«Os patrões aproveitam para aumentar a exploração»
1.º de Maio contra a crise
Trabalhadores rejeitam pagar a factura

Milhões de trabalhadores assinalaram o 1.º de Maio em todo o mundo com manifestações contra o pagamento da factura da crise, apresentada pela capital a quem produz e cria riqueza.

 

O destaque nas comemorações do Dia Internacional do Trabalhador vai, no actual contexto, para a Grécia, onde o povo empreende poderosas acções de massas rejeitando pagar a factura de uma situação para a qual em nada contribuiu.

Mas noutros países da Europa a crise capitalista e as suas consequências foram, igualmente, pano de fundo dos protestos. Em Espanha, milhares exigiram soluções para os 4,6 milhões de desempregados, ao passo que na Rússia mais de um milhão de pessoas em todo o território lembrou que «um povo sem trabalho é um país sem futuro».

Na Ucrânia, os trabalhadores mostraram que a crise tem solução: «O socialismo é o futuro», afirmaram; na Moldávia, apesar das tentativas de impedimento do governo, o Partido Comunista liderou a comemoração; e na Turquia, ao fim de 33 anos de violência, mais de 100 mil trabalhadores celebraram o seu dia na praça Taksim, onde, em 1977, a polícia matou 37 manifestantes.

Em França, cerca de 350 mil desfilaram nas principais cidades reivindicando salários e empregos e repudiando a alteração das reformas e pensões proposta por Sarkozy. Os militantes do PCP na emigração juntaram-se à manifestação em Paris, na qual uma faixa questionava: «pagaste a crise em 2009, estás disposto a pagá-la em 2010?».

Na Suíça, informações veiculadas por agências dão conta de mais de 300 detidos nos protestos contra o sistema bancário predador, bem como cargas policiais com canhões de água e gás lacrimogéneo em Zurique, Lausane e Basileia. Cenário idêntico em Hamburgo, na Alemanha. Ao contrário, em Berlim, o 1.º de Maio foi uma jornada de afirmação antifascista. Na Itália, as confederações sindicais reclamaram uma nova política solidária e inclusiva.

 

Unidos além fronteiras

 

Do outro lado do Atlântico, em 80 cidades norte-americanas, centenas de milhares de trabalhadores levaram para a rua a luta contra a criminalização dos imigrantes, a imediata retirada das tropas norte-americanas do Iraque e Afeganistão, a criação de postos de trabalho e a defesa do sistema educativo público, alvo, nas últimas semanas, de violentos cortes no financiamento deixando milhares de profissionais e alunos na corda bamba.

Na Colômbia, integraram os protestos centenas de milhares de trabalhadores em Bogotá e outras cidades, panorama idêntico ao sucedido nas maiores metrópoles do México, Paraguai, Chile, Costa Rica, Panamá, Guatemala ou Argentina, com os trabalhadores e a população laboriosa a exigirem aumentos das remunerações, reformas laborais favoráveis, reversão das privatizações e reintegração dos despedidos durante os processos de alienação de empresas públicas, ou a descida dos preços dos bens essenciais, em suma, propondo orientações que afrontam a investida patronal cujo objectivo é, à boleia da crise, aumentar a exploração, a extorsão da mais-valia e a reprodução e acumulação de capital, e converter serviços públicos essenciais em áreas de negócio.

Nas Honduras, sindicatos e organizações sociais exigiram o regresso à ordem constitucional e o fim da revanche neoliberal do governo golpista, e em El Salvador, pelo menos 75 mil salvadorenhos pediram a Mauricio Funes que cumpra com as prometidas mudanças.

Na Ásia, o 1.º de Maio centrou-se, também, nas consequências da crise e na rejeição do pagamento dos seus custos por parte dos trabalhadores. Nas maiores cidades do Paquistão, por exemplo, partidos e sindicatos criticaram o executivo denunciando que este não responde aos necessários aumentos salariais e, pelo contrário, permite subidas nos combustíveis, títulos de transporte e géneros alimentares.

Na Indonésia, uma multidão exigiu em Jacarta a elevação das remunerações e o alargamento do sistema de protecção social. A vaga repressiva que se fez sentir transformou o protesto numa acção contra a opressão policial.

No Nepal, à crise económica acresce a crise política. O Partido Comunista do Nepal paralisou as principais cidades desafiando o primeiro-ministro, Madhav Kumar, o qual, acusam, é um balão insuflado pelo aliado governo da Índia, também ele acossado por gigantesca movimentações de trabalhadores e agricultores empobrecidos em resultado da política antipopular ao serviço da grande burguesia.



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