Os veteranos estimam em 334 os suicídios até Novembro de 2009
Suicídios disparam entre veteranos e soldados norte-americanos
O insuportável fardo das guerras do capital
O número de suicídios entre soldados e veteranos das Forças Armadas dos EUA registou, em 2009, um número alarmante, admite o Pentágono, cujas estatísticas, são, no entanto, conservadoras.
Apesar de ser o próprio alto comando militar norte-americano a revelar que, o ano passado, cerca de 160 soldados ainda incorporados ou veteranos das guerras do Afeganistão e Iraque cometeram suicídio – face a cerca de 140 ocorrências apuradas oficialmente em 2008 –, e de qualificar 2009 como «um ano cruel», os números apresentados são, no mínimo, muito conservadores.
Estatísticas igualmente oficiais dizem que o total de suicídios entre os veteranos podem ser de 18 por dia. O secretário dos Assuntos dos Veteranos, general Eric Shinseki, diz que nos anos de 2005, 2006 e 2007 a taxa de suicídios entre os homens dos 18 aos 29 anos cresceu, em média, 26 por cento. Dos mais de 30 mil suicídios que ocorrem anualmente no país, 20 por cento acontecem entre ex-integrantes do serviço militar.
A March Forward, por seu lado, fornece indicadores ainda mais trágicos. Segundo a organização de veteranos das forças armadas norte-americanas, o número de suicídios até Novembro de 2009 foi de 334, número que, adverte, apenas inclui os militares ainda em serviço.
A associação acusa os serviços médicos fornecidos pelo Pentágono de estarem mais preocupados em recuperar os soldados para novas missões de guerra além fronteiras do que em tratar os traumas resultantes da participação daqueles homens e mulheres na ocupação e genocídio dos povos do Iraque e Afeganistão.
De acordo com a Rand Corporation, citada pela March Forward, cerca de 300 mil veteranos de duas das guerras que o imperialismo levou a cabo no século XXI sofrem de stress pós-traumático (SPT). Outros 320 mil ficaram com danos cerebrais irreversíveis.

Saúde negada

Apesar destas cifras, as centenas de psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde contratados para atender soldados e veteranos resistem em diagnosticar SPT. De acordo com o testemunho de um soldado, um dos médicos que o atendeu explicou (sob reserva de anonimato e advertindo que se as suas declarações fossem tornadas públicas negá-las-ia categoricamente), que essas são as ordens do alto comando.
Os números oficiais e não oficiais concordam apenas que a taxa de suicídios é menor entre os que acedem aos serviços de saúde das forças armadas. A questão é que ainda no passado dia 15 de Janeiro, veteranos das guerras do Iraque e Afeganistão exigiram, num protesto frente a Fort Hood, realizado sob o lema «Fartos de combater as vossas guerras» e acompanhados das respectivas famílias, o fim das criminosas campanhas militares e o direito a um sistema de assistência célere e não manipulado.
O local do protesto não poderia ter sido mais adequado. Fort Hood foi palco, em Novembro, dum massacre perpetrado por um militar que havia recebido há pouco tempo a notícia da sua incorporação num dos contingentes a enviar por Barack Obama para o Afeganistão. A maior base dos EUA é, também, a que regista mais baixas em combate e maior taxa de suicídios.

Cabul sob fogo

O palácio presidencial, os edifícios dos ministérios da Justiça, Finanças e Minas, a sede do Banco Central do Afeganistão e um centro comercial no centro da capital do país foram alvo, segunda-feira, de ataques de grupos armados que se opõem à ocupação do território e ao governo liderado por Hamid Karzai.
Os ataques levados cabo por supostos comandos talibã foram dos mais graves ocorridos em Cabul desde a invasão anglo-norte-americana de 2001 e elucidam o recrudescimento da violência resultante do conflito no país. Para além da explosão de engenhos explosivos por comandos suicidas, na capital ouviram-se disparos de armas pesadas
O representante dos EUA para o Afeganistão qualificou as ousadas investidas em Cabul de «horrorosas» e «desesperadas». Mais tarde, o presidente Karzai apressou-se a dar a situação como serenada, mas o que sobressai é exactamente o contrário. Se até há poucos meses a capital afegã era das poucas regiões do país minimamente controladas pelas autoridades locais e pelos militares estrangeiros, parece que, com o prolongamento da neocolonização, o conflito não só se agudiza como alastra a todas a zonas do país.
Karzai, aliás, não pode dizer sequer que controla os grupos de interesse que circulam no seu círculo de poder. Ainda no sábado o parlamento afegão voltou a rejeitar a maioria dos 17 ministros propostos pelo chefe do executivo, o qual é, actualmente, composto por apenas 14 dos 25 titulares previstos.


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