Editorial

«Na luta contra a política de direita são os trabalhadores que estão com a Constituição»

TRÊS TRAÇOS MARCANTES DA SITUAÇÃO ACTUAL

Tal como o PCP tem insistentemente sublinhado (e demonstrado), a política de direita com a qual, há mais de três décadas, PS, PSD e CDS/PP (sozinhos ou através de todos os ajuntamentos possíveis entre os três), têm vindo a flagelar os trabalhadores, o povo e o País, é a grande responsável pela grave situação existente.
Assim sendo, é óbvio que, também como o PCP não se cansa de alertar (e demonstrar), o prosseguimento dessa política não só não resolverá nenhum dos problemas por ela criados como os agravará a todos – e só uma ruptura com a política de direita e a implementação de uma política de esquerda torna possível enfrentar os problemas existentes e iniciar a sua resolução.
E essa ruptura coloca-se com tanto mais premência quanto são evidentes as intenções do Governo PS/José Sócrates – expressas no OE para este ano e no sinistro PEC que o complementa, agravando-o perigosamente.
Como os dados mostram, o agravamento da já grave situação económica e social constitui um dos três traços marcantes da realidade actual.
Com efeito, ao mesmo tempo que as perspectivas de um crescimento do PIB abaixo do que o Governo anunciou confirmam a acentuação da estagnação económica e da recessão, o encerramento e falência de empresas prossegue a um ritmo que pode dizer-se catastrófico, tudo isto gerando mais e mais graves problemas e dificuldades para a economia nacional cada vez mais submetida a uma sufocante dependência externa.
Na primeira linha dos que sofrem na pele as consequências desta devastadora política de classe estão os trabalhadores, os que produzem a riqueza nacional, alvos preferenciais dos sucessivos governos e governantes da política de direita – desde Mário Soares a José Sócrates passando por, entre outros, Cavaco Silva e Durão Barroso/Paulo Portas – todos eles funcionando como fiéis conselhos de administração dos interesses do grande capital explorador e opressor.

Segundo traço marcante da situação actual é o desenvolvimento crescente da luta de massas a que temos vindo a assistir e as potencialidades do seu alargamento e intensificação, questão crucial na resposta à dramática situação existente.
As lutas pelo emprego e pelos salários levadas a cabo nos últimos tempos tanto no sector público como no privado, sempre maiores e mais fortes, sempre mais participadas, sempre mais combativas, expressam claramente uma notável disponibilidade por parte das massas trabalhadoras.
Este facto é tanto mais relevante quanto, como é sabido, o sistema dominante recorre a todos os meios para manietar e calar os trabalhadores, para os impedir de, usando um direito que a Constituição da República Portuguesa lhes confere, lutarem pelos seus direitos e interesses, que são, aliás e como a história nos mostra, os verdadeiros interesses nacionais – porque são os que respondem aos anseios, às aspirações e aos direitos dos trabalhadores, do povo e do País.
À pregação da passividade, do conformismo, da sujeição às fatalidades e às inevitabilidades, com que os propagandistas/ideólogos do grande capital tentam evitar a luta de massas, os trabalhadores respondem com a firme determinação de quem não prescinde daquilo a que tem direito.
Às ameaças, chantagens e represálias do mais diverso tipo a que o grande patronato recorre – numa flagrante e ostensiva violação da Lei Fundamental do País e com a conivência e cumplicidade do Governo – os trabalhadores respondem com elevada consciência de classe e dão mais força à luta.
A confirmar que na luta contra a política de direita são os trabalhadores que estão com a Constituição e é o grande capital e os seus servos no Governo que agem à margem e em violação da Lei.

O terceiro traço marcante da situação diz respeito à actividade do colectivo partidário comunista: ao ambiente de confiança existente, à determinação com que enfrenta os problemas e os obstáculos levantados pela política do Governo e pelo silenciamento dos média dominantes, à disponibilidade militante que evidencia, à acção multifacetada que leva por diante.
Sublinhe-se a importância da realização de dezenas de assembleias das organizações, a todos os níveis, nas quais se procede ao balanço do trabalho desenvolvido; se registam e corrigem erros e deficiências; se definem, no âmbito da orientação geral do Partido, linhas de trabalho para o futuro imediato; se elegem os organismos que irão assegurar a direcção partidária que levará por diante a aplicação colectiva das orientações colectivamente definidas.
Tudo isto feito na base de uma ampla democracia interna – que é, ela própria, fonte da força essencial do Partido.
Tudo isto tendo sempre como referência a questão crucial que é o reforço da ligação do Partido às massas.
Um reforço que passa, designadamente: pela intensificação do trabalho junto das populações, ligando-se aos seus problemas e mobilizando-as para a luta na defesa dos seus interesses e direitos, postos em causa todos os dias pela política de direita; pelo desenvolvimento da acção junto da juventude trabalhadora e estudantil, de que o processo de preparação do IX Congresso da JCP é exemplo – um Congresso que, porque é dos jovens comunistas, diz respeito a todo o Partido; pelo reforço da ligação à classe operária e aos restantes trabalhadores, organizando-os para a luta nas empresas e locais de trabalho - com a consciência de que sendo ali que, todos os dias, a exploração se concretiza, é ali que nasce a luta de classes, e é ali e a partir dali que a luta nasce e cresce e sai para a rua quando as circunstâncias o exigem.


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