Editorial

«É nessa perspectiva que o colectivo partidário avança com a acção de reforço do Partido»

RESPONDER COM A LUTA

A representação dramática a que o Governo tem vindo a recorrer, para além de constituir uma fuga a assumir a perda da maioria absoluta – que foi, nunca é demais repeti-lo, o dado mais relevante do ciclo eleitoral deste ano -visa desviar as atenções daquilo que é essencial na actual situação do País: a grave situação económica e social existente, cujas causas se situam, essencialmente, na política de direita e cujas consequências são visíveis nas cada vez mais difíceis condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses.
Com tudo isto, o que o Governo PS/José Sócrates pretende, de facto, é prosseguir a política penalizada pelo eleitorado como se, para isso, ainda dispusesse da maioria absoluta - que perdeu precisamente por culpa dessa política. E sabendo que tal caminho conduzirá inevitavelmente (já está a conduzir) aos mesmos resultados - agora agravados porque se trata de chover em cima do molhado, de flagelar ainda mais e com mais trágicas consequências a situação dos trabalhadores, do povo e do País.
Desemprego, despedimentos e precariedade; salários baixos e pensões e reformas de miséria; um salário mínimo nacional que não dá para comer; agravamento da ofensiva contra os direitos dos trabalhadores: eis a primeira parte da resposta do Governo à grave situação em que vivem milhões de portugueses. Quanto à segunda parte, na outra face da moeda, a resposta é também velha: aumentos dos lucros dos grandes grupos económicos e financeiros – lucros que estes acham pequenos e, por isso, exigem que sejam os trabalhadores a pagar a crise: aumento do salário mínimo nacional?: sim, mas só se o Governo subsidiar esse aumento e só com contrapartidas gravosas em matéria de direitos laborais – e a desfaçatez e a arrogância destes vampiros chegam ao ponto de proporem o horário de 60 horas semanais para os já super explorados trabalhadores das grandes superfícies.
Portugal ocupa, hoje, o «pelotão da frente» no conjunto dos 27 países da União Europeia no que respeita à perda de postos de trabalho – um terceiro lugar que ameaça subir no sinistro ranking, se tivermos em conta a situação actual e as ameaçadoras perspectivas que se avizinham.


Tudo isto nos remete para aquela que é, na realidade, a questão central da vida política nacional: a política que há trinta e três anos tem vindo a ser aplicada por sucessivos governos PS/PSD/CDS-PP: sempre a mesma, sempre aplicada pelos mesmos partidos, sempre ao serviço dos interesses do grande capital – uma política que o Governo PS/José Sócrates levou mais longe do que qualquer um dos que o antecederam e à qual pretende, agora, dar um novo impulso através de uma ofensiva que tem na mira a devastação de direitos básicos essenciais dos trabalhadores e do povo e o aumento brutal da exploração.
Tudo isto nos remete, igualmente, para a necessidade imperiosa de dar a resposta adequada a esta ofensiva – uma resposta que tem na luta de massas o seu factor determinante e a sua expressão maior.
Hoje como sempre, a luta é o caminho.
Nas circunstâncias actuais, a luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores, pelo emprego, contra a precariedade, pela valorização dos salários – matérias sobre as quais incide, prioritariamente, a ofensiva em curso por parte do Governo e do grande patronato – apresenta-se como questão fulcral para a classe operária e os restantes trabalhadores.
Foi a luta que retirou a maioria absoluta ao Governo do PS e que o impediu de ir tão longe quanto ele o grande capital queriam. É a luta que os impedirá, agora, de alcançar os seus objectivos.
E será a luta que, mais tarde ou mais cedo, derrotará esta política de direita ao serviço dos interesses do grande capital, e a substituirá por uma política de esquerda ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

É nessa perspectiva de necessidade da intensificação e da ampliação da luta de massas que o colectivo partidário comunista leva por diante o vasto conjunto de orientações e linhas de trabalho com vista ao reforço do Partido – sabendo que quanto mais forte for o Partido mais forte será o seu contributo para o desenvolvimento da luta.
Por razões óbvias, a acção de reforço do Partido definida na última reunião do Comité Central só a partir do início do ano poderá ser concretizada em pleno – e será também essa a altura para o colectivo partidário levar por diante a importante Campanha Nacional contra o Desemprego e a Precariedade, através da qual contactará e debaterá com milhares de trabalhadores a situação nessa área e as medidas necessárias para a alterar.
Todavia, o Partido não pára. Acompanhando, no Avante!, as notícias sobre o Partido, aí encontramos múltiplos sinais de uma actividade partidária intensa que, para além da presença activa de militantes comunistas em todas as lutas em curso, inclui reuniões e plenários de militantes; debates sobre os mais diversos temas; sessões de homenagem a nomes grandes do colectivo partidário já desaparecidos, como José Carlos Ary dos Santos, Alberto Araújo e Manuel Guedes; iniciativas com a participação do secretário-geral, Jerónimo de Sousa que, em Aljustrel, Barreiro, Figueira da Foz e Oliveira de Azeméis juntaram alguns milhares de pessoas – e também a actividade dos jovens comunistas que, em comemoração do 30.º aniversário da JCP, entre si e com outros jovens trabalhadores e estudantes, debatem «30 anos de Ideal Comunista».
Tudo a confirmar a existência de condições para o êxito da acção Avante!, Por um PCP mais Forte.


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