«Muito depois de Abu Ghraib os prisioneiros continuaram a ser torturados»
Investigação revela crimes das guerras imperialistas
Médicos militares dos EUA envolvidos em tortura

Uma investigação conduzida pela jornalista Justine Sharrock afirma que médicos militares norte-americanos estiveram envolvidos em torturas infligidas a suspeitos de terrorismo.

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O artigo inicialmente editado na revista Mother Jones e posteriormente publicado em outros meios de comunicação impressos e digitais revela que, em 2002, o então secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, autorizou a negação de assistência médica a prisioneiros sob custódia dos militares e dos serviços secretos de Washington. A directiva acabou por ser revogada mas a prática prolongou-se durante os interrogatórios, os quais tinham que ser aprovados por um clínico.

De acordo com as informações recolhidas por Sharrock junto do doutor Andrew Duffy, da 134ª Companhia Médica da Guarda Nacional de Iowa, as torturas realizadas em Abu Ghraib mereceram a concordância dos médicos ali destacados, mas, acrescenta, não só não foram casos isolados como respondiam a ordens superiores.

Muito depois das fotos de Abu Ghraib terem confirmado alguns dos crimes cometidos pela guerra imperialista no Iraque, os prisioneiros – a esmagadora maioria dos quais acabaram por ser declarados inocentes – continuaram a ser abusados e maltratados, factos constatados pelos médicos que, por vezes, chegavam mesmo a cumprir o papel de verdugos.

Duffy relatou à jornalista Justine Sharrock o caso de um prisioneiro dependente de insulina a quem foi administrado pelos médicos uma solução salina. Em seguida, o homem foi borrifado com spray pimenta e deixado numa cela minúscula e abrasadora. Um dia depois foi encontrado morto no cárcere.

Ainda segundo aquele militar, estas práticas ocorreram sob autorização do doutor William Winkenwerder, responsável máximo de saúde do Pentágono, agraciado pela Associação Médica Americana (AMA), em 2005, com um prémio por trabalho desenvolvido em prol da melhoria da saúde pública.

Recorde-se que a AMA se recusou a condenar as torturas no Iraque e Afeganistão e deixou sem resposta a Comissão de Direitos Humanos da ONU quando esta estrutura condenou médicos norte-americanos por participação nos maus-tratos.



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