Editorial

«A luta será tanto mais forte quanto mais forte for o Partido»

DE LUTA O TEMPO QUE VIVEMOS

Como era previsível, a resolução de apoio ao PEC, proposta pelo PS na Assembleia da República, foi viabilizada pelo PSD.
Isto, não obstante as guerras do alecrim e da mangerona no decorrer das quais os candidatos a líderes desse partido – beneficiando do espaço e do tempo generosamente postos à sua disposição pelos média do grande capital - exibiram divergências inexistentes, representaram o papel de portadores de projectos diferentes, todos com os olhos postos na estafada alternância com a qual pretendem prosseguir a política de direita, agora ainda mais desacreditada com este PEC, fingindo que se trata de outra política.
Quanto ao outro partido da política de direita, o CDS/PP, deu-se ao luxo de, com um voto táctico, fingir que está contra aquilo que sempre tem vindo a defender – assim alimentando o populismo demagógico por detrás do qual tenta esconder o profundo reaccionarismo do seu discurso, da sua prática, do seu projecto.
Igualmente previsível era a satisfação com o PEC por parte dos grandes grupos económicos e financeiros: satisfação publicamente manifestada pelos seus representantes; satisfação sincera, na medida em que o PEC foi feito, em primeiro lugar e acima de tudo, para servir os interesses do grande capital, para lhe alargar o já largo caminho da exploração e do aumento dos seus já elevadíssimos lucros.
Sem surpresa, também, foi o apoio ao PEC manifestado pelo Presidente da República, conhecida que é a sua entranhada fidelidade à política de direita desde o tempo em que foi primeiro-ministro. Já o argumento da «defesa de Portugal» que utilizou para justificar este brutal ataque a parcelas importantes da soberania nacional, constitui uma «estranha forma de defender o País», como observou incisivamente o secretário-geral do PCP, demonstrando o carácter anticonstitucional do PEC e lembrando o juramento de cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa, prestado no acto de posse por todos os presidentes da República.

Enquanto os protagonistas da política de direita – que são os mesmos, recorde-se, há quase 34 anos – prosseguem nos seus esforços conjugados para, com este PEC e com o OE de que ele é complemento indissociável, darem um perigoso passo em frente na ofensiva contra os interesses e direitos da imensa maioria dos portugueses, os trabalhadores lutam – tendo a seu lado, como sempre, sejam quais forem as circunstâncias, o seu partido de classe.
No domingo, na Covilhã, no encerramento da campanha «lutar contra as injustiças, exigir uma vida melhor» - campanha que percorreu todo o território nacional, denunciando três dos problemas maiores com que a política de direita flagela os trabalhadores: o desemprego, a precariedade e os baixos salários - Jerónimo de Sousa salientou a necessidade imperiosa de a luta não apenas prosseguir mas ter de assumir nova dimensão e nova amplitude.
E a confirmar que isso é possível, aí estão as muitas e diversificadas lutas levadas a cabo nas últimas semanas em praticamente todos os sectores de actividade – enfermeiros, ferroviários, químicos, mineiros, metalúrgicos, função pública, estudantes, camponeses... – bem como a grandiosa manifestação do passado dia 26, em que milhares de jovens trabalhadores, vindos de todo o País, desfilaram nas ruas de Lisboa, numa das maiores manifestações dos últimos anos, reclamando estabilidade laboral, protestando contra o desemprego e os baixos salários, exigindo a ruptura e a mudança.
É de luta o tempo que vivemos: luta nas empresas, locais de trabalho e sectores; luta que nas próximas comemorações do 25 de Abril trará para rua o protesto contra a política de direita e a exigência de uma política de Abril; luta que fará do 1º de Maio – neste ano em que se assinala o 120º aniversário da primeira comemoração do Dia do Trabalhador em Portugal – um ponto de convergência de todos os protestos, reivindicações e exigências, e um ponto de partida para novas, maiores e mais fortes lutas.

Face a esta situação, o reforço do Partido coloca-se como questão crucial para o colectivo partidário comunista.
Se fosse necessário demonstrar o papel desempenhado pelo PCP no combate à política de direita e na luta por uma alternativa de esquerda – bem como a sua intervenção decisiva no desenvolvimento da necessária luta de massas – bastaria olhar para a acção do Partido nos últimos meses; para o seu estreito e intenso contacto com os trabalhadores e as populações, denunciando as causas dos problemas que afligem os trabalhadores e o povo; mostrando que há uma alternativa à política de direita; combatendo o conformismo e a resignação espalhados pela ofensiva ideológica do grande capital; incitando os trabalhadores à luta pelos seus direitos e interesses; demonstrando que com a luta – e só com a luta - é possível dar a volta a isto.
Ora, como a realidade mostra todos os dias, a luta será tanto mais forte quanto mais forte for o Partido e, na situação concreta actual, quanto maior for o empenhamento militante no desenvolvimento da acção «Avante! Por um PCP mais forte», trazendo ao Partido mais militantes e preparando-os política e ideologicamente; fortalecendo a militância; atribuindo maiores responsabilidades a novos quadros; fortalecendo a organização partidária nas empresas e locais de trabalho – e, com tudo isso, tornando cada vez mais forte e ampla a ligação do Partido às massas, caminho indispensável para o seu reforço orgânico, interventivo e ideológico e para o alargamento da sua influência social, política e eleitoral.


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