Editorial

«A luta dos enfermeiros foi o acontecimento de maior relevância da semana que passou»

A LUTA INTENSIFICA-SE, AMPLIA-SE, CRESCE

Comecemos, hoje, por saudar os enfermeiros e as suas estruturas representativas, protagonistas de uma luta que, pelas diversas expressões que tem vindo a assumir e pelo êxito alcançado, constituiu, sem margem para dúvidas, o acontecimento de maior relevância e significado da semana que passou.
Como eles próprios relembram, há muitos anos que não acontecia coisa semelhante: uma greve, levada a cabo durante três dias em todo o território nacional – com uma adesão histórica, ultrapassando os 90% ; dezenas de acções descentralizadas, realizadas no decorrer dos dias de greve, com êxito pleno, em todo o País – Açores, Madeira, Santarém, Tomar, Abrantes, Torres Novas, Lisboa, Coimbra, Setúbal, Almada, Faro, Portimão, Évora, Castelo Branco, Porto, Matosinhos, Viseu, Braga, Guimarães, Vila Real, Chaves, Barcelos…; e a manifestação, também ela de dimensão histórica, com cerca de 20 mil trabalhadores, a mais participada de sempre no rico historial de luta dos enfermeiros – um mar de gente em luta, desfilando pelas ruas e avenidas de Lisboa e desembocando no Terreiro do Paço, frente ao Ministério das Finanças; uma multidão cheia de força, de entusiasmo e de determinação exigindo os seus direitos, ostentando cartazes e panos que reflectiam os seus problemas e os seus objectivos, rejeitando frontalmente a condição de «humilhados» a que o Governo os quer submeter - gritando, em uníssono, convictos e firmes, que «A Luta Continua», mostrando que a luta é a grande arma dos trabalhadores.
Faz mal o Governo se não se interrogar sobre o porquê desta adesão histórica dos enfermeiros à luta pelos seus legítimos direitos. E faz pior ainda, se não der a resposta justa às justas reivindicações apresentadas.
Tanto mais quanto a gravidade das consequências da política governamental que pesam sobre os trabalhadores em geral, só pode ter como resposta mais e mais fortes lutas em todos as áreas de actividade, tanto no sector público como no sector privado.
Um dado fundamental a reter desta acção dos enfermeiros é o de que a luta intensifica-se, amplia-se, cresce – e nenhuma conclusão poderia ser mais positiva do que esta.

A confirmação desse dado fundamental será feita, muito provavelmente, pelos trabalhadores da Administração Pública, os quais, face ao Orçamento do Estado que o Governo PS/José Sócrates se prepara para aprovar – e que, muito justamente, consideram «um ultraje» em matéria de salários e de aposentação - vêem acrescidas as razões para manifestarem o seu protesto, a sua indignação, a sua revolta.
Como incisivamente sublinha um comunicado da Frente Comum, o congelamento de salários, suplementos e subsídios que o Governo quer aplicar «é, por si só, uma provocação aos trabalhadores e uma obediência sem vergonha às ordens do capital e do grande patronato» - qualificação que é extensiva à pretensão do Governo de impor o agravamento da penalização da antecipação da aposentação de 4,5 para seis por cento: «assim, o Governo do PS, em conluio com o PSD e o CDS/PP, ataca as condições de vida dos trabalhadores da Administração Pública, quer enquanto estão no activo quer quando se aposentam».
A esta política devastadora dos seus direitos e interesses e do interesse nacional, vão os trabalhadores da Administração Pública responder, amanhã, em Lisboa, com uma manifestação nacional que virá a constituir, tudo o indica, uma muito grande jornada de luta e de protesto contra os atentados aos seus direitos e por uma Administração Pública de qualidade ao serviço do povo português.
Uma jornada de luta que, nas circunstâncias, será mais uma demonstração de que a luta intensifica-se, amplia-se, cresce.

Estes iniludíveis sinais de ascenso da luta têm tanto mais importância quanto eles surgem estilhaçando as múltiplas barreiras criadas pela ofensiva ideológica conduzida pelos politólogos ao serviço dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros.
Com efeito, à inutilidade e ao fracasso da luta que eles não se cansam de pregar nos média do grande capital, os trabalhadores respondem precisamente com a luta.
Como o Secretário-geral do PCP tem vindo a sublinhar, a acção do Partido, juntamente com a acção das massas trabalhadoras, é a questão crucial para libertar os trabalhadores do apertado colete de forças com que esses politólogos, o grande patronato e a política de direita, pretendem manietá-los.
Não é por acaso que os órgãos de comunicação social privados e públicos - todos ao serviço dos interesses da política de direita e do grande capital – silenciam cirurgicamente a campanha nacional do PCP em torno dos problemas do desemprego, da precariedade e dos salários – como aconteceu, uma vez mais, com o encontro de Jerónimo de Sousa com trabalhadores têxteis, em Santo Tirso.
Que eles têm medo da luta dos trabalhadores, é um facto todos os dias confirmado.
Que esse medo é ainda maior quando na luta está directamente envolvido o PCP, partido da classe operária e de todos os trabalhadores, é uma evidência por demais óbvia.
O que só confirma que a luta é o caminho – quer para a conquista dos objectivos imediatos dos trabalhadores no que respeita aos seus direitos e interesses imediatos quer para a ruptura com a política de direita e para a mudança rumo a uma política de esquerda.
A vaga de lutas que se perspectiva para os próximos dias e semanas, terá um ponto alto nas comemorações do Dia do Trabalhador – comemorações que certamente se traduzirão numa poderosa jornada de afirmação da força organizada dos trabalhadores.
A confirmar que a luta intensifica-se, amplia-se, cresce.


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