Editorial

«Com o PCP – Lutar contra as injustiças, exigir uma vida melhor»

É ESSE O CAMINHO

Quando o capitalismo mergulha numa das suas crises cíclicas, quem sofre as consequências são os trabalhadores e os povos. Assim foi sempre ao longo da história e assim está a acontecer uma vez mais, com a profunda crise sistémica actual, cujos efeitos devastadores são visíveis, a nível mundial, no brutal aumento do desemprego e da pobreza, no agravamento das injustiças sociais, na escalada da exploração e da opressão.
Tais crises põem a nu, também, de forma mais clara, as características militaristas, belicistas e repressivas intrínsecas ao sistema capitalista – e é isso que está acontecer uma vez mais, agora, no quadro da estratégia de guerra do imperialismo norte-americano e dos seus lacaios da NATO.
Disso são exemplos, designadamente, o envio de mais dezenas de milhares de soldados para o Afeganistão e o alastramento da guerra ao Paquistão; o início das matanças de homens, mulheres e crianças inocentes no Iémene; a instalação de bases militares assestadas contra os povos e países que, na América Latina, tomaram conta dos seus destinos e ousaram enfrentar o imperialismo norte-americano; a intensificação das provocações militares contra a Venezuela; o apoio aos golpistas das Honduras – e até a terrível tragédia ocorrida no Haiti serve de pretexto para ali instalar mais de 10 mil militares norte-americanos, numa acção que, dita «humanitária», mais se assemelha a uma ocupação militar.
Na mesma linha se insere o desenvolvimento da chamada «guerra contra o terrorismo», justificação utilizada pelo imperialismo norte-americano para avançar no seu projecto de hegemonia e domínio do mundo – projecto para a concretização do qual o vale-tudo se apresenta como critério absoluto, como o comprova a provocatória inclusão de Cuba na lista dos países «patrocinadores do terrorismo» pelo país que é, de facto, o maior centro de terrorismo do planeta.
Tudo isto a confirmar a tão propagandeada «era Obama» como aquilo que, de facto, é: por detrás do manto diáfano de coloridos sorrisos a nudez crua da essência e do carácter do imperialismo.

Entretanto, por cá – onde a crise geral do capitalismo veio agravar ainda mais a já grave crise a que a política de direita conduziu o País - discute-se o Orçamento de Estado apresentado pelo Governo PS/José Sócrates – documento que, como era previsível, apresenta como dado mais relevante a continuação e o aprofundamento dessa mesma política. Dessa política que, nunca é demais lembrar, há mais de trinta e três anos vem flagelando impiedosamente os trabalhadores, o povo e o País; dessa política que, importa não esquecer, desde 1976 tem tido como seu beneficiário exclusivo o grande capital explorador.
Para o «novo» Governo, os interesses do grande capital continuam a ser a prioridade das prioridades – uma prioridade que, passando pelo agravamento das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e do povo, confere à política do Governo uma clara e assumida marca de classe e faz do seu Orçamento de Estado uma recorrente sucessão de continuações: a continuação dos lucros fabulosos para uma pequeníssima minoria; e, para a imensa maioria, a continuação do desemprego, da precariedade, dos baixos salários, da redução de direitos laborais, das reformas e pensões de miséria, da degradação das condições de vida, da pobreza, da miséria.
Também de acordo com o que se previa, tudo se encaminha para que Governo PS veja o seu Orçamento de Estado aprovado com os votos dos restantes partidos da política de direita – dos dois ou de um deles, para o caso tanto faz – seus fiéis parceiros de sempre nestas andanças.
Entretanto prossegue a intensa acção ideológica – levada a cabo pelos propagandistas do grande capital espalhados pelos órgãos de comunicação social propriedade desse mesmo grande capital - visando a aceitação generalizada da ideia da inevitabilidade da política de direita e, complementarmente, do imenso cortejo de inevitabilidades que dela decorrem – todas visando reduzir ou liquidar direitos fundamentais dos trabalhadores; todas visando escancarar as portas ao aumento da exploração; todas visando, enfim, salvar a política de direita.

Tudo a isto a colocar na ordem do dia, como questão maior, a necessidade do prosseguimento, da intensificação e do alargamento da luta de massas, caminho indispensável para impor a ruptura e a mudança indispensáveis - ruptura com a política de direita, mudança para uma política ao serviço dos interesses do povo e do País.
Nesse sentido, é importante realçar o plano de actividades aprovado pelo recente Plenário Nacional de Sindicatos da CGTP-IN que, sob o lema «Contra a precariedade e o desemprego – é hora de mudar!», definiu um vasto conjunto de acções a levar à prática neste primeiro trimestre - que terá como um dos momentos marcantes a manifestação nacional dos trabalhadores da Administração Pública, convocada para 5 de Fevereiro, em Lisboa.
É também tendo como objectivo contribuir para o desenvolvimento da luta – e no quadro das responsabilidades e do papel do PCP como partido da classe operária e de todos os trabalhadores – que o colectivo partidário comunista vai levar por diante, até finais de Março, a grande campanha nacional de contacto e mobilização dos trabalhadores e das populações, focalizada nos temas do desemprego, da precariedade e dos salários e subordinada ao lema «Com o PCP – Lutar contra as injustiças, exigir uma vida melhor».
É esse o caminho. Sigamo-lo, então, com a determinação e o empenho característicos dos militantes comunistas.


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