Crise e ofensiva social provocam maré de protestos
Aumenta indignação popular contra austeridade
Nova greve paralisa Grécia
Uma nova greve geral ameaça paralisar de novo a Grécia na próxima quarta-feira, 24, duas semanas depois da grande jornada de luta promovida pelo sindicato PAME que deixou o país ao ralenti.
A greve de dia 10, convocada pela Frente Militante de Trabalhadores (PAME), ficou marcada por manifestações em 66 cidades gregas, registando a adesão de 300 federações e sindicatos dos sectores público e privado.
O êxito da jornada demonstrou que os trabalhadores estão dispostos a resistir e combater a política de direita do governo «socialista» do PASOK, de que se salientam as reduções dos salários e prestações e a subida da idade da reforma.
Esta greve não teve o apoio da principal confederação sindical do sector privado, GSEE, controlada por reformistas. Todavia, a central para o sector público, ADEDY, já sem margem de manobra, decidiu apelar à greve e realizou uma manifestação pouco expressiva no centro de Atenas.
Em contrapartida, o PAME, que recusa a chantagem que é agora feita sobre os trabalhadores para que sejam eles a pagar a crise, mobilizou dezenas de milhares de trabalhadores que se concentraram debaixo de chuva frente ao edifício do parlamento. Uma delegação do CC do Partido Comunista da Grécia, chefiada pela sua secretária-geral, Aleka Papariga, esteve presente no comício, onde se destacou ainda a participação de representantes dos agricultores, actualmente em luta contra as políticas que asfixiam o sector.
No final das intervenções, os manifestantes percorreram as artérias centrais da capital até ao Ministério do Trabalho, onde apresentaram as suas reivindicações, de que se destacam o aumento do salário mínimo para 1400 euros, reformas aos 55 anos para as mulheres e 60 anos para os homens, subsídio de desemprego sem restrições no valor de 1120 euros, assistência médica e medicamentosa gratuita e o drástico aumento para 45 por cento da tributação às grandes empresas.

Não acreditem no governo!

Na sua declaração, Aleka Papariga exortou os trabalhadores a ignorarem os apelos do governo: «A salvação dos banqueiros, dos industriais, da grande distribuição é a única coisa que lhes interessa». E alertou: «Decisões ainda mais graves serão tomadas a menos que os trabalhadores se oponham a esta vaga de medidas, a menos que afrontem os ditames do governo. Por isso é preciso bloquear estas medidas, intensificando a luta permanente! Novos golpes se preparam contra a segurança social e nos impostos. É preciso impedi-los. Não acreditem no que eles dizem! Voltem-lhe as costas!».
Por efeito desta greve, centenas de voos foram cancelados, escolas, hospitais, correios, ministérios e administrações locais e regionais encerraram. A paralisação afectou os portos e parcialmente os caminhos-de-ferro.
Na próxima quarta-feira, os trabalhadores de todos os sectores voltam a mobilizar-se numa greve que desta vez terá a participação de todas as confederações sindicais.

Défice empolado

A fazer lembrar a rábula do governo de Durão Barroso que, mal tomou posse em 2002, anunciou que o País estava de «tanga», o que foi pretexto para o congelamento salarial e a retirada de importantes direitos aos trabalhadores, também agora o governo do PASOK descobriu que a Grécia estava à beira da bancarrota e que, portanto, o povo precisa de apertar o cinto.
Só que as coisas não são bem assim. Segundo a Agência Lusa, que ouviu o director do principal jornal económico grego, «o governo, quando tomou posse, decidiu inscrever, no ano de 2009, cinco mil milhões de euros de dívidas antigas dos hospitais públicos aos fornecedores, o que fez com que o défice orçamental subisse de 9,5 para 12,5 por cento do Produto Interno Bruto».
Athanasios Adamopoulos, director do jornal Naftemporiki, considera desta forma que «o défice do ano passado está, assim, inflacionado, e por isso vai ser muito fácil colocar o desequilíbrio das contas públicas abaixo dos 10 por cento do PIB, uma vez que o governo, em vez de contabilizar as dívidas em cada ano, optou por contabilizá-las todas no ano de 2009».
Conclui-se portanto que o governo de Papandreu manipulou intencionalmente as contas do Estado para preparar psicologicamente a população para as draconianas medidas que tinha em mente. A rábula do «país de tanga» voltará a funcionar, assim os trabalhadores gregos mordam o isco.


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