Estarão patentes 346 trabalhos de 112 artistas oriundos de 38 países
Exposição internacional de Cartoon até 9 de Abril
Exploração e direitos
É hoje inaugurada, no Centro de Trabalho Vitória, em Lisboa, a exposição internacional de Cartoon «Exploração e direitos dos trabalhadores, olhar crítico a traço de humor», resultante de uma parceria entre o PCP e a Humorgrafe. A mostra estará patente até 9 de Abril.
A exposição será inaugurada por Jerónimo de Sousa hoje às 18 horas e poderá ser visitada todos os dias entre as 10 e as 18 horas. Da mostra constam 346 trabalhos enviados por 112 artistas, oriundos de 38 países.O catálogo da exposição pode ser adquirido por 8 euros. O ponto de partida desta iniciativa foi um desafio, lançado pelo PCP e pela Humorgrafe, a cartoonistas e caricaturistas de vários pontos do globo – e, saliente-se, de diferentes opções políticas e ideológicas – para que, a partir da sua própria reflexão filosófico-humorística, participassem com o seu trabalho artístico sobre as grandes questões que hoje atingem milhões de trabalhadores em Portugal e no mundo: as contradições que emergem do sistema capitalista, a luta pela dignidade do trabalho, a exploração de milhões de seres humanos e os lucros escandalosos dos grandes grupos económicos, o aumento do desemprego e o rasto de destruição social, a luta dos trabalhadores como factor de ruptura e mudança da vida dos povos, entre outros tantos temas. Esta exposição insere-se na campanha nacional do Partido «Com o PCP – Lutar contra as injustiças, Exigir uma vida melhor», que aborda precisamente os temas do emprego, dos salários e da precariedade. Num momento de crise, de défices e de PEC's – marcado pela intensificação da exploração e, ao mesmo tempo, pela luta tenaz e corajosa de muitos milhares de trabalhadores por todo o País – nunca é de mais olhar esta realidade, das formas mais diversificadas e criativas. Trabalho com humor Rir dá trabalho e o trabalho deveria dar alegria. Dá trabalho porque movimenta só na cara 18 músculos, para além dos abdominais, peitorais, dá trabalho porque sempre houve comediantes profissionais e porque, apesar, de ser natural e único do Homem, exige cultura, desenvolvimento de um raciocínio filosófico-humorístico, ou seja, faz pensar. Deveria ser alegre porque para além do prazer de contribuir para a sociedade, deveria ser reconhecido, ser recompensado justamente. Mas de injustos está o Paraíso e as chefias cheio. Para haver a cumplicidade humorística, tanto o criador como o receptor tem de comungar da mesma cultura, da mesma informação, para haver comunicação, reconhecimento dos códigos cómicos, incongruentes que exageram a realidade para se tornar satírica, humorística. O criador têm de «exagerar», dar uma perspectiva desmascarada, um reflexo cru para poder destruir as hipocrisias, as demagogias que procuram embelezar as realidades politicamente correctas. O criador tem de ter a arte de passar para além do espelho e desse lado nos fazer rir daquilo que, por vezes, preferíamos não nos rirmos. O ser humano trabalha para viver e vive para trabalhar, mesmo quando essa vivência pode parecer de lazer, porque este é uma continuidade do mesmo gesto. Trabalho não falta, o que falha são os empregos e isso não é mesma coisa É aqui que, nem sempre, a alegria entra porque para trabalho igual nem sempre há recompensa igual, nem sempre a obra é reconhecida, prevalecendo valores estranhos ao trabalho - favoritismos, partidarismos, clubismos, sexismos, racismos, desequilíbrio na divisão de lucros, incompetência de avaliações… e, nestes campos, o riso, o humor é sempre mal visto, já que é um desmascarador de realidades. Dá trabalho saber rir, porque nos obriga a olharmo-nos no espelho e aceitar as realidades nuas; obriga-nos a ouvir a opinião dos outros, mesmo quando não concordam connosco, quando não são elogios; obriga-nos a rever se a nossa visão é mesmo a correcta. Aceitar que estamos certos ou que estamos errados é um acto de inteligência e por isso um acto de humorismo. Neste tempo de crise aceitamos este desafio do PCP porque não nos deixamos levar pelo cinzentismo. Encaramos a realidade com humor, encaramos as hipocrisias dos empregadores, dos governos com a irreverência de quem sabe que a luta continua, porque a crise é de quem estrutura os empregos, os jogos económicos, não de quem trabalha com um sorriso para o futuro. Osvaldo Macedo de Sousa (humorgrafe.blogspot.com)


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