As medidas do PEC são falsas soluções para a crise
Milhares nas ruas no dia de luta
Mais protesto

Muitos milhares de pessoas participaram nas dezenas de acções que deram expressão ao «dia nacional de protesto e luta», promovido pela CGTP-IN e que foi mais um passo no incontornável caminho da intensificação da resistência contra a política de direita e por uma mudança de rumo na governação do País.

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Foi evidente, logo nas primeiras manifestações de dia 8 de Julho, como as que ocorreram de manhã em Setúbal e Viana do Castelo, o bom nível de resposta de trabalhadoras e trabalhadores, mas também de outros estratos, ao apelo da CGTP-IN, no sentido de dar seguimento à grande manifestação nacional de 29 de Maio, alargar o descontentamento e reforçar a unidade e a luta (em especial contra o PEC e seus sucedâneos, aprovados pelo Governo do PS com o apoio do patronato e do PSD).

Em vários sectores e empresas foram apresentados pré-avisos de greve, para permitir que os trabalhadores se integrassem nas concentrações distritais. Estas, em Braga e Lisboa, foram antecedidas por acções sectoriais, junto de empresas, associações patronais ou organismos estatais. Castelo Branco foi o único distrito onde o protesto foi centrado fora da capital (na Covilhã). Em Santarém houve uma acção de trabalhadores das Águas, junto à Câmara Municipal, e foram organizadas iniciativas em Tomar e no Entroncamento. Em todas as restantes capitais de distrito, e também das regiões autónomas, tiveram lugar concentrações e manifestações que reuniram trabalhadores da Administração Pública (com destaque para o pessoal das autarquias locais, da Função Pública, professores e enfermeiros) e do sector privado (particularmente, de empresas onde já decorrem processos de luta por motivos específicos, como a defesa dos postos de trabalho, a garantia de direitos e da liberdade sindical, ou melhorias salariais).

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As dificuldades que justificam o desenvolvimento da luta dos trabalhadores - como os baixos valores dos salários e pensões, ainda mais reduzidos com o aumento dos impostos, desde dia 1; o desemprego, ainda maior entre os jovens; os cortes nos apoios sociais; as ameaças de chefes e patrões; ou a importância de um dia descontado na remuneração mensal - são também obstáculos objectivos que é preciso vencer em cada momento de luta. A elas juntaram-se as elevadas temperaturas registadas em todo o País na passada quinta-feira. Mais valor tem, assim, a decisão de trazer o protesto para as ruas, tomada por milhares de trabalhadores, como enfatizou Carvalho da Silva, na intervenção junto à residência oficial do primeiro-ministro, onde terminou a manifestação de Lisboa.

A CGTP-IN considera o PEC e as medidas que dele decorrem como «falsas soluções para a crise» e exige a sua revogação. Lembra que a crise «tem causas e responsáveis» e considera «justa a indignação e o protesto dos trabalhadores e das trabalhadoras, que não pára de aumentar» - como se refere no texto comum das resoluções aprovadas nas manifestações distritais.

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Para continuar

 No documento, que sintetiza os objectivos da jornada de 8 de Julho, a CGTP-IN declara o compromisso de «continuar e ampliar a luta laboral e social, por um novo rumo para Portugal», de «tudo fazer para transformar o enorme descontentamento existente num protesto sem tréguas, pela defesa dos direitos e da dignidade de quem trabalha, pelo direito da juventude a um futuro digno», e de «esclarecer, mobilizar e unir homens e mulheres, jovens e reformados, para aumentar a capacidade reivindicativa contra a violência das medidas que estão a ser adoptadas». «Mesmo em tempo de férias», o movimento sindical unitário vai manter-se «em alerta geral contra qualquer tentativa que o Governo, partidos de direita ou patronato venham a desencadear nas costas dos trabalhadores».

Durante Julho e Agosto, vai decorrer uma campanha nacional de informação e sensibilização da opinião pública. Os milhares de participantes nas acções de 8 de Julho anteciparam ainda o seu apoio activo às formas de luta que o Conselho Nacional da CGTP-IN iria anteontem analisar.


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