Quebrar o silêncio

O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) e o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) denunciam, mais uma vez o caso de Aminetu Haidar, uma mulher do Sahara Ocidental, em greve de fome no aeroporto de Lanzarote, desde o dia 15 de Novembro, que quer regressar à sua terra natal.
No dia 13 de Novembro, quando voltava do Sahara Ocidental, ocupado por Marrocos, depois de receber mais um prémio de direitos humanos nos EUA, foi presa no aeroporto de Aiún e, depois de muitas horas de interrogatório, foi expulsa do país, forçada a entrar num avião em direcção às Ilhas Canárias, privada do seu passaporte, afastada dos seus filhos.
«A situação de Aminetu Haidar não é um caso isolado. Insere-se num aprofundamento da repressão e da perseguição de Marrocos contra o povo saraui, nos territórios ocupados», acusa o MDM.
O CPPC alerta para o facto de Aminetu Haider estar a entrar numa fase sem retorno, correndo perigo de vida. Nesse sentido, exige que o Reino de Marrocos cumpra as suas obrigações de acordo com o direito internacional. Exorta, de igual forma, o Governo português «a quebrar o silêncio sobre este assunto, colocando-se ao lado da defesa intransigente do direito internacional, reclamando de Marrocos e Espanha a resolução do problema por eles criado».
Em nota de imprensa, o Conselho para a Paz apela ainda aos portugueses que enviem mensagens e cartas de protesto para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Embaixada de Marrocos e de Espanha.


Novos dados sobre a morte de Víctor Jara

O Instituto de Medicina Legal do Chile anunciou, a semana passada, ter recebido novos dados sobre o assassinato do cantautor chileno Víctor Jara, executado quatro dias depois do golpe militar que a 11 de Setembro de 1973 derrubou o presidente Salvador Allende e instituiu a ditadura fascista no Chile sob a batuta de Agusto Pinochet.
De acordo com uma perícia efectuada num laboratório austriaco, confirma-se que o militante comunista chileno foi violentamente torturado antes de ser abatido a tiro, apresentando indícios de múltiplas lesãoes anteriores à sua execução. Segundo o mesmo documento, os investigadores apuraram que sobre o corpo de Víctor Jara foram disparadas 44 balas.
Os elementos agora apurados são um importante contributo para a continuação do processo de punição dos assassinos de Jara. Até agora, apenas o responsável pelo Estádio Nacional do Chile – que nos dias após o golpe foi transformado em campo de concentração –, coronel Mario Manríquez Bravo, foi condenado pela morte do cantautor. Em Maio, outros dois pretensos envolvidos foram detidos.


«A vida de um pintor»

Está já à venda o novo livro de Guima (António Guimarães), intitulado «A vida de um pintor», um trabalho repleto de memórias de um trajecto feito de sentidos. «É uma pintura que grita, vocifera e reclama, depuradas nas formas e cores que lhe conferem uma sentida carga poética, na intensão emocional de que parte e nas regras que impôs na sua coerência formal», acentua, no livro, Serafim Ferreira, que valoriza em Guima «os traços e sombras de um imaginário que comove, por ser a ponte levantada para fazer entender o mundo e recriar pela pintura o seu trajecto como atitude de redenção».
Nas suas cerca de 250 páginas, podemos encontrar alguns dos trabalhos do pintor, nomeadamente «Esperando o amanhã» (1961), «Lutando com o mar» (1968), «Mulher da terra, do pão e da esperança» (1968), «Campos de Abril» (1978), «Velado em Maio» (1983) e «Na cidade despoluída» (1994).
No livro, António Guimarães afirma-se um «democrata» e «um homem de esquerda» que teve a «felicidade de ver chegar a liberdade ao seu País aprisionado». «Chegado Abril chegaram grandes mudanças e grandes decisões. Uma delas há-de acompanhar-me até ao fim. Jamais poderei esquecer o dia. Foi a 1 de Maio de 1974. Nesse dia inscrevi-me no PCP», recorda o pintor.


Carta da Terra

O Partido Ecologista «Os Verdes» entregou, há dias, na Assembleia da República, uma iniciativa legislativa em que recomenda ao Governo a sua adesão aos princípios expressos na Carta da Terra, uma declaração de princípios fundamentais que declara a necessidade absoluta de que os povos da Terra de afirmem responsáveis uns perante os outros e também para com as gerações futuras.
O documento é apoiado e subscrito por cerca de 2500 organizações, entre elas a UNESCO, a World Conservation Union, o WWF International, o International Council of Local Governments for Sustainability, o European Environmental Bureau e também parlamentos, ministros e governos de vários países.


«Sombra Clara» estreia em Moura

Estreou, sábado, na Sala da Salúquia, «Sombra Clara», a primeira produção do Teatro Fórum de Moura na área da Dança Contemporânea. Este é um projecto de Vera Mateus, artista que tem desenvolvido trabalho de cruzamento nas áreas da dança tradicional e contemporânea.
«Sombra Clara» desenvolve-se na construção vocal e sonora ao vivo, e encontra numa escada o objecto cénico que inicia uma pesquisa física, emocional e espiritual com pontes de diálogo com o público. Este espectáculo volta ao palco nos dias 5 e 6 de Dezembro, sempre às 21h15.


Resumo da Semana