Editorial

«São enormes as potencialidades existentes em matéria de reforço do Partido»

AVANTE POR UM PCP MAIS FORTE

N a sua reunião de finais de Novembro, o Comité Central do PCP aprovou uma importante resolução sobre o reforço do Partido – questão central de todos os momentos e que, na situação actual, se reveste de particular relevância.
Com efeito, reforçar o Partido, de forma a que ele possa cumprir plenamente a sua tarefa histórica, é preocupação maior do colectivo partidário desde a fundação do PCP, em 1921 - e assim continua e continuará a ser no presente e no futuro.
Esse reforço passa, em primeiro lugar por aquela que é a questão central para um Partido com as características do PCP: a afirmação inequívoca, em todas as situações e sejam quais forem as circunstâncias, da sua identidade comunista - que inclui, como traços identitários complementares, inseparáveis e indissociáveis, o seu projecto, a sua ideologia, a sua natureza de classe, as suas normas de funcionamento interno, o seu carácter patriótico e internacionalista, a sua ligação à classe operária e restantes trabalhadores.
O sempre necessário reforço partidário passa, depois, pela criação de condições para que o Partido, reforçando-se orgânica e ideologicamente, intensifique a sua intervenção em todas as áreas de acordo com uma cuidada e rigorosa definição de prioridades e, em consequência disso, aumente a sua influência social, eleitoral e política.
É então nesta perspectiva que devem ser encaradas as medidas e orientações constantes da resolução política do Comité Central – medidas e orientações para cuja aplicação é indispensável o empenhamento consciente, intenso e entusiástico do nosso grande colectivo partidário.

Os avanços verificados nos quatro anos que se seguiram ao XVII Congresso, realizado em 2004 - traduzidos no visível reforço do número de militantes, da militância, do trabalho de direcção, bem como na ligação às massas e na capacidade interventiva do Partido – mostraram, de forma inequívoca, as enormes potencialidades existentes em matéria de reforço do Partido.
E foi tendo em conta essa realidade concreta que o XVIII Congresso, realizado fez agora um ano, debateu, definiu e aprovou colectivamente todo um conjunto de orientações, medidas e linhas de acção que, sob o lema «Avante! Por um PCP mais forte», aponta novos caminhos visando esse mesmo objectivo de dar mais força ao Partido.
É certo que, no ano que agora finda, a aplicação colectiva dessas orientações ficou muito aquém das necessidades e dos objectivos traçados.
É certo, também, que tal facto é perfeitamente justificável se tivermos em conta a sucessão de tarefas políticas imperativas que se colocou ao colectivo partidário e a que este respondeu com a determinação, o empenhamento e a confiança que lhe são características – designadamente a exigente intervenção em três batalhas eleitorais, travadas num quadro de grande complexidade e extremamente desfavorável, mas nas quais, nunca é demais insistir, a CDU obteve resultados positivos e o Partido avançou.
Isto, para além das tarefas também incontornáveis respeitantes à normal actividade do Partido. Nesse aspecto, basta lembrar a acção dos militantes e organizações do Partido na construção de uma série de importantes iniciativas partidárias, das quais emerge, pela sua dimensão e relevância singulares, a Festa do Avante! - ou o papel destacado desempenhado pelos militantes comunistas, na organização e concretização do vasto e forte conjunto de lutas com as quais a classe operária, os trabalhadores em geral e amplas camadas da população, responderam à política de direita do Governo PS/José Sócrates, e que foram decisivas para a derrota da maioria absoluta do PS.

Trata-se agora de, no decorrer do ano de 2010, levar por diante, organizadamente, essas orientações e medidas definidas pelo XVIII Congresso e que, aprofundadas e enriquecidas pelo Comité Central, são de aplicação indispensável para o necessário reforço orgânico, ideológico e interventivo do Partido.
São orientações que, como sublinha a resolução do CC, têm a ver com tudo o que respeita à organização e estruturação do Partido com vista ao seu reforço efectivo e que passam pelo acompanhamento e responsabilização de quadros e a formação política e ideológica; pelo reforço da organização e da intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores em geral, nas empresas e locais de trabalho; pela criação e dinamização das organizações de base; pelo reforço da estruturação partidária; pela avaliação e intensificação do trabalho com camadas e sectores sociais específicos; pelo reforço da militância, do papel e da integração dos membros do Partido em organismos; pelo desenvolvimento da acção política, da ligação às massas e do alargamento da influência do Partido nas suas muito diversificadas vertentes; pela propaganda, a informação e a imprensa do Partido; pela luta ideológica; pelo reforço dos meios financeiros do Partido; pelos Centros de Trabalho; pelo reforço da capacidade de direcção.
A história e o papel do PCP colocam aos comunistas portugueses exigências que implicam uma organização, uma força e uma capacidade interventiva à altura do grande Partido da resistência antifascista; da Revolução de Abril e da construção do regime democrático; da resistência à contra-revolução desenvolvida em trinta e três anos de política de direita; da luta por uma ruptura com essa política e pela implementação de uma política de esquerda - sempre tendo o socialismo no horizonte.
Sempre confirmando que é com o PCP que os trabalhadores e o povo podem contar.


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