Editorial

«É necessário e possível derrotar o PEC e a política de que ele é instrumento»

PODEM CONTAR COM O PCP

Hoje será discutido na Assembleia da República o chamado PEC, instrumento com o qual o Governo PS/José Sócrates visa criar condições para dar um passo em frente na sua política de favorecimento privilegiado dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros e de agravamento das já graves condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses.
Ali, no Parlamento, os deputados do PCP denunciarão o conteúdo do sinistro documento, ao mesmo tempo que milhares de militantes comunistas, em contacto com trabalhadores e populações procederão ao esclarecimento sobre os objectivos deste PEC e as consequências da aplicação das medidas nele preconizadas, assim dando continuidade, afinal, à acção nacional «Não ao PEC» levada a cabo no passado dia 16 – e complementando a campanha em curso «contra as injustiças exigir uma vida melhor».
Registe-se e sublinhe-se que o PCP foi o único partido político nacional a levar a discussão em torno deste programa de devastação social aos principais interessados, aos que são as vítimas programadas desta catástrofe anunciada: os trabalhadores, as populações, os jovens, as mulheres, os reformados e pensionistas, os pequenos e médios empresários. E fê-lo com a convicção de que é possível derrotar este PEC e a política de que ele é instrumento e apelando à intervenção nesse sentido dos trabalhadores e das populações.
Registe-se e sublinhe-se, também, que esta prática do colectivo partidário comunista – que constitui um traço distintivo do PCP em relação à prática de qualquer outro partido nacional – decorre da importância decisiva, para o Partido, daquela que é muito justamente considerada uma das suas principais fontes de força: a sua estreita ligação às massas e aos seus problemas em todos os momentos e em todas as situações.

A luta contra o PEC – que, nunca é demais repetir, é a luta contra uma das mais graves investidas da política de direita – coloca-se como questão crucial para os trabalhadores e o povo.
É preciso demonstrar inequivocamente que estamos fartos desta política de direita que fez chegar o País à dramática situação em que se encontra, em que: aumenta a exploração; cresce o desemprego; cresce a insegurança entre os que têm trabalho, particularmente nos precários; o congelamento de salários, já de si baixos, traz consigo um agravamento brutal das condições de vida dos trabalhadores; são cada vez em maior número os trabalhadores com salários em atraso; aumenta a repressão nas empresas e locais de trabalho pela acção de um patronato que, com o aval do Governo, faz o que quer com ou sem lei; cresce o número dos que, em cada mês, não têm dinheiro para pagar a prestação da casa, a creche, o infantário; alastram a pobreza e a miséria, e a fome ameaça um número crescente de famílias; enfim, degradam-se todos os dias as condições de vida dos portugueses.
É preciso demonstrar inequivocamente que este PEC – com o qual o Governo PS/José Sócrates quer, agora, dar mais uma brutal machadada nessas precárias condições de vida – não passará.
E essa demonstração será conseguida através da luta, da intensificação e da ampliação da luta de massas, mobilizando para ela todos os que são vítimas desta política anti-social, antilaboral, anticonstitucional e antipatriótica, que são, ao fim e ao cabo, a imensa maioria dos portugueses.
Amanhã mesmo, milhares de jovens trabalhadores vindos de todo o País, desfilarão pelas ruas de Lisboa, ao apelo da CGTP-IN e da Interjovem, reivindicando os seus direitos, exigindo uma nova política.
E esta manifestação, que culmina um vasto conjunto de greves e outras acções de massas levadas a cabo, nas últimas semanas, de Norte a Sul do País, por trabalhadores dos sectores público e privado, será ponto de partida para novas lutas, para novas movimentações que certamente terão expressão massiva nas jornadas do 25 de Abril e do 1.º de Maio - também elas geradoras de incentivos e estímulos para o combate contra o PEC/OE, por uma ruptura com a política de direita e pela conquista de uma política de esquerda que ponha termo aos desmandos dos governos do grande capital e inicie a resolução dos muitos e graves problemas com que se defrontam os trabalhadores, o povo e o País.

Pelo seu lado, o PCP dará o seu contributo para o desenvolvimento, a ampliação e a intensificação da luta que a situação existente torna indispensável.
E que esse contributo assumirá expressões relevantes, mostra-o - para além das acções nacionais acima referidas - a forma como tem vindo a decorrer o vasto conjunto de iniciativas com as quais o colectivo partidário está a comemorar o 89º aniversário do Partido.
Em centenas de comícios, debates, almoços e jantares de confraternização, realizados em todo o País e nas emigrações – e dos quais se destacaram, no último fim-de-semana, os realizados em São João da Madeira, Marinha Grande e Beja, com a presença do Secretário-geral do Partido - milhares de militantes e simpatizantes comunistas, num ambiente de grande fraternidade e camaradagem, denotando enorme confiança e determinação, e confirmando uma singular disponibilidade militante, afirmam-se como dignos continuadores da acção militante de muitos outros milhares de camaradas que ao longo de quase nove décadas construíram este Partido e o colocaram ao serviço dos interesses da classe operária e dos restantes trabalhadores.
Tudo isto a evidenciar uma verdade incontestável: os trabalhadores e o povo podem contar com o PCP – hoje, como ao longo dos seus 89 anos de vida e de luta.


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