Editorial

«Quarenta anos após a sua criação, a CGTP-IN aí está, assumindo frontalmente a sua história»

A RESPOSTA NECESSÁRIA

Foi com fortes aplausos e com gritos de «A Luta Continua» - num inequívoco apoio à decisão de convocar uma Greve Geral para o dia 24 de Novembro - que mais de 1 300 sindicalistas comemoraram, no passado dia 1, o 40º aniversário da CGTP-IN.

E há que dizer que, nas actuais circunstâncias, dificilmente se encontraria melhor e mais apropriada forma de assinalar tão relevante data.

Com efeito, num momento em que os trabalhadores e o povo português são alvo da mais brutal ofensiva contra os seus direitos e interesses desde que, em 25 de Abril, o fascismo foi derrubado; num momento em que 34 anos de política de direita praticada por sucessivos governos do PS e do PSD (com o CDS-PP sempre que isso se lhes tornou necessário) mergulharam o País na dramática situação económica e social existente; num momento em que a independência e a soberania nacionais são transformadas, pelos governantes, num vulgar produto de exportação, a luta dos trabalhadores e das massas populares apresenta-se como caminho indispensável para provocar uma ruptura com esta política e traçar um novo rumo para o Portugal – e a Greve Geral anunciada pela CGTP-IN constitui a resposta correcta, a resposta necessária.

Uma resposta, aliás, que só poderia ser dada por quem a dá, como a história da luta organizada dos trabalhadores portugueses claramente evidencia.

Na saudação enviada pelo Comité Central do PCP à CGTP-IN é justamente sublinhado o singular papel desempenhado pela grande central sindical dos trabalhadores portugueses, ao longo dos tempos: «na luta contra o fascismo, no exaltante processo da Revolução de Abril, na prolongada resistência e combate a décadas de recuperação capitalista e de ataque aos direitos dos trabalhadores». E sublinha-se, igualmente, que essa postura resistente e de combate é indissociável da natureza, dos princípios e dos objectivos da CGTP-IN enquanto central sindical unitária, de classe, independente, democrática, de massas – e, consequentemente, revolucionária.

 

Ao longo dos tempos, a CGTP-IN, pela sua acção na organização da luta das massas trabalhadoras – luta transformadora e luta pelos interesses e direitos imediatos - foi sempre vista pelo grande capital opressor e explorador, e pelos seus homens de mão nos governos, como um alvo a abater.

Foi assim no tempo do fascismo, quando a intervenção sindical tinha que ser corajosamente conquistada num combate contra um inimigo feroz - um combate que, em muitos e muitos casos, tinha como consequência a prisão, as torturas, as longas condenações dos que não desistiam de lutar.

Nesse tempo, destruir a organização sindical dos trabalhadores era tarefa prioritária do regime e da sua polícia política – e tudo fizeram para isso. Em vão.

Foi assim no tempo novo de Abril quando, conquistada a liberdade, o povo português deitou mãos à obra de construir a mais avançada democracia alguma vez existente no nosso País – uma democracia amplamente participada e, em consequência disso, económica, social, política, cultural e tendo como referência básica a independência e a soberania nacionais – num processo em que a CGTP-IN desempenhou um papel determinante.

Nesse tempo, «quebrar a espinha à Intersindical» era objectivo expresso pelos serventuários do grande capital que eram, ao mesmo tempo, chefes da contra-revolução e iniciadores da política de direita que há 34 anos vem flagelando Portugal e os portugueses - tudo fizeram para isso. Em vão.

É assim no tempo que vivemos em que, através de um desbragado vale-tudo, do mais ostensivo desprezo pelos princípios, valores e direitos democráticos, o poder dominante, ao serviço sempre dos interesses do grande capital opressor e explorador, desfere poderosas machadadas em direitos fundamentais conquistados pela luta dos trabalhadores; tenta enfraquecer ou desarticular a organização sindical; estimula a criação de um ambiente de ameaças, chantagens, represálias, medos no interior das empresas; faz aprovar «códigos de trabalho» que, pelo seu conteúdo e objectivos, em pouco se distinguem dos «estatutos nacionais de trabalho» de outros tempos - sempre com o velho objectivo de destruir a organização sindical dos trabalhadores, de «quebrar a espinha à Intersindical». Em vão, mais uma vez.

E assim será no futuro.

 

Quarenta anos após a sua criação, a CGTP-IN aí está, assumindo frontalmente a sua natureza, os seus princípios, os seus objectivos, a sua história; afirmando-se como a grande força social determinante na construção da unidade dos trabalhadores e da sua organização para a luta – e, na situação concreta actual, apontando a Greve Geral como caminho necessário e indispensável para fazer frente à brutal ofensiva em curso contra as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores e do povo português.

Também com a consciência da gigantesca tarefa que é erguer uma Greve Geral – sempre, e particularmente quando, como é o caso, uma poderosa ofensiva ideológica, massivamente difundida pelos média dos grandes grupos económicos e financeiros, tenta espalhar a ideia da «inevitabilidade» da política de direita e das suas terríveis consequências, ao mesmo tempo que procura semear a passividade, a resignação, o desânimo, o medo.

A preparação da Greve Geral de 24 de Novembro apresenta-se, assim, como tarefa essencial e prioritária para todos os activistas sindicais, cujo empenhamento, determinação e confiança são condição indispensável para assegurar o êxito de tão importante jornada de luta.


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: