Editorial

«É urgente a ruptura com esta política e a definição de um novo rumo para o País»

EIS OS FACTOS

Os factos estão à vista: avolumam-se e adensam-se os problemas económicos, enquanto as opções do Governo acentuam a tendência para a estagnação económica e as empresas fecham ao alucinante ritmo de onze por dia; agravam-se drasticamente as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e do povo, transformando num pesadelo a vida de milhões de portugueses - os cortes sociais, o aumento dos bens essenciais, o crescente número de trabalhadores com salários em atraso, o desemprego sempre a crescer, a destruição continuada de serviços públicos fundamentais, são medidas que trazem consigo, cada uma, por si, e todas, no seu conjunto, a brutal acentuação das injustiças sociais e, com elas, a ameaça do alastramento da pobreza e da miséria.

Outro facto iniludível é o do aumento da pressão, da chantagem e da ingerência dos donos e senhores da União Europeia na vida do nosso País: eles decidem e decretam como se Portugal fosse propriedade sua – o que, acrescido da intensificação da ofensiva da ideologia dominante, designadamente da sua vertente anticomunista, configura uma situação em que se perspectivam novas e mais gravosas medidas restritivas, mais ataques a direitos dos trabalhadores e dos cidadãos, mais atropelos à soberania e à independência nacionais.

Enquanto isto, os protagonistas da política de direita – que estão no poder, eles e só eles, há 34 longos anos – prosseguem a representação das suas folclóricas guerras do alecrim e da manjerona, em que cada um acusa o outro e o outro acusa cada um daquilo que, como muito bem sabem, é responsabilidade de ambos – e em que, em torno de supostas divergências em matéria de Orçamento de Estado, levam por diante a tradicional manobra de diversão que antecede o tradicional acordo em tudo o que é essencial - assim pretendendo assegurar o prosseguimento do ciclo alternante que lhes garanta a continuidade da política de direita comum aos dois.

O mesmo se passa, e com idênticos objectivos, na «guerra» em torno do projecto de revisão da Constituição apresentado pelo PSD, projecto que constitui mais um atentado contra as marcas de Abril existentes na Lei Fundamental do País e, como é hábito, pretende sustentar-se na ideia de que a raiz dos problemas existentes se situa na Constituição, quando, como todos sabem, esses problemas decorrem, isso sim, do desrespeito e da violação da Lei Fundamental do País. O PS não precisa fingir-se indignado e barafustar: se quiser apresentar prova de que não vai fazer o que fez em anteriores processos de revisão – ou seja: alinhar com o PSD nas machadadas ao que a Constituição tem de mais avançado e progressista – basta-lhe, pura e simplesmente, dizer desde já que não – e agir de acordo com a afirmação.

 

E a verdade é que os factos acima enunciados serão sempre estes – e nos sentidos referidos – enquanto prosseguir a política de direita que está na origem da dramática situação existente.

Da mesma forma que os problemas com que o País se debate só terão solução no quadro de uma política de sentido oposto à actual, uma política que, em vez de ter como prioridade absoluta a defesa dos interesses do grande capital, tenha como referência prioritária a defesa do interesse nacional – o verdadeiro interesse nacional, ou seja, o interesse dos trabalhadores, do povo e do País e não esse gato que os representantes dos interesses do grande capital nos querem vender como se de lebre se tratasse.

Tudo isto torna evidente que a ruptura com esta política e a definição de um novo rumo para Portugal são questões cada vez mais, e com maior premência, na ordem do dia.

Nesse sentido, o desenvolvimento, a intensificação e o alargamento da luta de massas apresenta-se como questão crucial, como crucial é fazer do vasto conjunto de acções do próximo dia 29, ao apelo da CGTP-IN, uma forte jornada de luta.

É essa a grande tarefa que se nos coloca nos próximos dias: preparar e organizar a jornada de luta, mobilizando os trabalhadores – todos, porque a luta é de todos e os objectivos são comuns a todos, no activo ou aposentados, com vínculos efectivos ou precários, a trabalhar ou no desemprego. O tempo é de unir esforços, cerrar fileiras, avançar com determinação e confiança.

 

É neste contexto, igualmente, que a intensa actividade do PCP em todas as áreas da vida nacional, ao mesmo tempo que confirma o Partido como força decisiva e singular no combate contra a política de direita e na luta por uma política alternativa e por uma alternativa política, assume uma importância determinante.

As 500 acções contra o PEC, em vias de concretização plena, constituíram um relevante contributo para a luta contra a ofensiva anti-social do Governo e foram a afirmação inequívoca da singularidade, no plano partidário, da intervenção do PCP ao serviço dos interesses dos trabalhadores e do povo.

E o mesmo acontecerá com a iniciativa «Portugal a Produzir», já em fase de arranque e a demonstrar que, como tem sublinhado o secretário-geral do PCP, o País precisa de «produzir cada vez mais para dever cada vez menos, em vez de produzir cada vez menos e dever cada vez mais».

Acresce que, ao mesmo tempo que ergue este significativo conjunto de acções, o colectivo partidário comunista dá andamento entusiástico ao processo de lançamento da candidatura do camarada Francisco Lopes às presidenciais – também ela uma expressão do papel singular desempenhado pelo PCP na sociedade portuguesa.

Tudo a confirmar a necessidade do reforço do Partido, prosseguindo a campanha em curso no sentido de o tornar mais forte orgânica, interventiva e ideologicamente e de, assim, aumentar a sua influência social, eleitoral e política.

 


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