«Quase 5 milhões de pessoas comem gratuitamente»
Resultado da revolução bolivariana
FAO realça combate à fome<br> na Venezuela

A Venezuela reduziu drasticamente a subnutrição no país, admite a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO). As políticas implementadas pela revolução bolivariana são exemplares, diz ainda a agência das Nações Unidas.

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«Se continuar assim, [a Venezuela] vai poder anunciar ao mundo, no ano de 2015, que superou amplamente um dos Objectivos do Milénio» estabelecidos pela ONU, considerou Alfredo Roberto Missair, delegado da FAO naquele país.

Participando numa iniciativa do governo a propósito do Dia Mundial da Alimentação, o responsável sublinhou que «o que a Venezuela está a conseguir na área da alimentação é um exemplo que tem de ser tido em conta na região», aproveitando ainda para lembrar que em alguns países da América Latina a subnutrição persiste em cerca de metade da população infantil.

«Estamos a falar de um direito fundamental, de algo inerente à condição humana e ao bem-estar, de uma necessidade fundamental que a Venezuela está a cumprir», insistiu Missair, citado pela AFP.

Na mesma iniciativa, o vice-presidente venezuelano Elías Jaua frisou que graças a programas sociais lançados pelo executivo «quase 5 milhões de pessoas comem gratuitamente». A afirmação é sustentada pelas estatísticas.

De acordo com dados oficiais, desde o início da revolução bolivariana, a taxa de pobreza extrema na Venezuela foi reduzida de 17,1 por cento, em 1998, para 7,9 por cento em 2008. Quanto ao défice nutricional entre os menores de cinco anos, o índice caiu de 7,7 por cento para 3,7 por cento no mesmo período.

 

Política soberana

 

A contribuir para o bom desempenho da Venezuela no combate à fome estão as políticas públicas de distribuição de produtos básicos. Empresas como a Mercal, Corporación Venezolana de Alimentos, Bicentenario, Corporación de Mercados Socialistas ou Corporación de Abastecimiento y Servicios Agrícolas, entre outras, integram uma rede de abastecimento de géneros a preços populares.

Mas na base do sucesso estão as orientações soberanas levadas a cabo no âmbito não apenas da distribuição, mas também da produção de alimentos. «Ir desmontando os monopólios, oligopólios e os latifúndios para controlar a produção e distribuição de alimentos é um mandato constitucional, pois naqueles modelos radica a especulação e a limitação da capacidade produtiva», frisou Elías Jaua, que notou igualmente que na última década a Venezuela aumentou em 21 por cento a superfície cultivada.

Medidas como a recente nacionalização da privada Agroisleña, agora chamada Agropatria, visam «facultar aos nossos produtores uma redução da sua estrutura de custo, portanto, [permite-lhes] obterem maior rendimento e reforçar capacidade produtiva». Com a Agropátria «temos garantidos 51 por cento da capacidade de armazenamento de cereais básicos», destacou ainda.

Aquando da passagem da empresa a propriedade estatal, o presidente Hugo Chávez recordou que «durante muitos anos, a Agroisleña obstaculizou o desenvolvimento agrícola do país especulando sobre o preço dos fertilizantes». Ao preço de compra ao Estado acresciam 500 por cento de margem de lucro, explicou.

Antes da nacionalização da Agroisleña, o governo bolivariano passou para o sector público as empresas de produtos químicos, petroquímicos e fertilizantes dos grupos Venoco e Fertinitro. Esta última onerava os derivados de amónio quatro a cinco vezes face ao valor de aquisição junto da estatal PVDSA.


Sistema de miséria

 

Contrastando com o combate à fome desenvolvido na Venezuela (o Brasil também foi dado como um exemplo positivo), ao nível mundial o flagelo continua a atingir quase mil milhões de seres humanos. Nunca houve tanta gente a passar fome, admite a FAO.

Embora em relação a 2009 a organização estime uma queda do total de famintos em quase 10 por cento – ao qual não está alheio o facto da produção de alimentos, este ano, poder crescer 4,2 por cento face à contracção de 0,6 por cento verificada o ano passado –, para a FAO continua a ser «inaceitável» que cerca de 925 milhões de indivíduos não tenham o que comer e que a cada seis segundos uma criança morra em resultado da desnutrição.

A maioria dos desnutridos crónicos sobrevive com menos de 1 dólar por dia e habita na Ásia e no Pacífico e na África Subsaariana.

A agência das Nações Unidas falou de um «problema estrutural» no Dia Mundial da Alimentação, e, no dia seguinte, a propósito do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, a ONU divulgou números que corroboram tal afirmação.

A precariedade laboral atinge mais de metade da população activa mundial. Neste contexto, não ganham o suficiente para se sustentarem a si e às respectivas famílias, nem dispõem de garantidas de protecção social.

De acordo com informações oficiais, desde o início da actual fase da crise capitalista, outros 64 milhões de pessoas foram lançadas na pobreza e o desemprego cresceu em mais 30 milhões. Os jovens têm sido particularmente afectados com um recorde de 81 milhões de desempregados em 2009.

Já segundo o Banco Mundial, mais de 41 por cento da população mundial vive com menos de 2 dólares por dia, mais de metade dos quais trabalham mas não obtêm um salário que lhes permita superar o limiar da pobreza.



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