Editorial

«O Avante!, voz do PCP, é uma voz singular no universo mediático nacional»

NO 79.º ANIVERSÁRIO DO AVANTE!

A criação do Avante! – há 79 anos, em plena ditadura fascista – constituiu uma expressão concreta da acção e do papel do PCP enquanto partido de vanguarda da classe operária portuguesa e da resistência antifascista.
Nascido em 15 de Fevereiro de 1931, ele foi uma das consequências da Conferência de Abril de 1929 – na qual Bento Gonçalves, que ali viria a ser designado secretário-geral do PCP, teve um papel relevante na definição do conjunto de medidas de carácter político, orgânico e ideológico que deram início à transformação do PCP num partido de tipo leninista.
Isto, sublinhe-se, num tempo em que o Partido quase desaparecera e em que a repressão fascista organizada avançava a passos largos.
Não surpreende, assim, que os primeiros anos de vida do Avante! tenham sido particularmente difíceis. Apesar de tudo, com êxitos notáveis, como foi, por exemplo, a sua saída regular semanal, entre 1936 e 1938, com tiragens que atingiam os 10 mil exemplares.
Mas inevitavelmente em tais circunstâncias, com períodos, por vezes longos, de interrupções na sua publicação.
Com efeito, os fortes golpes vibrados pela repressão fascista na organização partidária – juntamente com uma evolução negativa da situação internacional, decorrente da implantação do fascismo em Espanha e do início da Segunda Guerra Mundial – trouxeram acrescidas dificuldades ao Partido e, consequentemente, ao seu órgão central.

Com a reorganização de 1940/41 foram criadas as condições para que o Avante! desse um significativo passo em frente no cumprimento do seu papel de organizador, agitador e propagandista colectivo.
A reorganização, iniciada por um conjunto de quadros acabados de sair das prisões - entre eles Álvaro Cunhal, José Gregório, Manuel Guedes, Militão Ribeiro, Joaquim Pires Jorge, Sérgio Vilarigues, Pedro Soares, Júlio Fogaça – constituiu um acontecimento marcante na história do PCP, fazendo dele, de facto, um grande partido nacional, organizador da luta popular e impulsionador da unidade antifascista.
Ela foi, também, ponto da partida para a construção dos III e IV congressos, realizados em 1943 e 1946, num processo no decorrer do qual, com a intervenção decisiva de Álvaro Cunhal, foi construído, de forma inovadora e criativa o «partido leninista definido com a experiência própria».
É por efeito da reorganização de 40/41 e por orientação nela decidida que são tomadas medidas que, a partir daí, irão assegurar a publicação contínua do Avante!.
Recorde-se que coube a José Gregório a tarefa de instalar a tipografia na qual seria impresso o Avante! de Agosto de 1941 – o primeiro de uma série que sairia, sem qualquer interrupção, até ao 25 de Abril de 1974, facto único na imprensa clandestina em todo o mundo.

Nesta longa caminhada, iniciada há 79 anos e que hoje prossegue, sempre o Avante! assumiu frontalmente o seu posicionamento: ao lado dos trabalhadores e contra o grande capital; ao lado dos explorados e contra os exploradores; ao lado da democracia e da liberdade e contra a tirania e a opressão, sejam quais forem as expressões que estas adoptem.
Hoje como ontem, o Avante! é a voz dos que não têm voz: a voz dos explorados silenciada pelos média do grande capital.
Hoje como ontem, o Avante! é o porta-voz fiel das reivindicações dos trabalhadores, do sector privado como do sector público: esteve na grandiosa manifestação dos trabalhadores da Administração Pública da passada sexta-feira e está com os trabalhadores que em dezenas e dezenas de empresas e sectores se batem pelos seus interesses e direitos; está com os reformados e pensionistas; esteve com a juventude estudantil – que há dias levou por diante uma significativa jornada de luta; está com a juventude trabalhadora – que no dia 26 de Março tem encontro marcado em Lisboa – esteve, está, estará com todos os que são vítimas das consequências da política que há mais de três décadas tem vindo a flagelar os trabalhadores, o povo e o País, praticada por sucessivos governos dos três partidos da política de direita e, na situação actual, pelo Governo PS/José Sócrates. Uma política que é necessário derrotar e que a luta organizada dos trabalhadores derrotará – impondo uma política de esquerda ao serviço dos interesses da imensa maioria dos portugueses.

Por tudo isso, no tempo que vivemos, caracterizado pela concentração da quase totalidade dos média nas mãos do grande capital, com todas as consequências daí decorrentes, a difusão e leitura do Avante! apresentam-se como questões cruciais, não apenas para os militantes comunistas, mas para todos aqueles que não aceitem submeter-se à ditadura do discurso único da comunicação social dominante e às «inevitabilidades» por ele decretadas; para todos aqueles que queiram saber notícias de quem trabalha e luta por um Portugal com futuro - que queiram saber o que as televisões não mostram e os jornais não dizem.
O Avante!, voz do PCP, é uma voz singular no panorama mediático nacional.
Hoje como ontem, o Avante! cumpre também o seu papel de organizador colectivo, acompanhando a par e passo o desenvolvimento da campanha em curso de reforço do Partido, decidida pelo XVIII Congresso e planificada pelo Comité Central, «Avante por um PCP mais forte»: divulgando experiências; estimulando o empenhamento do colectivo partidário na campanha; sublinhando o carácter decisivo da ligação do Partido às massas; realçando a importância determinante de esse reforço se complementar nos planos orgânico, interventivo e ideológico.


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