• Gustavo Carneiro

Em dois anos, entraram para o Partido de 500 novos militantes no distrito
9.ª Assembleia da Organização Regional do Porto do PCP
Um Partido mais forte para dinamizar a luta
Foi uma organização do Partido reforçado, profundamente enraizado junto dos trabalhadores e das populações e conhecedor da realidade económica e social do distrito, aquela que esteve reunida no sábado, no antigo Cinema Batalha, na 9.ª Assembleia da Organização Regional do Porto do PCP.
Cerca de 450 delegados, eleitos em 66 assembleias, deram voz às organizações partidárias no distrito do Porto. E o que testemunharam, quase em uníssono, as quatro dezenas de militantes que subiram à tribuna foi o imenso reforço da organização e intervenção do Partido nos últimos dois anos, desde a anterior assembleia. O cântico, entoado com entusiasmo no final da assembleia – Assim se vê a força do PC! –, teve na sua preparação, nos seus trabalhos e nas suas conclusões a mais sólida confirmação.
Já na intervenção de abertura, Jaime Toga, membro da Comissão Política e responsável pela organização regional, tinha adiantado alguns aspectos essenciais desse reforço: dos mais de 500 militantes recrutados aos 200 organismos actualmente em funcionamento, dos quais 60 são células de empresa ou sectores profissionais e sindicais, passando pelos mais de 1100 militantes neles integrados.
Dando uma vista de olhos pela resolução política, aprovada por unanimidade, tem-se uma ainda maior percepção do que representa actualmente, no terreno, a organização e a influência do Partido naquele distrito – no Porto, o PCP conta com 6687 militantes inscritos, mais de 821 organizados relativamente à anterior assembleia. Mais de 900 estão organizados a partir das empresas e locais de trabalho.
Como justamente salientou Jaime Toga, o reforço orgânico do Partido «não é um fim em si mesmo». É, sim, um meio para «melhor conseguir alargar a nossa acção, intervenção e influência, política e social, melhorando a capacidade de intervir e de influenciar outros». Contribuindo, desta forma, para o «esclarecimento das massas e para o seu papel reivindicativo e na luta contra a política de direita».
Para este dirigente, o desenvolvimento da luta é mesmo a «questão central para as organizações do Partido e para os comunistas». «É para isto que precisamos de um Partido forte, enraizado junto dos trabalhadores e da população. É para isto que precisamos de militantes dedicados, esclarecidos e combativos.»

Tempos de acção e de luta

A encerrar os trabalhos, Jerónimo de Sousa insistiu na mesma ideia, afirmando que «perante a política de direita e os graves problemas sociais que se avolumam, os tempos que aí vêm só podem ser tempos de acção e de luta. Acção e luta que exigem um partido reforçado com uma intervenção firme, determinada, diversificada e capaz de responder às expectativas e aspirações a uma vida melhor para o nosso povo». E que, para além disso, seja capaz de «promover a ruptura e mudança a que só o PCP pode dar resposta, com o seu projecto, a sua força e capacidade de mobilização, a sua ligação e enraizamento nos trabalhadores, na juventude e no povo».
Segundo o dirigente comunista, o agravamento da situação económica e social e a agudização da luta de classes colocam ao Partido «fortes exigências políticas, ideológicas, organizativas e de intervenção». Cabe aos comunistas e ao seu Partido combater a resignação; dinamizar a resistência e a luta da classe operária, dos trabalhadores e das populações; propor um programa que abra caminho a um Portugal «mais desenvolvido e mais justo».
Mas para tudo isto, há que continuar a construir o Partido – foi esta a ideia que Jerónimo de Sousa escolheu para terminar o seu discurso, realçando os avanços alcançados no fortalecimento dos movimentos unitários de massas; na intensificação da acção política, «como se verifica com a grande campanha nacional que estamos a realizar e como testemunha a nossa acção nas instituições»; no reforço geral do Partido. Neste último caso, o Secretário-geral do PCP referiu que «enfrentando campanhas persistentes visando a sua descaracterização e todas as atitudes que possam conduzir ao seu enfraquecimento, ultrapassando silenciamentos e linhas de diversão, o Partido lança-se com toda a determinação para a concretização da acção «Avante! Por um PCP mais forte».
Assim, com «este Partido Comunista Português e com a insubstituível luta dos trabalhadores e do povo seremos capazes de rasgar novas alamedas por um Portugal de progresso e de futuro».

Continuar a avançar

Apesar dos extraordinários avanços alcançados pelos comunistas no distrito do Porto, estes não se dão por satisfeitos. Aliás, nos textos em discussão para esta assembleia estiveram ausentes tanto o auto-elogio como a passividade perante as inúmeras dificuldades – reais – que se colocam à organização e intervenção do Partido.
Na resolução política aprovada traçam-se objectivos orgânicos ambiciosos, mas nem por isso inalcançáveis – como o provam na perfeição os avanços registados nos últimos dois anos. Aplicando à realidade da região a resolução do Comité Central «Avante! Por um PCP mais forte», os comunistas do Porto pretendem dar especial atenção à responsabilização de quadros, em especial operários, jovens e mulheres, especialmente por tarefas de direcção. Até à próxima assembleia, está traçado o objectivo de responsabilizar 200 novos quadros.
No que respeita ao reforço da organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho, destaca-se a importância da assumpção, por parte das comissões concelhias, desta prioridade de trabalho. Para tal, devem estudar a realidade dos respectivos concelhos e organizações, definir responsáveis por sectores e empresas e tomar medidas para criar estrutura partidária e aumentar o número de militantes organizados por esta via. Até à próxima assembleia, propõe-se o recrutamento e integração nas organizações de empresa e local de trabalho de 200 militantes.
Os comunistas do distrito do Porto devem ainda trabalhar para «assegurar o funcionamento efectivo das organizações de base com reuniões regulares». Durante este ano deve ser realizado o maior número possível de assembleias destas organizações, tendo ficado decidido realizar assembleias anuais, no caso das organizações de base, e de dois em dois anos nas concelhias e sectores.
O recrutamento, a difusão da imprensa, a melhoria do trabalho de informação e propaganda e o reforço da capacidade financeira do Partido são outras das prioridades definidas.

Experiência e juventude

A nova Direcção da Organização Regional do Porto do PCP (DORP) tem 42 elementos, dos quais sete não integravam a anterior direcção. Estes novos elementos são expressão do crescimento do Partido na região – dois são da JCP (um operário e uma estudante do Ensino Secundário); um economista; uma professora; dois dirigentes sindicais da Função Pública; e, por fim, uma dirigente do sindicato do Comércio e responsável pela célula do PCP no Jumbo.
No global, 50 por cento dos novos dirigentes do Partido no distrito são operários e empregados; 45,2 por cento são intelectuais e quadros técnicos; e 2,4 por cento estudantes. A média de idades é de 44,6 anos.


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: