Faz falta uma resposta forte à ofensiva do capital
Unidade na acção é prioritária
Mobilizar até sábado

Além das centenas de autocarros já fretados e lotados, nas estruturas distritais e sectoriais, a CGTP-IN realça que «há um potencial significativo para ampliar ainda mais a participação» na manifestação nacional de dia 29.

A observação foi feita anteontem à tarde ao Avante! por Arménio Carlos. Antecipando que esta «vai ser uma das grandes jornadas de luta dos últimos anos», este membro da Comissão Executiva da Intersindical Nacional fundamentou a confiança no número elevado de trabalhadores que têm participado nos plenários e reuniões sindicais, nas últimas duas ou três semanas. Assinalou igualmente «a indignação que não pára de crescer» e o «grande apoio às reivindicações e propostas da CGTP-IN».

Mas, até sábado à tarde, «há que recrudescer a mobilização dos trabalhadores e de outras camadas da população que se sentem enganadas e injustiçadas» pelo Governo e pela sua política. «Vamos priorizar a unidade na acção, para que se juntem a todos os que, no dia 29, vamos exigir uma mudança de rumo e uma nova política, que coloque os trabalhadores e a maioria dos portugueses como prioridade da governação», disse Arménio Carlos.

A mais de uma semana da manifestação nacional, a União dos Sindicatos de Castelo Branco revelou que a participação distrital vai ultrapassar o nível de jornadas semelhantes noutros anos. A informação foi avançada no dia 18, quando foi divulgado o plano das iniciativas, no distrito, em que anteontem iria intervir o secretário-geral da Inter, Carvalho da Silva.

Anunciada nas comemorações do 1.º de Maio, sob a palavra de ordem «Novo rumo, com a luta de quem trabalha», a manifestação nacional pretende dar expressão à exigência de políticas de combate efectivo ao desemprego e de criação de emprego com direitos, reclamando melhores salários. A CGTP insiste que não podem ser os trabalhadores e a generalidade da população a pagar os custos da crise com que uns poucos lucraram, como se refere na primeira tarjeta, que criticava severamente as medidas anunciadas pelo Governo no âmbito do PEC.

Num segundo folheto, editado mais recentemente, a central rejeita o novo pacote de «austeridade». «O acordo do Governo PS com o PSD “para acalmar os mercados” protege o capital e penaliza trabalhadores, pensionistas e desempregados», pelo que «é injusto e inaceitável». A CGTP-IN recusa a redução dos salários e o agravamento dos impostos e não embarca na manobra de diminuição da remuneração de gestores e políticos, sugerindo que estes troquem com os trabalhadores: «Vivam eles com os nossos rendimentos, e nós com os deles». Lembrando os milhares de milhões de euros que não são sujeitos a tributação - por estarem colocados em off-shores, por pertencerem a sociedades SGPS e a fundos de investimento ou por circularem na economia paralela -, a Inter defende que «é preciso ir buscar dinheiro a quem o tem».

Os sindicatos da Função Pública persistem em denunciar a crise e o défice como argumentos cíclicos para novos ataques aos trabalhadores e, em simultâneo, para uma política de destruição do Estado e dos serviços públicos, favorecendo privatizações e interesses dos grupos económicos. Quanto ao mais recente acordo de Sócrates e Passos Coelho, um folheto do STFPSA alerta que «o roubo aos trabalhadores não fica por aqui» e aponta os falados cortes nos subsídios de férias e de Natal como reveladores de «uma intenção clara de ir outra vez ao bolso de quem trabalha».

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses considera o combate ao PEC como uma luta destes profissionais e, a par das reivindicações que os têm mobilizado nos anos mais recentes, pela valorização da profissão, por uma carreira justa e por contratos de trabalho dignos, refere os perigos que ameaçam todos os trabalhadores.

A Fenprof apela a que os professores venham a Lisboa, exigir que os compromissos sejam respeitados e que outra política seja decidida para a educação e para o País.

O comércio, escritórios e serviços - um dos sectores onde os sindicatos da CGTP-IN apresentaram pré-aviso de greve, de modo a permitir que as trabalhadoras e os trabalhadores possam faltar ao trabalho para estar na manifestação - lembra a rapidez com que, a um Orçamento do Estado que já era mau (não actualizava os escalões do IRS e incluía já o congelamento de salários na Administração Pública, incentivando igual medida no sector privado) se seguiram o «PEC1» e o novo «pacote».

Para a célula do PCP no Grupo Barraqueiro, «o País não está em crise, está a ser saqueado». «Só a luta os pode parar», apela a célula comunista na TAP e SPdH. No folheto «Não ao roubo dos salários», que contém o apelo central do Partido à mobilização para dia 29, o PS e o PSD são apontados como responsáveis por «uma política de desastre, que põe o País em perigo», recordando que o capitalismo significa «mais exploração e mais injustiças».

 

Uma tarde para todas as lutas

A grande manifestação nacional de 29 de Maio, em Lisboa, está marcada para partir às 15 horas, da Praça do Marquês de Pombal para os Restauradores.

Os trabalhadores dos diversos sectores da Administração Pública vão concentrar-se, meia hora antes, nas proximidades das Amoreiras (ao longo da Rua Joaquim António de Aguiar, desde a esquina com a Rua de Artilharia Um).

Na mesma altura, quem trabalha nas empresas incluídas no sector privado reúne-se na zona das Picoas, perto da Maternidade Alfredo da Costa.

Antes de se juntarem aos demais trabalhadores da Administração Pública, os professores vão realizar um protesto junto ao Ministério da Educação, cerca das 14 horas.



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