Abusos na <i>Fehst</i>
A Fehst Componentes, em Braga, recorreu ao lay-off «por mero oportunismo» e, ao antecipar o fim do período de suspensão do trabalho, veio confirmar essa crítica das organizações representativas dos trabalhadores. O caso, que remonta a meados de Março, foi trazido à actualidade pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Eléctricas do Norte e Centro e pelas ORT daquela empresa, instalada no Complexo Grundig.
«Nos últimos oito meses, os níveis de produção têm sido tão elevados que a empresa, por falta de capacidade de resposta, foi obrigada a recorrer à subcontratação», afirmaram os representantes, em conferência de imprensa, a 17 de Novembro, realçando que «nunca, em tempo algum, e tendo em conta o número actual de trabalhadores do quadro permanente, esta empresa atingiu níveis tão elevados de produção como os que se registam presentemente».
A multinacional foi acusada de abusos no recurso à subcontratação, particularmente através de uma empresa (a IRC) que funciona dentro das instalações da Fehst, com trabalhadores precários e com apoio logístico, apoio técnico, meios de produção, processos de trabalho, manutenção do equipamento prestados pela Fehst. Além desta «habilidade», «é quase diário o envio de produção para o exterior». Os trabalhadores da Fehst ficam «numa situação de subocupação e até, por vezes, de paragem».
«Por ordens expressas do administrador Hatto Fehst, e sob vigilância permanente, está neste momento um trabalhador sem funções, sentado numa cadeira há dois meses, junto da administração», refere ainda a nota que o STIENC divulgou aos jornalistas, acusando a empresa de pretender que aquele aceite despedir-se. A situação persiste, mesmo depois de a ACT ter constatado a ilegalidade e aplicado uma coima. Há mesmo outro trabalhador a quem o administrador atribui duas horas diárias de trabalho e, nas restantes seis, fica sentado sem funções.
A Fehst - afirmaram os representantes dos trabalhadores - não atribui aumentos salariais desde 2007 e mantém sob ameaça permanente importantes direitos, com reflexos pecuniários. A empresa «oferece» um «aumento» de 20 euros, mas os trabalhadores perderiam «muito para cima dos cem euros».


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