elevação, já em Janeiro, do salário mínimo para 475 euros.


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