Aconteu
José Freitas<br> um nadador que fez história

José Freitas foi um dos maiores nomes da natação portuguesa, no tempo em que não havia piscinas e o Tejo era o palco das competições. Contemporâneo de Batista Pereira, celebrizou-se ao bater vários recordes do mais destacado nadador de fundo português. Um deles foi a travessia do Estreito de Gibraltar, realizada em 19 de Setembro de 1962, no tempo de 3h4m15s, que permaneceu insuperável até 2005 (www.acneg.com).

Começou na Doca do Jardim do Tabaco, no Adicense de Alfama, mas foi ao serviço de «O Belenenses» que atingiu o cume como atleta e se iniciou como técnico. É já nessa qualidade que abraça, em 1968, a natação da SFUAP (Sociedade Filarmónica União Artística Piedense), projectando a colectividade para um lugar cimeiro no ensino de massas da modalidade e da alta competição.

Nas suas Memórias publicadas pela SFUAP com o apoio da autarquia almadense, José Freitas contrapõe os tempos sombrios do fascismo, quando as colectividades eram desprezadas e perseguidas, à liberdade conquistada em Abril, quando se abriram possibilidades inauditas à prática desportiva, como elemento indissociável da nova sociedade por que sempre lutou.


França homenageia<br> Aristides Mendes

O cônsul português Aristides de Sousa Mendes, que em Junho de 1940 concedeu cerca de 30 mil vistos em Bordéus, foi homenageado esta semana em França com várias iniciativas que assinalam o 70.º aniversário do seu corajoso acto.

O diplomata desobedeceu às ordens expressas de Salazar para salvar milhares de pessoas em fuga, incluindo cerca de 10 mil judeus que tentavam sair do território francês na semana em que o marechal Pétain assinava o armistício com a Alemanha nazi.


Ex-ministro do Papa <br> investigado por corrupção

A procuradoria de Perugia decidiu investigar o cardeal Crescenzio Sepe, arcebispo de Nápoles e antigo ministro do Vaticano, por corrupção agravada, com base em fortes indícios que implicam o prelado numa obscura teia de troca de favores com empresários e políticos italianos.

A acusação alega que Sepe vendeu de forma ilícita vários imóveis em 2005, quando era o responsável pela Congregação para a Evangelização dos Povos, instituição do Vaticano que administra o parque imobiliário da Santa Sé.

A justiça interessou-se, entre outros, pela venda de um palácio em Roma de 960 metros quadrados ao ex-ministro dos Transportes de Berlusconi, Pietro Lunardi, por apenas 4.1 milhões de euros, valor muito abaixo da cotação do mercado.

Entretanto, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, afirmando desejar que «tudo seja esclarecido completa e rapidamente», assinalou que a colaboração com a justiça se fará «dentro dos limites juridiscionais estabelecidos na concordata» com o Estado italiano.


OIT aprova norma <br>sobre VIH/sida e o trabalho

A 99.ª Conferência Internacional do Trabalho aprovou, dia 17 de Junho de 2010, a primeira norma internacional dos direitos humanos consagrada ao VIH/sida e o mundo do trabalho.

A «Recomendação 200» contém disposições relativas a programas de prevenção e medidas de não discriminação aplicáveis a nível nacional e a nível das empresas, ao tratamento e apoio no combate ao VIH/sida.

Entre outros, a OIT estipula que «nenhum trabalhador deverá ser obrigado a efectuar um teste de rastreio ou revelar que é portador da doença», definindo como objectivo a integração dos seropositivos no seu local de trabalho, bem como o combate a práticas discriminatórias no acesso ao emprego.

A decisão obriga os parlamentos dos 178 estados membros, os respectivos governos, representantes dos sindicatos e do patronato a propor medidas concretas para a salvaguarda dos direitos dos doentes com Sida.


Cameron pede perdão<br>por <i>«bloody sunday»</i>

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, qualificou, na semana passada, de «injustificável» o massacre dos manifestantes pelo exército britânico, em 30 Janeiro de 1972, em Londonderry, Irlanda do Norte, data que ficou para a histórica como o «domingo sangrento» («bloody sunday»).

Perante a câmara dos comuns, Cameron pediu perdão em nome do governo britânico, durante a sessão em que foram apresentadas as conclusões de um inquérito dirigido por Lord Saville.

O relatório, que foi divulgado 12 anos após ter sido aberto por Tony Blair, então primeiro-ministro, indica que todos os manifestantes barbaramente abatidos, 14 mortos e 15 feridos, eram inocentes, estavam desarmados e que os soldados dispararam sem aviso prévio, atingindo pessoas em fuga e outras que socorriam os caídos.

O reconhecimento da culpa foi assinalado nas ruas de Londonderry por milhares de norte-irlandeses que há muito exigiam o esclarecimento da verdade.



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