Nova greve geral hoje na Grécia
Manifestações e greve geral na Grécia
Guerra à guerra do capital
Em resposta ao maior ataque das últimas décadas aos salários e direitos, os trabalhadores gregos, organizados pela PAME e pelo partido comunista, saíram às ruas, ocuparam edifícios públicos, entraram em greve geral.
Uma semana depois do anúncio de um novo pacote de medidas draconianas de austeridade, os trabalhadores da Grécia voltam hoje, quinta-feira, à greve geral, traduzindo a revolta e a indignação que atravessa as diferentes camadas da maioria da população. Desde que, no dia 3, o governo de Iorgos Papandreu revelou o seu plano para reequilibrar as contas do país, uma sucessão de acontecimentos abalou a Grécia. No próprio dia, à tarde, a Frente Sindical Militante (PAME) realizou manifestações de protesto em 55 cidades e convocou uma greve geral de 24 horas para sexta-feira, 5, quando o parlamento foi chamado a votar as medidas restritivas. Na madrugada seguinte, dia 4, um grupo de 300 sindicalistas da PAME ocupou o edifício do Ministério das Finanças, em Atenas, afixando na sua fachada um enorme cartaz com a altura de quatro andares, no qual apelava à insurreição popular: «Sublevai-vos para que as medidas não se apliquem». Acções semelhantes contra edifícios do Estado tiveram lugar por todo o país. O jornal Rizospastis, órgão central do partido comunista (KKE), saiu nessa manhã com um apelo à greve geral de 24 horas, incitando as massas a participar nas 62 manifestações marcadas para a tarde. Algumas horas depois, as duas maiores centrais sindicais, GSEE e ADEDY, claramente rebocadas pela contestação nas ruas dirigida pela PAME e pelos comunistas, reviram o seu calendário e aderem à greve geral de sexta-feira, convocando uma paragem de três e quatro horas, nos sectores público e privado. Refira-se que ADEDY, federação da função pública, já tinha convocado uma greve para 16 de Março, deixando ao governo espaço suficiente para aprovar e impor o seu pacote antipopular. Na realidade, vários grandes sindicatos filiados nas centrais reformistas acabaram por convocar uma greve de 24 horas, seguindo na prática a orientação da PAME. Tal aconteceu, por exemplo, nos transportes públicos de Atenas e em vários outros sectores de actividade. Não basta votar contra A votação das medidas, com o apoio dos conservadores da Nova Democracia e da extrema-direita LAOS, decorrerá com o parlamento cercado por milhares de manifestantes em greve. Os deputados do KKE abandonaram o hemiciclo considerando que medidas tão duras e injustas para a generalidade dos trabalhadores não eram passíveis de discussão. Cá fora, perante dezenas de milhares de trabalhadores (ver vídeo em www.youtube.com/watch?v=kYjt7gvICF8&feature=player_embedded), a secretária-geral do KKE, Aleka Papariga, explicou a posição do partido: «Neste momento de nada serve discutir uma proposta de lei que é claramente contrária aos interesses dos trabalhadores e constitui o prelúdio de novas medidas (…) Nesta fase, tudo o que é discutido no parlamento tem consequências trágicas para o povo trabalhador, e por isso temos de lutar antes que os projectos de lei sejam submetidos a debate. Quando lá chegarem haverá uma maioria que os aprovará (…) Hoje, não é suficiente votar contra uma proposta de lei (…) o que importa realmente é o que os trabalhadores reivindicam e como o reivindicam (…). A população, os trabalhadores, os empregados, o povo trabalhador, todos têm de tomar esta causa nas suas mãos, tanto hoje enquanto oposição como amanhã enquanto classe no poder». Saque aos bolsos do povo O primeiro-ministro grego, Iorgos Papandreu, não hesitou em comparar a crise financeira do país a uma situação de guerra e falar na «salvação do país» para justificar as medidas ainti-sociais, que reconheceu serem «duras e possivelmente injustas». A injustiça é porém clamorosa. Os 4,8 mil milhões de euros que o governo «socialista» pretende obter durante este ano serão retirados quase integralmente dos bolsos dos trabalhadores, designadamente mediante o aumento generalizado dos impostos dos produtos de consumo generalizado e de uma radical redução dos rendimentos dos trabalhadores da administração pública. Vejamos. A maior fatia, 1700 milhões de euros, é obtida na rubrica «redução de remunerações»: 740 milhões nos subsídios de férias e de Natal e outras prestações; 450 milhões resultantes do congelamento das pensões na função pública; 360 milhões da redução dos prémios (compensações atribuídas no passado em substituição de actualizações salariais) e dos salários; e 150 milhões da redução das subvenções do Estado para os fundos de pensões. Segue-se em importância a rubrica «aumento do IVA»: 1300 milhões de euros obtidos com a subida para 21 por cento deste imposto socialmente cego, que provocará a subida generalizada dos preços, penalizando os que menos podem. Ainda no campo da fiscalidade, a rubrica «outros impostos» proporcionará 1100 milhões de euros, com o aumento dos combustíveis, tabaco, electricidade, bem como produtos de luxo. Já na rubrica «investimento público», o governo pretende recolher 700 milhões de euros, cortando designadamente no orçamento da Educação. Por fim, o governo «socialista» de Papandreu espera recolher 200 milhões de euros com o aumento dos impostos sobre as «grandes propriedades imobiliárias». Está bem de ver que o plano governamental isenta o grande capital de contribuir para a dita «salvação do país», isto apesar ser ele quem lucrou com os desmandos orçamentais dos últimos anos.


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