A direita obteve o seu pior resultado em 60 anos
Eleições regionais em França
A rejeição das políticas do capital
O partido do presidente Nicolas Sarkozy sofreu uma esmagadora derrota na segunda volta das eleições regionais em França, realizadas no domingo, apenas salvando a região da Alsácia no continente.
As listas da «União de Esquerda» tingiram de rosa o mapa da França, conquistando 23 das 26 regiões francesas, incluindo duas das quatro regiões ultramarinas. A direita da UMP (União para um Movimento Popular) reduzida à Alsácia no continente, a que somou a Ilha de Guadalupe e a polémica vitória na Reunião (ver abaixo). Profundamente atingido pelo voto de sanção do eleitorado, o partido do presidente Sarkozy registou o seu pior resultado desde o pós-guerra com um total de 36,1 por cento dos votos, largamente ultrapassado pelos 54,3 por cento da lista unida da esquerda. Em terceiro lugar, a extrema-direita da Frente Nacional faz a sua reaparição na cena política, obtendo 8,7 por cento dos votos e alcançando o seu melhor resultado na região de Provence-Alpes-Côte d'Azur (22,87%). De novo na primeira linha da ribalta política, os socialistas não escondem a sua satisfação com esta unidade da «esquerda». Martine Aubry, líder do PS, já se projecta na corrida presidencial que terá lugar em 2012. Entretanto, nas ruas, o movimento social intensifica-se contra as reformas destruidoras dos direitos laborais e dos serviços públicos. Uma sondagem publicada na segunda-feira, no Le Parisien, indica que uma maioria de franceses pretende uma mudança na governação. O próprio Der Spiegel escreve que, a nível internacional, estas eleições «estavam a ser cuidadosamente observadas porque podem decidir o futuro ritmo das reformas, e Sarkozy poderá agora deparar com uma resistência ainda mais tenaz aos seus planos para aumentar a idade da reforma». Para Sarkozy, o futuro anuncia-se sombrio. «Traição inesquecível» Mas se os socialistas devem em boa parte o seu sucesso eleitoral aos acordos feitos à esquerda em praticamente todas as regiões, quer com os verdes da Europe Ecologie quer com a Frente de Esquerda, onde se integram os comunistas franceses, este espírito «unitário» para «derrotar a direita» não se verificou na ilha da Reunião, onde a vitória da UMP se deveu por inteiro ao anticomunismo do PS. Na primeira volta, o Partido Comunista da Reunião foi a força mais votada obtendo 30,22 por cento dos votos, contra apenas 13,07 por cento obtidos pelos socialistas. Todavia, apesar dos esforços de Paul Vergès, fundador do PCR que dirigia a ilha desde 1988, a candidatura socialista manteve-se inamovível e insistiu em concorrer separadamente à segunda volta, fazendo o jogo da direita, que tinha recolhido 26,43 por cento dos votos no primeiro escrutínio. Com a «esquerda» dividida, a eleição triangular de domingo colocou em vantagem a direita que somou 45,46 por cento, contra 35,55 por cento do PCR e 19 por cento do PS. Paul Vergès não se enganou quando responsabilizou o PS pela vitória do UMP: «Nunca poderemos esquecer esta traição», declarou o líder dos comunistas na noite eleitoral. Por seu turno, o PS desculpou-se alegando que o presidente cessante tinha exigido «condições inaceitáveis» para a fusão das duas listas de esquerda. Sarkozy agradeceu este presente inesperado.


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