Editorial

«O 25 de Abril e o 1º de Maio são, desde 1974, uma mesma etapa da mesma luta»

ABRIL, MAIO, A LUTA

Por todo o País, em milhares de iniciativas do mais diverso tipo – desfiles, debates, convívios, provas desportivas, espectáculos, almoços e jantares de confraternização, com destaque para as expressivas manifestações de Lisboa e do Porto – milhares e milhares de pessoas comemoraram o 36.º aniversário do 25 de Abril, dia memorável em que o Movimento das Forças Armadas derrubou o governo fascista de Marcelo Caetano e permitiu aos portugueses a conquista da liberdade, através do seu exercício.
Mas não foi apenas esse dia que foi lembrado nas comemorações do passado fim-de-semana.
Foram também os dias, as semanas, os meses que se lhe seguiram e no decorrer dos quais a aliança do movimento operário e popular com os militares revolucionários liquidou o regime fascista e deu início à construção da democracia de Abril, uma democracia económica, política, social, cultural, amplamente participada e, por tudo isso, a mais avançada, a mais progressista, a mais moderna de todas as democracias alguma vez existente em Portugal – e que, como tal, viria a ser consagrada na Constituição da República Portuguesa aprovada em 2 de Abril de 1976.
Na memória de muitos que, no fim-de-semana, vieram para a rua gritar «25 de Abril Sempre» estavam, por isso, os dias empolgantes do avanço para as nacionalizações, para a Reforma Agrária, para o controlo operário, conquistas maiores da revolução de Abril.
Na memória e no coração dos que viveram esse tempo ou que dele tiveram posterior conhecimento, estava a acção dos governos provisórios presididos por essa figura maior da Revolução de Abril que foi Vasco Gonçalves, o Companheiro Vasco - o primeiro (e, até agora, único) primeiro-ministro português que governou tendo sempre como preocupação prioritária a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Foi isso, então, foi a Revolução de Abril – o momento mais luminoso da história de Portugal – que milhares e milhares comemoraram nestes dias, afirmando que Abril está vivo, que o futuro de Portugal se situa nos seus ideais e valores e que é na luta por Abril de novo que está o caminho para derrotar a política da contra-revolução iniciada em 1976 pelo primeiro governo PS/Mário Soares e de então para cá praticada por sucessivos governos do PS e do PSD (de vez em quando com o CDS/PP atrelado) – esta política de direita que tem vindo a devastar a economia nacional, a independência e a soberania do País, as condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses, sempre no desrespeito e na violação da Lei Fundamental do País.
As intervenções de deputados do PSD e do CDS-PP, no dia 25, na Assembleia da República, constituíram nova declaração de guerra a Abril. Colocando a Constituição da República no banco dos réus, julgaram-na, acusaram-na de todas as malfeitorias que, à revelia dela, a política de direita tem vindo a praticar ao longo de mais de três décadas e anunciaram a intenção de lhe retirar tudo o que nela ainda resta de Abril.
E o silêncio do PS sobre tal intenção, designadamente sobre o golpe na parte económica da Constituição, parece indicar a disposição para, uma vez mais, integrar a manobra, à semelhança do que aconteceu no passado: sempre invocando o «argumento» de que a Constituição é um entrave à resolução dos graves problemas do País, procuram desviar a atenção das verdadeiras causas desses problemas e liquidar o instrumento que, de facto, os pode resolver.
É ainda na linha de ataque a Abril e de fuga descarada às responsabilidades que o Presidente da República critica a situação do País como se nada tivesse a ver com isso, e aponta, como solução, o caminho do Mar – um caminho cujo encerramento foi iniciado pelos governos PS e que ele prosseguiu nos dez anos em que foi primeiro-ministro, com a destruição da frota pesqueira, da indústria naval e da marinha mercante, a par da devastação que provocou em tudo o que respeitava a Abril.

No quadro em que ocorreram, as comemorações populares de Abril constituíram significativos momentos de luta, da luta necessária para a necessária ruptura com a política de direita e para a implementação de uma política de esquerda no espírito dos ideais e dos valores de Abril.
Uma luta que tem vindo a desenvolver-se e a intensificar-se nos últimos tempos – e de que são exemplo, entre outras, as várias acções dos trabalhadores da Administração Pública e as greves, altamente participadas, dos trabalhadores dos transportes - mas que é imperioso tornar mais ampla e mais forte nos tempos que aí vêm.
Uma luta que é necessário valorizar devidamente, sublinhando a importância dos êxitos alcançados num cenário de muitas dificuldades e obstáculos erguidos pelo grande capital, pelos seus serventuários no Governo e pelos seus propagandistas mercenários, amiúde no desprezo e na violação da Constituição da República.
A expressiva dimensão das comemorações populares de Abril é um claro sinal das perspectivas positivas que se abrem para as comemorações do Dia do Trabalhador, tanto mais quanto o 25 de Abril e o 1º de Maio são, desde 1974, uma mesma etapa da mesma luta.
O próximo 1º de Maio - que, tudo indica, vai ser, de Norte a Sul do País, uma grandiosa jornada de luta dos trabalhadores – será, ao mesmo tempo, ponto de partida para o desenvolvimento e intensificação da luta no futuro imediato.
E, porque é na luta das massas trabalhadoras que está o caminho essencial para derrotar a política direita, o reforço da organização e da intervenção do PCP nas empresas e locais de trabalho, apresenta-se como tarefa primordial para o colectivo partidário comunista.


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