«As manobras pretendem sufocar a RPD da Coreia pela força das armas»
RPD da Coreia condena exercícios militares dos EUA e da Coreia do Sul
«Jogos de guerra» são ameaça à paz

A República Popular Democrática da Coreia (RPDC) qualifica de «imprudentes» as acções militares conjuntas dos EUA e da Coreia do Sul e lembra que as manobras surgem após ambos os países terem usado o caso Cheonan para «investirem freneticamente» contra a Coreia do Norte.

Num comunicado oficial emitido sábado, 24, disponível em www.solidnet.org, o Comité Nacional de Defesa da RPDC considerou que os «jogos de guerra» agendados de 25 a 28 de Julho e de 16 a 26 de Agosto nos mares da Coreia, e entre o fim de Agosto e o início de Setembro noutras áreas da península, «não são mais do que provocações com o objectivo de sufocar a RPD da Coreia pela força das armas».

«Se a publicação dos resultados da investigação ao caso Cheonan – falsificados pelos imperialistas norte-americanos para instigar as suas forças fantoche [sul-coreanas] – foram o primeiro passo, as manobras navais conjuntas envolvendo meios nucleares representam uma imperdoável escalada da provocação militar», prossegue o documento.

Neste contexto, e tendo em conta que «os EUA e as forças fantoche da Coreia do Sul ameaçam a nossa terra com uma guerra nuclear a pretexto do caso Cheonan», a RPDC e o seu povo consideram legítimas quaisquer acções de retaliação, tanto mais que, recorda-se no texto, «os imperialistas norte-americanos persistem nas provocações militares directas violando gravemente o espírito da declaração conjunta de 19 de Setembro, na qual se comprometiam a não atacar ou invadir a Coreia do Norte com armas nucleares ou convencionais».

«Quanto mais desesperadamente os imperialistas norte-americanos agitarem as suas armas nucleares e mais zelosamente os seus lacaios os seguirem, mais rapidamente a dissuasão nuclear da RPD da Coreia será reforçada na órbita da auto-defesa e mais remotas serão as esperanças de desnuclearização da península coreana», nota ainda o comunicado.

É igualmente «um direito legítimo e soberano proteger a honra e a dignidade da RPDC» exigindo o cabal apuramento da «desprezível charada fabricada» em torno do caso Cheonan, conclui o Comité de Defesa norte-coreano.

Provocação em curso

Entretanto, os EUA e a Coreia do Sul prosseguem as manobras militares envolvendo oito mil soldados norte-americanos e sul-coreanos, bem como cerca de 20 navios e submarinos, 200 aviões de combate e o porta-aviões George Washington. Os exercícios, transferidos para o Mar do Japão depois da China ter avisado que não toleraria este tipo de actividade nas proximidades das suas fronteiras, ocorrem, no entanto, a escassos quilómetros da RPDC. A Coreia do Norte e do Sul permanecem, tecnicamente, em guerra, já que ao armistício de 1953 não se seguiu nenhum acordo de paz que colocasse fim ao conflito.

As operações intituladas de «espírito invencível» foram descritas pelos ministros da Defesa norte-americano e sul-coreano, Robert Gates e Kim Tae-Young, como «uma mensagem clara à Coreia do Norte de que o seu comportamento agressivo deve terminar». Mas a verdade é que o objectivo expresso dos «jogos de guerra» é simular ataques contra submarinos norte-coreanos com aviões de combate.

Mais, de acordo com o próprio ministério da Defesa sul-coreano, da parte dos vizinhos do Norte não foi detectada qualquer movimentação militar significativa, isto é, nenhum «comportamento agressivo».

Os Estados Unidos mantêm mais de 30 mil militares na Coreia do Sul e outros 50 mil no Japão. No território Sul da península coreana, Washington mantém ainda cerca de uma centena de ogivas nucleares, factor de ameaça quer à RPD da Coreia quer à China.

Recentemente, Washington impôs mais sanções económicas e financeiras unilaterais a Pyongyang, somando-as às já anteriormente aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU a propósito dos ensaios com propulsores efectuados em 2006 e 2009 pela RPDC.

Com as novas sanções e os exercícios militares, Hillary Clinton e a administração Barack Obama demonstram que a única linguagem que conhecem em matéria de política externa é a da intimidação e da ameaça.

 

«Investigação» duvidosa

 

Parte da ofensiva desencadeada pelos EUA e pelo Estado vassalo da Coreia do Sul concentra-se no chamado caso Cheonan, a corveta da marinha sul-coreana que naufragou em Março deste ano matando 46 militares.

A secretária de Estado norte-americana tem vindo a sustentar, com amplo apoio mediático, que a Cheonan foi abatida por um submarino norte-coreano, dizendo que existem do suposto facto «provas esmagadoras» apuradas pela «transparente» comissão de apuramento.

Num artigo do Los Angeles Times, publicado em exclusivo em Portugal na edição online de domingo, 25, do Público, e citado na edição impressa de segunda-feira, levantam-se, porém, algumas dúvidas sobre a lisura do inquérito.

Segundo o texto, os críticos do presidente sul-coreano Lee Myung-bak contestam a versão apresentada definitivamente a 20 de Maio, questionando mesmo por que é que o chefe de Estado divulgou as conclusões no dia da abertura de uma campanha eleitoral no país.

O artigo supra citado também adianta que os «críticos» duvidam que a RPD da Coreia, fragilizada por anos de ostracismo internacional, fosse capaz de desencadear uma operação militar encoberta com tamanho grau de eficácia, isto é, fosse capaz de introduzir um dos seus submarinos em águas territoriais sul-coreanas e fazê-lo regressar sem ser detectado.

Acresce que se levantam dúvidas sobre as provas materiais do afundamento, nomeadamente o rombo no casco do navio e o alegado torpedo norte-coreano que o atingiu.

«Não consegui encontrar o mais pálido vestígio de uma explosão», diz Shin Sang-chul. «Os marinheiros afogaram-se. Os corpos estavam limpos. Nem sequer encontrámos peixes mortos no mar ali em redor», aduz o ex-gestor de construção naval que pertenceu à comissão de inquérito da Coreia do Sul até ser afastado pelas autoridades de Seul.

Sang-chul afirmou igualmente que o que aconteceu «foi o equivalente a um simples acidente de trânsito no mar», declaração que, para o governo sul-coreano reflecte «conhecimentos limitados, falta de objectividade e de lógica científica» e cria «intencionalmente desconfiança pública» nas conclusões pré-concebidas para criminalizar a RPD da Coreia.

Desde o início do caso, a RPD da Coreia negou terminantemente quaisquer responsabilidades no afundamento da Cheonan, prontificando-se, de imediato, para enviar uma equipa de peritos à dita comissão de investigação. A iniciativa de Pyongyang foi repetidamente obstaculizada pelo eixo Washington-Seul.



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