Jean Ferrat, o último dos moicanos

Jean Ferrat, o último de uma plêiade de músicos politicamente empenhados, nome maior da chanson francesa, ao lado de Jacques Brel, Leo Ferré ou Georges Brassens, morreu neste sábado, 13, com 79 anos, em Antraigues, no Sul de França, onde vivia desde 1973.
Compositor e intérprete de mais de 200 canções, crítico do capitalismo e defensor dos ideais comunistas, Ferrat viveu a infância sob a ocupação nazi. Perde o pai, Mnacha Tenenbaum, judeu russo deportado para Auschwitz, e a sua vida é salva por um resistente comunista. Tinha 11 anos.
Sem nunca ter sido membro do partido, Jean Ferrat foi eleito do PCF no município de Antraigues (1970-1983), apoiante da candidatura presidencial de Georges Marchais em 1981 e candidato na lista do partido às eleições europeias de 1999.
Começa a cantar no início dos anos 60, tornando-se de imediato alvo da censura e da marginalização mediática. A sua reputação de comunista é mal vista pelo poder. Os seus primeiros êxitos «Nuit et Brouillard» (Noite e Neblina, 1963), que fala dos horrores da deportação durante a guerra, ou «Potiómkine» (1965), que evoca o prelúdio da revolução russa de 1905, não passam na rádio. Em 1966 é irradiado da televisão devido à sua ligação pública ao PCF.
A censura acompanha toda a sua carreira, o que regista com ironia numa das suas composições: «Quando deixarem de proibir as minhas canções (…) então é porque já não valho nada (…) terei o futuro assegurado (…) glorificando a plenos pulmões a Europa dos super-patrões».


Lucros da bolsa continuam isentos

O ministro das Finanças afirmou, no sábado 13, que a tributação dos ganhos mobiliários só será equacionada quando existirem «sinais claros» de estabilidade nos mercados financeiros.
Apesar de a medida estar consignada no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), Teixeira dos Santos fez questão de esclarecer que este ainda não é o momento para começar a aplicá-la. «É importante que fique claro que com este PEC temos de volta aos mercados a confiança e a serenidade necessária nesse domínio. A partir daí, podemos começar a equacionar essa matéria», disse o governante.


«Catástrofe» no cinema português

Um grupo de produtores e realizadores portugueses lançaram, dia 11, uma petição pública apelando a uma «intervenção de emergência» face à situação de «catástrofe» que se vive no cinema português.
O documento, intitulado «Manifesto pelo cinema português», é assinado por realizadores como Manoel de Oliveira, João Salaviza, João Botelho, Pedro Costa e Fernando Lopes e por produtores como Pedro Borges, Alexandre Oliveira e Maria João Mayer.
Os peticionários alertam para a situação de paralisia do Fundo de Investimento do Cinema e Audiovisual (FICA), que qualificam como «uma enorme encenação que na generalidade só serviu para legitimar o oportunismo de uns tantos». Exigem ainda que a RTP cumpra o contrato de serviço público de televisão e que as regras de funcionamento do Instituto do Cinema e Audiovisual sejam mais «transparentes e indiscutíveis».
O FICA foi criado em 2007 pelo Ministério da Cultura e é gerido pelo Espírito Santo Fundo de Investimento Mobiliários. Todavia, a própria ministra da Cultura já reconheceu que o sector «necessita de mais investimentos para se desenvolver».


Amorim e Belmiro no <i>top</i> dos mais ricos

A lista das maiores fortunas do planeta, elaborada anualmente pela revista Forbes, indica-nos que o número de milionários aumentou de 793 na classificação de 2009, para 1011 este ano, distribuídos por 55 países.
No topo estão os Estados Unidos com 403 colossais fortunas, superiores a mil milhões de dólares, seguidos pela China (64) e pela Rússia (62), que é também o país da Europa com mais ricalhaços.
Individualmente a lista é encabeçada pelo mexicano Carlos Sim (53,5 mil milhões de dólares), que destronou Bil Gates por uma diferença negligenciável de 500 milhões de dólares.
Na Europa, o homem mais rico é o francês Bernard Arnault (27,5 mil milhões de dólares), proprietário das marcas Louis Vuitton e Moet & Chandon, entre outros.
Por cá, as maiores fortunas continuam nas mãos do empresário da cortiça Américo Amorim (212.º lugar na lista com 4 mil milhões de dólares) e de Belmiro de Azevedo (655.º lugar com 1,5 mil milhões de dólares).
Alguns observadores explicam que este crescimento das grandes fortunas em pleno período de crise, e após o recente cataclismo dos mercados financeiros, se deve em grande parte às injecções maciças de capital por parte dos estados. E embora o capital se tenha salvo, isso não indica que as economias estejam a sair da crise.


Portugal anda para trás

O fosso da riqueza produzida em Portugal relativamente aos 15 países mais ricos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) não só se manteve superior a 40 por cento como se agravou em comparação com os dados de há 20 anos.
De acordo com o relatório anual da organização, divulgado na semana passada, «não houve redução no grande diferencial de rendimentos face à primeira metade dos países da OCDE.» Antes pelo contrário, os indicadores de 2009 são piores do que os registados em 1991.
No entanto, para ultrapassar esta situação, a organização faz uma série de recomendações que coincidem precisamente com as políticas anti-sociais e liberalizadoras seguidas pelos sucessivos governos de direita nas últimas décadas, cujos resultados estão à vista, insistindo assim em curar o mal com as causas que o provocaram.


Resumo da Semana