Editorial

«A Festa do Avante! é um ponto de passagem para novas lutas»

RESPONDER À OFENSIVA

Estamos a duas semanas da Festa.

Olhando para os resultados do trabalho desenvolvido até agora na sua construção, verificamos que há muita e muito boa obra feita.

Olhando para o que queremos que a Festa seja, constatamos que há ainda muito que fazer – designadamente no que respeita à construção propriamente dita e à divulgação e venda das EP’s.

Quer isso dizer que, nas duas semanas que aí vêm, importantes e decisivas tarefas se colocam ao nosso grande colectivo partidário.

Como se sabe, o êxito da Festa depende muito do volume de venda das EP’s, que constituem, como também é sabido, a sua fonte de receita fundamental. Daí a importância da venda prévia das EP’s, tarefa à qual é necessário dar a máxima atenção, nestas duas semanas, em todas as organizações, quer contactando todos os visitantes habituais da Festa, quer estimulando a visitá-la outros que ainda não a conhecem – com a consciência de que também isso é, e de que maneira, construir a Festa.

Outra prioridade actual passa por intensificar a participação de camaradas e amigos nas jornadas de trabalho voluntário, que constituem momentos marcantes de todo o longo e exigente processo de construção da nossa Festa. Momentos em que, para além da confirmação da qualidade superior do trabalho voluntário, produzido na base de uma singular militância revolucionária, se confirma igualmente a força da camaradagem, da amizade, da solidariedade, do convívio são e fraterno.

Assim o reconheciam, no passado fim-de-semana, no final da jornada de trabalho, três jovens sindicalistas, não-militantes do Partido, que ali tinham ido pela primeira vez, manifestando-se «honrados» por terem sido convidados para participar na construção da Festa do Avante!

De facto, a construção da Festa é como a Festa nos três dias da sua duração: quem lá vai uma vez, vai para voltar…

 

Para além de alegria, de convívio, de música, de debate, de cultura, a Festa é, sempre, uma etapa da luta que os comunistas e outros democratas travam contra a política de direita, por uma ruptura com essa política e pela conquista de um novo rumo para Portugal e para os portugueses – um ponto de passagem para novas lutas, para novos combates.

E se todos os anos esse é um aspecto que assume enorme relevância, mais razões há para que o seja este ano, face à gravíssima situação em que a política de direita mergulhou o País e à brutal ofensiva em curso contra direitos sociais.

Tal como o PCP preveniu, as já graves condições de vida e de trabalho dos portugueses têm vindo a ser brutalmente agravadas na sequência das últimas medidas tomadas pelo Governo PS/José Sócrates, como sempre, ao longo dos últimos 34 anos, em serviço combinado com o PSD/Passos Coelho.

Às primeiras medidas do PEC que entraram em vigor no dia 1 de Julho – com impacto no IRS e no IVA - sucederam-se, em 1 de Agosto, as chamadas «medidas adicionais», estas incidindo essencialmente nos cortes no subsídio social de desemprego, no abono de família para crianças com deficiência, na pensão social de velhice e de invalidez, no complemento solidário do idoso, na acção social escolar, no subsídio para a educação especial, no abono pré-natal… enfim, em tudo o que afecta a imensa maioria dos portugueses: os que trabalham e vivem do seu trabalho; os que já trabalharam e deveriam ter o direito a reformas e pensões dignas; as famílias mais necessitadas.

E para esta imensa maioria tudo se agrava todos os dias: desde a situação dos desempregados - cada vez em maior número, sujeitos às mais degradantes condições, e dos quais cerca de metade não têm acesso ao subsídio de desemprego – até aos que, tendo trabalho, vêem todos os meses o salário a acabar mais cedo e as dificuldades a crescer.

A realidade mostra que, com os cortes nas prestações sociais e as decisões para uma nova vaga de privatizações, está em curso uma nova escalada da ofensiva contra os direitos e interesses dos trabalhadores, do povo e do País, contra a produção nacional e o desenvolvimento de Portugal, assim dando continuidade agravada à política de desastre nacional – à qual há que contrapor uma política patriótica e de esquerda que inverta o caminho para o abismo e relance Portugal no caminho de Abril, que é o caminho do progresso, do desenvolvimento, da melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo.

 

Diz o Governo que o agravamento da situação da maioria dos portugueses é «inevitável», que «não há dinheiro», que «a crise toca a todos». Estas e outras balelas semelhantes apenas têm como objectivo esconder as verdadeiras causas da situação e iludir a necessidade de inverter este processo e de tomar as medidas necessárias no sentido de que sejam os responsáveis pela crise - o grande capital e a alta finança – a responder pela situação que criaram,

O que a realidade mostra é que, quem paga a «crise» são os mesmos de sempre – os trabalhadores e o povo – enquanto os chefes dos grandes grupos económicos e financeiros estão nas suas sete quintas.

Como o PCP tem sublinhado, só uma nova política, apostando na produção nacional, pode tirar o País da crise e abrir os necessários caminhos do desenvolvimento – e só com a intensificação e alargamento da luta de massas é possível alcançar esse objectivo.

Por isso, como afirmou o secretário-geral do PCP no Comício de Monte Gordo, «dizemos aos portugueses que não se resignem, não acreditem em fatalismos, engrossem a corrente de luta que dê um forte resposta à ofensiva que aí está».


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