A justiça tinha proibido a CIA de destruir as imagens
CIA mandou destruir
Provas da tortura
O ex-chefe da Agência Central de Inteligência (CIA), Porter Goss, autorizou a destruição de centenas de registos de interrogatórios a suspeitos de terrorismo realizados num cárcere secreto que os EUA mantinham na Tailândia.
As cópias das mensagens de correio electrónico que o confirmam fazem parte de um conjunto de documentos divulgados pela União Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla inglesa) e encontram-se disponíveis online. De acordo com as informações reveladas a semana passada, no dia 10 de Novembro de 2005 foram enviados dois e-mails por um oficial da CIA, ainda não identificado, para o então número três da secreta norte-americana, Dusty Foggo (que actualmente se encontra a cumprir mais de três anos de prisão por recepção de subornos). Um dia antes do envio destas mensagens, os vídeos que provam as práticas de tortura foram destruídos por ordem de Jose Rodriguez, na altura o responsável pelas unidades clandestinas da Agência. A destruição das imagens representa, por si só, um crime, uma vez que a CIA havia sido instruída pela justiça, cerca de um ano antes, para preservar todas as provas que pudessem ser usadas no âmbito do processo judicial movido pela ACLU. Ora, num dos e-mails afirma-se claramente que Rodriguez e Goss acordaram a destruição das imagens, admitidas como material cuja difusão pública traria consequências devastadoras para a CIA. Esta preocupação sobrepunha-se à da identificação dos agentes envolvidos, como argumentam os implicados. Nos documentos, confirma-se igualmente que o então conselheiro da Casa Branca, Jay Bybee, estava ao corrente das «técnicas agressivas de interrogatório», como lhes chamava a administração Bush. Ao actual magistrado do nono círculo do Tribunal de Recurso dos EUA foi ainda garantido que a tortura não seria prolongada para o mesmo indivíduo, pelo que não deixaria danos perenes. Não obstante, um dos prisioneiros filmados, Abu Zubaydah, foi sujeito a 83 simulações de afogamento. Zubaydah foi também molestado com tortura do sono durante pelo menos dois dias com autorização superior, adiantam os textos, onde se defendia que, devido ao facto da prática não deixar mazelas físicas comprováveis, não poderiam ser movidas acções judiciais consistentes. O material agora tornado publico confirma ainda que foram dadas instruções para que os carrascos gravassem as sessões de tortura numa mesma cassete vídeo. O objectivo do uso do mesmo suporte era apagar repetidamente o registo da sessão anterior. Tortura exportada Mas os EUA não só exportaram a tortura do seu território para os cárceres secretos que mantinham em vários países do mundo, como permitiram a exportação para a Europa de instrumentos cujo fim é o de infligir dor aos prisioneiros, isto apesar da UE proibir o material em questão e em muitos dos 27 países-membros este ser mesmo classificado como arma letal. Segundo admitiu a Stinger Systems, empresa com sede na Florida, vários equipamentos «Band-It» foram enviados para a Europa. O «Band-It» coloca-se nas pernas e braços dos detidos e permite descarregar choques eléctricos até 50 mil volts. A exportação deste e de outro tipo de equipamentos cujo fim não é outro senão o de infligir dor e imobilizar os indivíduos, tal como as pistolas de choques eléctricos e similares, continuam a ser exportadas para o espaço europeu, mas com outros nomes e categorias contornando, formalmente, a sua proibição formal no Velho Continente.


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