• Manuela Bernardino

A dívida da banca, nacionalizada, transformou-se em dívida pública
A crise do capitalismo e a luta dos trabalhadores

Desde que estalou a mais recente crise da crise sistémica do capitalismo,  os trabalhadores e os povos estão confrontados com gravíssimos problemas que tocam profundamente com as suas próprias condições de vida, com direitos universais tenazmente alcançados, e cujos desenvolvimentos em curso conduzirão a um acelerado agravamento da precária e instável situação que defrontam.

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É nesse sentido que apontam as medidas até agora tomadas e toda a argumentação ideológica com que procuram explicar a crise. Fugindo às causas que lhe deram origem – crise de sobreprodução –, que encerram no seu cerne as insanáveis contradições do próprio sistema, os governos – de direita ou da social-democracia – prontificaram-se e apressaram-se a salvar as falências bancárias. Não evitando que tal ajuda impedisse que a derrocada financeira se estendesse rapidamente ao sector produtivo, com graves consequências para os trabalhadores e também para os próprios estados que, ao nacionalizarem os prejuízos dos bancos falidos, transformaram a dívida privada em dívida pública. A «crise dos deficits públicos» é hoje o aspecto mais visível da crise e que serve ao grande capital para justificar e intensificar a exploração dos trabalhadores.

A agudização da luta de classes e a ofensiva mediática e ideológica visando a contenção da luta social, o ataque a liberdades e a perseguição às forças políticas e sociais mais consequentes são hoje uma realidade no plano mundial. Contudo, a complexidade da situação, e os contínuos e iludíveis apelos «à repartição de sacrifícios», pode atrasar o desenvolvimento das condições subjectivas para fazer avançar a luta ao nível das exigências da situação concreta que vivemos.

A extensão e profundidade da ofensiva é tremenda. Atinge o direito ao emprego (desemprego estrutural, massivo e prolongado é a maior chaga do nosso tempo), os salários, o horário de trabalho, o sistema de segurança social, em que a idade da reforma é um elemento central. São revistas formas de organizar o trabalho (flexigurança) e o estatuto laboral (tendência para acabar com os contratos colectivos). A exploração atinge ritmos e formas novas.

Ajudar a compreender as causas, a natureza e as consequências desta ofensiva é tarefa urgente sem a qual o protesto, a organização e a unidade para a luta não atingirão as mais amplas massas, com prejuízo para a sua consciencialização e intervenção. Tanto mais necessárias quanto esta ofensiva é acompanhada pelo recrudescimento da agressividade do imperialismo.

 Cresce a resistência

Na Europa, onde a luta social teve um importante impulso nos últimos meses face ao(s) PEC(s), com grandiosas e combativas acções de massas em praticamente todos os países, deve destacar-se a contínua acção grevista na Grécia, onde o acordo tripartido – UE/FMI/Pasok – impôs medidas draconianas na base de inaceitáveis ingerências que deitam por terra o tão propalado discurso da «solidariedade» e da «coesão social» da UE; a greve de meio milhão de funcionários públicos na Grã-Bretanha, o que não sucedia há mais de 20 anos; a manifestação de 300 mil trabalhadores em Roma; as dezenas de concentrações e desfiles em várias cidades de França contra a destruição dos serviços públicos; a luta dos trabalhadores na Roménia, na Bélgica, em Espanha, onde se prepara uma greve geral para o mês de Setembro, etc.

Merecem ainda particular destaque as lutas da classe operária na indústria automóvel (Alemanha e Espanha), dos agricultores, dos imigrantes, dos trabalhadores do sector da saúde, da aviação civil, dos correios e ferroviários em vários países, articulando acções grevistas com concentrações, protestos e manifestações de rua, por vezes convergindo nessas acções de massas  camadas muito diversas contra as privatizações, em defesa dos serviços públicos. Também noutros continentes têm ocorrido greves nacionais de vários sectores, destacando-se a luta com recurso à greve da fome de 900 trabalhadores da indústria petrolífera na Argélia e a luta de camponeses na Argentina, Colômbia, Egipto, Libéria, Peru e Paraguai.

No nosso País, os trabalhadores já deram provas de determinação para pequenas e grandes lutas por objectivos diversificados. O desenvolvimento da luta de massas será indispensável para consolidar o caminho para a ruptura com a política de direita e para a mudança de que o País precisa.

Com mais esta crise e as medidas que adoptou – que só a agravaram - , o capitalismo já provou os seus próprios limites que resultam das contradições com que se debate. E que só serão resolvidas com a superação revolucionária deste sistema injusto, explorador e opressor.


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