«Só temos dois caminhos: lutar e lutar»
Encontro Regional de Lisboa da JCP
«Com a luta da juventude, afirmar Abril»
Sob o lema «Com a luta da juventude, afirmar Abril», realizou-se, sábado, no Clube Estefânia, o Encontro Regional de Lisboa da JCP. Uma grande iniciativa, integrada no 9.º Congresso dos jovens comunistas, onde se falou dos problemas do mundo do trabalho, do ensino e da vida.
Ao longo da tarde, foram feitas mais de 30 intervenções, dando conta das consequências da política de direita, praticada pelos sucessivos governos, nomeadamente do PS, sobre a vida da juventude do distrito de Lisboa e do País, assim como do aumento da luta em defesa dos seus direitos. Da Faculdade de Letras de Lisboa, por exemplo, veio a denúncia da implementação do Regime Geral de Avaliação, que obriga os estudantes a estarem presentes na totalidade das aulas, e do Processo de Bolonha, que visa aprofundar a elitização do ensino. «Face a isto só temos dois caminhos: lutar e lutar», disse Paulo Antunes. Rita Santos falou dos principais problemas do ensino básico e secundário, que vão desde o Estatuto do Aluno até à necessidade de implementação da Educação Sexual nas escolas. «Os estudantes lutam pelos seus direitos e, mais uma vez, são os comunistas que estão na vanguarda da luta», disse, salientando a necessidade de «ir às escolas onde ainda não fomos e criar colectivos onde não temos». Também nos cursos gerais e profissionalizantes existem problemas, com más instalações, falta de recursos materiais, um regime de faltas excessivamente rígido, estágios não remunerados, entre outros. Catarina Vieira, da Escola Profissional Agostinho Roseta, deu o exemplo do preço das refeições, que são de cinco euros, um valor que os «estudantes e as suas famílias não conseguem suportar». João Pinto falou do reforço da JCP e dos colectivos de base. «A verdadeira e apaixonante luta pelo Partido começa, cresce e desenvolve-se nos colectivos de base», acentuou. Por seu lado, Marta Matos, perante o cenário de aumento da precariedade e da instabilidade no trabalho, falou da necessidade de sindicalização dos trabalhadores. «Só com os sindicatos de classe, com a CGTP-IN, é possível contrariar os ataques ao trabalho e ao trabalho com direitos», afirmou, denunciando o papel divisionista da UGT. Mais adiante, David Pereira abordou a questão financeira, onde se torna «imperiosa» a recolha de quotas e «o cumprimento da campanha nacional de fundos que foi definida num total de 60 mil euros», a ser concretizada até ao Congresso da JCP. Isabel Barbosa, enfermeira, alertou para a sub-contratação de empresas a prestar serviços nos centros de saúde, para o aumento do desemprego e para a falta de condições materiais de trabalho, «o que afecta a prestação dos cuidados de enfermagem». Durante o Encontro abordou-se ainda a questão das más condições das residências das universidades, da redução da oferta e dos serviços prestados pelos transportes públicos e, entre muitos outros assuntos, do aumento de propinas. Foram ainda aprovadas, por unaimidade, duas moções sobre o 25 de Abril e a luta dos estudantes, e a proposta de Comissão Regional de Lisboa da JCP. A ofensiva é intensa Quase a encerrar, Hugo Garrido, da Direcção Nacional da JCP, fez o balanço do Encontro. «Só transformamos o que conhecemos, só conhecemos se estivermos lá, ouvindo e discutindo, aprendendo e esclarecendo», afirmou, referindo que os colectivos de base são uma «prioridade». «Colectivos de escola ou de local de trabalho onde se discutem os problemas concretos e sobre eles se intervém, responsabilizando os camaradas e envolvendo amigos, numa camaradagem, alegria e trabalho colectivo que o capital quer fazer crer que não é possível nos dias que correm. São os militantes a força, somos todos nós, a firmeza ideológica e política e o rosto da JCP; como tal, temos, todo o colectivo e individualmente, toda a responsabilidade de sermos melhores militantes, formação que se faz, sobretudo, diariamente na intervenção e na luta, mas também na leitura e na discussão da imprensa partidária, na participação em cursos de formação ideológica», disse Hugo Garrido, acrescentando que «todo o trabalho que está colocado é de grande responsabilidade e sem dúvida que é muito trabalho. Não temos ilusões de ser fácil a batalha que travamos, a ofensiva é muito intensa, somos ensinados, muito cedo, a adoptar os valores do capital, do salve-se quem puder, de participar só quando há proveito próprio, sempre pressionados pela compra de qualquer coisa.» «Desvirtua-se o que foram as conquistas do socialismo na União Soviética, com consequências em todo o mundo, no plano dos direitos dos trabalhadores e dos povos, e apresenta-se os comunistas e quem resiste como terroristas e antiquados», prosseguiu terminando: «É com o socialismo no horizonte que desenvolvemos o nosso trabalho diário, na construção do nosso Congresso, na luta do secundário, na venda do AGIT na cantina, na conversa no nosso local de trabalho. Trilhando este caminho, será possível que os sonhos e os direitos da juventude sejam cumpridos, fazendo desta força que somos um alento fundamental à construção da sociedade sem classes, sem explorados, de paz duradoura e solidariedade, liberdade e alegria, e, como diz o programa do nosso Partido, em que a acção colectiva e o valor do indivíduo serão componentes da felicidade humana.» Partido enraizado nas massas Armindo Miranda, da Comissão Política do PCP, encerrou os trabalhos, dando os «parabéns» aos jovens comunistas do distrito de Lisboa por aquele importante Encontro. Neste sentido, centrou a sua intervenção em três áreas: «a ligação do Partido às massas», «os colectivos de base» e «a luta dos estudantes e dos jovens trabalhadores». «A luta transforma e ajuda a elevar a consciência social e política. Esta é a base de partida para outras lutas, não apenas pelos problemas mais concretos, na escola ou na empresa, que temos pela frente para transformar a sociedade no nosso País», acentuou, alertando para a «perigosa ilusão» da «conversa do nosso inimigo de classe» de que «os problemas dos trabalhadores, dos jovens, das mulheres, dos reformados, se resolvem através das instituições». «Nós ganhamos o “jogo” na rua, na luta, ligando-nos às massas, no vosso caso concreto, aos jovens que estão nas escolas, nas universidade e nos locais de trabalho», acrescentou. Armindo Miranda falou ainda da importância das conquistas alcançadas com a Revolução de Abril e do papel dos comunistas em todo este processo. «O Partido estava profundamente enraizado nas massas, tinha um prestígio muito grande junto dos trabalhadores, dos intelectuais, dos estudantes, que responderam ao apelo dos comunistas e vieram para a rua, não ficaram à espera que se fizessem leis, e conquistaram, em apenas dois anos e meio, transformações muito grandes na nossa sociedade», sublinhou, dando como exemplo a Reforma Agrária: «Se os operários agrícolas do Alentejo e do Ribatejo estivessem à espera de uma lei para “ocupar” as terras que não eram cultivadas, ainda hoje estavam à espera que o mesmo acontecesse». «Luta sempre houve, desde que existe a exploração do homem pelo homem. O capitalismo não tem medo da luta, tem medo é da luta organizada», reforçou. O membro da Comissão Política do PCP falou ainda dos cerca de 700 mil desempregados que existem no nosso País, pessoas «que a única riqueza que têm é a sua força de trabalho e não podem sequer ter um salário para sobreviver». Sobre o problema do trabalho precário, Armindo Miranda frisou que «esta é uma chaga com consequências sociais muito grandes». «Dos dois milhões de portugueses que vivem hoje no limiar da pobreza, 700 mil são assalariados», lamentou, explicando que os portugueses «cumprem os seus deveres de cidadãos, produzem riqueza, trabalham, pagam os seus impostos, mas não lhes são retribuídos os seus direitos». «O que é então necessário para romper com esta situação», interrogou, dando a resposta: « Os povos têm que atirar esta sociedade para o caixote do lixo da história e naturalmente substituí-la por uma sociedade justa e solidária, que é o socialismo», frisou. Reforçar a Organização As linhas de trabalho delineadas no Encontro Regional passam pelo reforço da Organização e a intervenção da JCP, com mais militantes, mais colectivos e maior actividade junto da juventude, reforçando assim a luta. Segundo os jovens comunistas, torna-se ainda necessário um maior conhecimento sobre os problemas concretos de cada escola e local de trabalho, bem como de outros problemas que afectam a juventude, nomeadamente nas questões da habitação, ambiente, acesso à cultura e ao desporto, associativismo juvenil. Neste sentido propôs-se como linhas de trabalho prioritárias: • Reforçar o trabalho de recrutamento e enquadramento de novos militantes, cumprindo a meta de recrutamentos até ao Congresso e tomando medidas para o recrutamento depois do Congresso, criando novos colectivos; • Consolidar os colectivos existentes com maior distribuição de tarefas e maior capacidade de intervenção própria; • Discutir e aumentar a participação dos comunistas nos movimentos unitários – associações de estiudantes, núcleos, associações juvenis, desportivas, etc.; • Intensificar a recolha regular de fundos nos colectivos, nomeadamente através da recolha regular de quotas, realização de iniciativas e materiais próprios; • Intensificar a compra e a venda regular do AGIT, bem como da imprensa do Partido, o Avante! e o Militante; • Dinamizar boletins informativos de cada colectivo com uma periodicidade regular, que denunciem problemas concretos do espaço a que se destinam; • Intensificar o recrutamento de jovens comunistas para o PCP; • Dinamizar, em cada escola e local de trabalho, lutas e protestos pela resolução dos problemas imediatos que os jovens sintam; • Reafirmar o trabalho colectivo e o espírito de camaradagem, em contraponto com as imposições do sistema capitalista de promoção do individualismo e competitividade, com maior discussão e participação, assegurando a democracia interna que é característica da JCP.


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