Grupo radical sunita Jundullah recebe apoio da CIA
Atentados terroristas
Irão responsabiliza os EUA

O Irão voltou a apelar esta semana aos EUA e países europeus para que deixem de apoiar o terrorismo e de abrigar terroristas, prática contrária aos princípios que apregoam.

A mensagem, divulgada esta terça-feira, 20, através do porta-voz do Ministério iraniano dos negócios Estrangeiros, Ramin Mehmanparast, surge depois de o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ter acusado os Estados Unidos de estarem por trás do duplo atentado da semana passada junto à grande mesquita de Zahedán, capital da província de Sistán-Baluchestán, que faz fronteira com o Paquistão e o Afeganistão.

Os atentados, recorda-se, fizeram pelo menos 27 mortos e 270 feridos, segundo os dados oficiais.

O presidente Ahmadinejad, o líder supremo do Irão, ayatolah Ali Khamenei, e o presidente do parlamento, Ali Larijani, acusam os Estados Unidos, Israel, Reino Unido e Paquistão de terem promovido e apoiado o ataque à mesquita, tendo em conta as suas ligações de longa data com o grupo radical sunita Jundullah (Soldados de Deus), que reivindicou os atentados.  

Criado em 2002, o Jundullah é uma das milícias mais activas que operam a partir do Paquistão para desestabilizar o Irão; embora a Casa Branca negue qualquer ligação ao grupo, o facto é que Abdolmalek Rigi – líder do Jundullah executado em Junho passado – confessou ter recebido financiamento dos EUA e manter contactos com oficiais da NATO no Afeganistão e agências de informação estrangeiras, como a CIA e a Mossad (israelita). Rigi foi capturado pelas autoridades iranianas em Fevereiro, após se ter encontrado no Dubai com agentes da CIA, sendo depois julgado e condenado à morte pelo seu envolvimento no sangrento atentado de Novembro de 2009 que matou dezenas de pessoas.

Segundo um comunicado colocado no sítio do grupo na Internet, o ataque à mesquita de Zahedán, na passada quinta-feira, foi uma resposta à execução de Rigi e teria como alvo os Guardas da Revolução.

Negociações com o Paquistão

O porta-voz do Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, que considera a «República Islâmica a »maior vítima do terrorismo», afirma que é tempo de levar a cabo um «trabalho sério» para erradicar esse flagelo e o extremismo, sendo por isso mesmo que estão em curso conversações com o Paquistão.

Recordando que Teerão tem exortado repetidamente Islamabad a tomar medidas para acabar com os grupos extremistas que operam a partir do seu território, Ramin Mehmanparast sublinhou o facto de a condenação internacional dos actos terroristas ser inconsequente quando os que se auto-proclamam defensores dos direitos humanos nada fazem para combater o flagelo.
O ministro da Defesa iraniano, Ahmad Vahidi, anunciou entretanto que a partir de meados de Agosto a Armada do Irão passará a contar com submarinos integralmente fabricados no país, e que continua em vigor o acordo celebrado em 2005 com a Rússia para o fornecimento de sistema de defesa áereo S-300.



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