Editorial

«Como sempre, o colectivo partidário comunista ocupará a primeira fila da luta»

É HORA DE AGIR E DIZER BASTA!

«O futuro do País está a ser comprometido. A pretexto da crise e do défice das contas públicas, o grande capital procura liquidar direitos históricos que levaram anos a conquistar, ataca as condições de vida dos trabalhadores e do povo, empurra o País para o declínio, atinge os direitos democráticos e compromete a soberania nacional»: assim abre o Comunicado do Comité Central do PCP, aprovado na reunião realizada na passada segunda-feira.

O CC alerta para o facto de estarmos perante um perigoso salto qualitativo na ofensiva em curso na qual, ao roubo nos salários e pensões, se juntam o aumento do preço de todos os bens e serviços, incluindo os essenciais, e o ataque aos direitos dos trabalhadores – tudo isto gerando uma situação dramática para os trabalhadores, o povo e o País.

Na origem remota desta situação está a política de direita, praticada há 34 anos pelo PS/PSD, mais o CDS-PP - uma política de desastre nacional que, constituindo uma verdadeira cruzada antipopular, antidemocrática e antipatriótica, tem vindo a afundar o País.

Na origem próxima está o conjunto de medidas que, a partir de um OE de miséria, logo complementado por um PEC de desgraça, desemboca, agora, na tragédia nas «medidas adicionais» com a brutal vaga de assalto a direitos e condições de vida dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas, dos jovens, enfim da imensa maioria dos portugueses.

Trata-se de uma autêntica operação de pilhagem, com a qual o governo bicéfalo PS/Sócrates e PSD/Passos Coelho, invocando falsamente «o interesse nacional», cumpre a sua missão de servir fielmente os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros e as ordens emanadas do directório das grandes potências da União Europeia – assim aprofundando a exploração e as injustiças sociais e vibrando todos os dias golpes demolidores na soberania e na independência nacional.


O Governo PS e o PSD apregoam todos os dias que os «sacrifícios impostos pela crise» são para todos. É mentira, como ambos muito bem sabem e a realidade evidencia todos os dias: aos trabalhadores e ao povo são impostos, todos os dias, pesados e brutais sacrifícios; aos grandes grupos económicos e financeiros são prodigalizadas, todos os dias, as mais generosas benesses.

É do conhecimento público que os cinco maiores bancos nacionais arrecadam de lucros, todos os dias, 5,5 milhões de euros – e que, no final de 2008, se encontravam mais de 16 mil milhões de euros de capital português em off-shores.

E o Comunicado do CC sublinha que, nos últimos seis anos, os principais grupos económicos e financeiros obtiveram lucros superiores a 32 mil milhões de euros.

Na outra face da moeda, na face negra, estão os trabalhadores com os seus salários reduzidos e a exploração a acentuar-se, o desemprego a aumentar substancialmente, o emprego precário a generalizar-se e, em consequência de tudo isso, as condições de vida em acelerado processo de degradação com a pobreza e a miséria a atormentarem um número crescente de famílias.

Acresce que o essencial das medidas tomadas ou anunciadas para «responder à crise», em nada visam responder à situação real do País e em tudo visam prosseguir e aprofundar os males existentes.

O plano de privatizações de empresas estratégicas que os partidos da política de direita têm em mente – CTT, CGD, TAP, ANA, REN, CP - é bem o exemplo da intenção de prosseguir a política de delapidação do Estado em benefício dos mesmos de sempre: os grande grupos económicos e financeiros, e em prejuízo dos mesmos de sempre: os trabalhadores, o povo e o País.

A esta política de injustiças sociais e de desastre nacional é urgente dizer Basta!


«A gravidade da ofensiva que está em curso reclama uma resposta enérgica e combativa de todos os que se sentem atingidos por esta política. Indignação, protesto e luta – eis a resposta necessária e patriótica perante o caminho que PS, PSD e CDS e os grupos económicos e financeiros querem impor»: apelando assim à luta da classe operária e de todos os trabalhadores, e das camadas não monopolistas, o PCP reafirmou a determinação de intensificar a sua acção e a sua intervenção política, garantindo fazer tudo o que estiver ao seu alcance para combater e derrotar a política de direita.

É hora de agir – e, assim sendo, o colectivo partidário comunista ocupará a primeira fila da luta em todo o lado onde ela deve ser levada à prática: nas empresas e locais de trabalho, nos locais de residência, na Assembleia da República e no Parlamento Europeu, no Poder Regional e Local – quer na intervenção de iniciativa partidária, quer na intervenção de dinamização da luta dos trabalhadores a partir das suas estruturas de classe.

No primeiro caso, estão a acção nacional marcada para hoje; o desfile «Avante! Pelos direitos da Juventude», promovido pela JCP, no dia 22; as iniciativas no âmbito da Campanha Nacional «500 acções contra o PEC» - acções que englobam e são complementadas pela agora anunciada apresentação pelo Grupo Parlamentar do PCP de uma moção de censura ao Governo, à política de direita, ao PS e ao PSD – uma censura que é a afirmação de exigência de um país mais desenvolvido e mais justo, de um Portugal com futuro.

No segundo caso, está o contributo indispensável dado pelos militantes comunistas visando a intensificação e o alargamento da luta de massas e o êxito da grande manifestação nacional convocada pela CGTP-IN para o próximo dia 29, em Lisboa.

É hora de agir. É hora de dizer basta.

Vamos a isso.


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