Aconteu
Faleceu Marcelino Camacho

O ex-presidente e líder histórico do sindicato espanhol Comisiones Obreras (CCOO) Marcelino Camacho, com 92 anos, morreu, sexta-feira, num hospital em Madrid. Numa mensagem de condolências ao sindicato espanhol, a CGTP-IN recordou «o seu papel inesquecível na luta contra a ditadura franquista», assim como o seu contributo para «a consolidação das CCOO». «Não foram só os trabalhadores espanhóis que perderam um líder esclarecido. Todo o sindicalismo internacional está de luto», salienta a Intersindical portuguesa.

Por seu lado, o Comité Central do PCP enviou ao Comité Federal do PC de Espanha as «mais sentidas condolências» pela morte de Marcelino Camacho, «destacado militante comunista durante mais de 70 anos», que «perdurará como exemplo de lutador corajoso e dirigente operário que guiado pelos nobres ideais comunistas dedicou toda uma vida à luta por uma Espanha de liberdade». Domingos Abrantes, do Comité Central, participou nas cerimónias fúnebres de Marcelino Camacho.


«Civilização ou Barbárie»

Pela terceira vez consecutiva, Serpa acolheu o Encontro Internacional «Civilização ou Barbárie – Os desafios do mundo contemporâneo». Entre 31 de Outubro e 1 de Novembro, estiveram presentes na vila alentejana professores, investigadores, políticos e jornalistas de mais de dezena e meia de países.

A barbárie imperialista, a crise capitalista e a luta e resistência dos povos estiveram em destaque nas nove sessões de debate realizadas na Biblioteca Municipal e no Cine-Teatro da cidade e em Pias.

A revista Vértice e o site Odiario foram os promotores da iniciativa. As comunicações e a resolução final podem ser consultadas em http://www.odiario.info.


Terrorismo social no Porto

A Câmara Municipal do Porto despejou um idoso de 86 anos da habitação social onde vivia, no Bairro da Rainha D. Leonor, pelo facto de ter uma dívida por pagamento da renda.

Em nota de imprensa, os comunistas criticam este «triste e vergonhoso episódio» e acusam a maioria PSD/CDS-PP que governa a Câmara do Porto de «insensibilidade social», uma vez que o processo de despejo foi feito «sem qualquer análise da situação do idoso». «Estes factos constituem uma autêntica machadada no discurso que PSD e CDS-PP, a nível nacional, têm relativamente à necessidade da defesa dos interesses das pessoas mais idosas e desfavorecidas», salientam os eleitos do PCP.


Benite distinguido em Cádis

Joaquim Benite, director do Festival de Almada e da Companhia de Teatro de Almada, foi distinguido no Festival Internacional de Teatro de Cádis, durante a sessão comemorativa do 35.º aniversário do Centro Latino-Americano de Criação e Investigação Teatral. Nessa sessão foram homenageados, segundo salientou Luís Molina, director do CELCIT, «as pessoas e instituições que nos têm ajudado na tarefa de divulgar o teatro latino-americano e aquilo que de melhor os criadores latino-americanos têm para dar-nos». Molina referiu-se ainda ao Festival de Almada como «um espaço aberto ao teatro latino-americano e do mundo», indicando-o como «uma das realizações teatrais mais extraordinárias da Europa».


Nápoles atulhada de lixo

Depois de mais de duas semanas de protestos da população contra os aterros a céu aberto, o governo italiano continua sem encontrar uma solução para os lixos urbanos de Nápoles.

Vítima de décadas de gestão criminosa dos aterros por parte de organizações mafiosas, a cidade do Vesúvio atravessou há dois anos a sua prior crise de higiene pública, com centenas de milhares de toneladas acumuladas nas ruas e ao longo das estradas da região.

Na semana passada, dia 28, após a ocorrência de violentos confrontos entre a polícia e a população da localidade de Terzigno, perto de Nápoles, que se opõe à abertura de um novo aterro e exige o encerramento do existente, o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, prometeu retirar em três dias os resíduos acumulados. Contudo, na segunda-feira, 1, a agência Ansa calculava que cerca de 2200 toneladas de lixo permaneciam nas ruas por falta de locais de descarga.


«Kanikosen - O Navio dos Homens»

«Vamos ao inferno». Assim começa a história - editada, este ano, em Portugal, pela nova editora «Clube do Autor» - de um grupo de pescadores a bordo de um navio pesqueiro, durante a faina no mar de Kamchatka, em condições inimagináveis, insuportáveis e profundamente desumanas. «Kanikosen - O Navio dos Homens» foi escrito em 1929 e o seu autor, Takiji Kobayashi, assassinado em 1933, pela polícia secreta, é considerado o mais revolucionário dos escritores japoneses, tornando-se um mártir do movimento operário.

Takiji Kobayashi nasceu em Obade, em 1903. Depois de concluídos os estudos, foi trabalhar para um dos principais bancos do Japão. Em 1926 começou a colaborar com o movimento sindical e com o Partido Comunista, participando em actividades políticas consideradas «radicais», como revoltas de trabalhadores e greves de camponeses.

As páginas do seu livro, à venda nas livrarias portuguesas, falam de sofrimento, de vidas pejadas de dor e humilhação, de actos impiedosos. «Enquanto o vento morde a coberta e a neve transforma os barcos em espectros, o patrão da expedição pesqueira força os tripulantes a trabalharem até ao esgotamento e aplica-lhes castigos brutais, se se atreverem a protestar. A pouco e pouco, espalham-se as sementes da revolta e, apesar das embarcações da marinha imperial que patrulham a região para manter a ordem, rebenta o inevitável motim», lê-se na apresentação da obra.



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