«Sol» traz nuvem de suspeições

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou, sexta-feira, que a publicação de novos dados sobre o chamado «caso das escutas» pelo «Sol» torna imperiosa a necessidade de esclarecimentos sobre a alegada operação de controlo de um conjunto de órgãos de informação por parte do poder político através de várias empresas e grupos económicos.
«Não podemos permitir que a grave nuvem de suspeição sobre a independência dos órgãos de informação e dos jornalistas continue a adensar-se», afirma, em comunicado, o SJ, considerando que «todos os visados nestas revelações devem contribuir para o esclarecimento exigido de um "caso" que está a suscitar uma preocupante inquietação na opinião pública e a colocar em crise a credibilidade dos órgãos de informação e dos jornalistas».
Entre os elementos trazidos a público, o sindicato sublinha, além do alegado envolvimento do primeiro-ministro, as referências à Portugal Telecom, «sendo exigível, neste caso, que este grupo elucide cabalmente sobre as razões pelas quais voltou a interessar-se pelo negócio de média, depois de o ter abandonado há cerca de cinco anos, aliás com o impulso político dos dois principais partidos parlamentares, e de há cerca de ano ter negado peremptoriamente o seu interesse em regressar ao universo da comunicação social».
Por outro lado, conclui o SJ, «as revelações sobre as alegadas tentativas de reorganização de empresas e grupos de comunicação social confirmam a necessidade legislar sobre os limites à concentração da propriedade dos meios de informação e de recolocar na ordem do dia a adiada lei da não concentração. Os cidadãos têm de ter garantias de que a liberdade de imprensa e o pluralismo informativo não estão reféns de interesses económicos com ou sem a interferência do poder político.»


Homenagear as vítimas da Linha do Tua

No dia 12 de Fevereiro iniciou-se um «período negro» para a Linha Ferroviária do Tua, com a ocorrência, há três anos, do primeiro dos quatro acidentes que serviram de pretexto para o seu encerramento.
«Três anos volvidos sobre este primeiro e trágico acidente que lamentavelmente ceifou a vida a três ferroviários da empresa Metro Mirandela e feriu dois passageiros, e após a ocorrência de outros três, um dos quais gerou mais uma vítima mortal, muito continua ainda por esclarecer», recorda, em nota de imprensa, o Partido Ecologista «Os Verdes», dando conta da «coincidência» destes acidentes «com a ameaça sobre o futuro da linha, decorrente da construção da Barragem da Foz do Tua».
No documento, os ecologistas alertaram, de igual forma, para a «responsabilidade política» pela debilidades de segurança detectadas nos inquéritos, «decorrentes do abandono desta linha, que é também símbolo do abandono das linhas ferroviárias do interior, nomeadamente na região de Trás-os-Montes». Neste sentido, adiantam ainda, «a melhor forma de homenagear as vítimas da Linha do Tua, é reconhecer o valor patrimonial desta linha ferroviária, obra prima da engenharia portuguesa e do património ferroviário nacional».
«Os Verdes» entregaram, há dias, na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República, uma proposta com carácter de urgência para a vinda da ministra da Cultura para que esta esclareça a posição deste Ministério em relação a este património que integra a área do Alto Douro Vinhateiro, classificada pela UNESCO, como Património da Humanidade.


Sensibilização ambiental no Seixal

A Câmara do Seixal distribuiu uma centena de compostores aos habitantes do concelho para dar continuidade a um programa de sensibilização para os benefícios ambientais da compostagem doméstica (transformação de restos em composto que serve de adubo). A autarquia CDU alargou a segunda edição do programa Life (que promove a compostagem), à distribuição de mais 100 compostores, tendo ficado de fora muitos pedidos, pelo que está em aberto a hipótese de existir uma terceira edição.
Com o programa Life, o município pretende sensibilizar os munícipes para o facto de que, através da compostagem em suas casas, se consegue reduzir a quantidade de resíduos que vão para aterro.


Portugueses morrem de frio

Portugal é um dos países da União Europeia onde mais se morre por falta de condições de isolamento e aquecimento nas casas, segundo um estudo de especialistas da Universidade de Dublin que comparou 14 países europeus.
A falta de condições de isolamento das habitações poderá ter estado na origem da morte de quatro idosos em Lisboa, no domingo, uma situação que a PSP já admitiu poder dever-se às baixas temperaturas que se fazem sentir.
De acordo com a investigação, que analisou as potenciais causas da mortalidade no Inverno em 14 países europeus, «Portugal tem a maior taxa (28 por cento) de excesso de mortalidade no Inverno», seguido de Espanha e Irlanda, ambos com 21 por cento.


«Resistência e Liberdade»

A activista saaraui Aminetu Haidar foi galardoada, sábado, com o prémio internacional «Resistência e Liberdade», atribuído pela primeira vez pelos governos das Astúrias e das Ilhas Baleares.
O júri, presidido pelo escritor português e Prémio Nobel da Literatura José Saramago, destacou a forma como Aminetu Haidar protagonizou a greve de fome no Aeroporto de Lanzarote para exigir o seu regresso ao Saara Ocidental, após lhe ter sido retirado o passaporte e resistindo «às pressões contra a sua legítima vontade pessoal».


Resumo da Semana