EUA procuram esconder intenções na Colômbia
Documento alterado
Os EUA alteraram o conteúdo de um documento oficial da Força Aérea com o objectivo de esconderem as intenções belicistas do acordo subscrito a 30 de Outubro último com a Colômbia. Segundo a investigadora Eva Golinger, o documento original datado de Maio deste ano admitia que uma das sete bases militares, Palanquero, seria usada para operações de espectro amplo em todo o continente e, por isso, sublinhava a necessidade de ali serem investidos 46 milhões de dólares em infraestruturas. Ora no texto enviado ao Congresso norte-americano no passado dia 16 de Novembro, a linguagem foi completamente alterada, explica Golinger num artigo publicado no resistir.info.
Apesar de se manter o pedido de 43 milhões de dólares, foram apagadas do documento as referências ao estabelecimento de um Local de Segurança Cooperativa em Palanquero, bem como à utilização daquela unidade para operações de «espectro amplo» no subcontinente com o intuito de combater «ameaças constantes» provenientes de governos hostis aos interesses norte-americanos na América do Sul, sublinha a investigadora.
Rasuradas foram ainda as expressões que provam que o verdadeiro fim de Palanquero é garantir ao aparelho de guerra dos EUA mobilidade global ou capacidade de realização de operações de inteligência, espionagem e reconhecimento, acresce.

Unasur proíbe agressões

Entretanto, na sexta-feira, dia 27, o Conselho de Defesa da União de Nações Sul-Americanas (Unasur) aprovou a proibição, para qualquer Estado membro, «do uso ou ameaça do uso da força, assim como qualquer tipo de agressão militar ou ameaça à estabilidade, soberania e integridade territorial dos demais estados membros».
Numa reunião realizada em Quito, capital do Equador, os países membros da Unasur acordaram que qualquer tratado de cooperação militar assinado por um dos estados membros tem de assegurar «o respeito pelos princípios da igualdade soberana dos estados, pela integridade e inviolabilidade territorial e pela não intervenção nos assuntos internos de outros estados».
A declaração de Quito é um rude golpe na subserviência colombiana face à política agressiva de ingerência dos EUA, patente na cedência das bases militares. Não é por acaso que, à última da hora, a Colômbia recuou no envio da delegação ministerial da Defesa, optando por comparecer com funcionários de baixa responsabilidade.
A manobra não deve, no entanto, abster o governo de Álvaro Uribe do cumprimento das regras estabelecidas, entre as quais se inclui, também, a criação de uma rede de intercâmbio de informações sobre políticas de Defesa e fronteiras, a remissão aos demais membros dos detalhes respeitantes à aquisição de armamento e orientações políticas de Defesa dos últimos cinco anos, ou a notificação perante o Conselho de um texto explicativo sobre os tratados subscritos por cada uma das nações.

PCC condena acordo

No mesmo dia em que reunia o Conselho de Defesa da Unasur, o plenário do Comité Central do Partido Comunista Colombiano emitia um comunicado no qual, para além de acusar o governo de Uribe de errar ao rejeitar o diálogo e a negociação como solução para o conflito armado interno, responsabiliza o executivo de extrema-direita pela tensão na região.
«As bases norte-americanas na Colômbia estão na origem das tensões com os restantes governos da região, e são o factor de desestabilização ao converterem o território numa plataforma para a provocação contra o povo colombiano e contra os governos democráticos vizinhos», considera a direcção do PCC.
Para os comunistas colombianos, esta é «uma ocupação descarada» e o «tratado militar com os EUA está de acordo com a eterna sujeição da oligarquia colombiana às políticas de saque e subjugação do imperialismo norte-americano», por isso, numa declaração final, o CC do PCC chama os povos e os partidos de esquerda a promoverem uma forte campanha mundial contra o intervencionismo yankee.


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