"É preciso tomar a opção difícil e exigente de fazer greve"
Não trabalhar e ir para os piquetes
Toda a força à greve geral

Paulo Raimundo, da Comissão Política do Comité Central do PCP, reafirma que o Partido «está empenhadíssimo no sucesso da greve geral» e adianta, quanto às perspectivas para dia 24, que apenas estará a decidir-se «se esta será uma grande greve geral ou se será a maior greve geral alguma vez feita em Portugal».

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«O que se exige no dia 24 é que cada um faça a opção difícil e exigente de não ir trabalhar, toda a nossa força tem que ir para aí», salientou Paulo Raimundo ao Avante!, a propósito do surgimento de outras ideias para manifestação de descontentamento no dia da greve geral. «O movimento de constituição de piquetes de greve está a crescer e a ganhar uma dimensão como talvez não se tenha conseguido antes» e é neles que se concentram agora os esforços de organização e mobilização. «Quem quer fazer greve não vai trabalhar, e quem quiser fazer mais deve juntar-se ao seu piquete ou a outro», resume o dirigente comunista, confiante que «não faltarão espaços para demonstração de revolta no dia 24». «Se houver grandes piquetes de greve e se eles ganharem élan para isso, que demonstrem o descontentamento nas ruas», já que «este tipo de manifestação acrescentará valor à greve geral».

«Uma parte significativa do êxito da greve geral decide-se nesta semana, nomeadamente no embate contra os serviços mínimos e na resposta às manobras contra a greve». Mas «muito do sucesso da greve geral vai decidir-se na noite de 23, quando começarem a chegar aos locais de trabalho aqueles que estão indecisos, se vão ou não trabalhar, e outros com ideia de irem trabalhar, mas com uma grande angústia interior, e quando se der o embate com os seus camaradas que estão nos piquetes».

Por este motivo, «precisamos de concentrar todos aqueles que estejam disponíveis para eventuais acções de protesto, nos locais onde essa presença vai ser fundamental: nos piquetes de greve, na Carris, no Vasco da Gama, na Fertagus, na STCP, no Complexo Grundig, frente ao Fórum Almada ou junto dos TST, frente aos Paços do Concelho daqui e dali, nesta empresa e naquele parque industrial...». Paulo Raimundo salienta que «assim, os piquetes terão mais força para convencerem mais trabalhadores a não irem trabalhar» e «teremos a maior manifestação nacional de desagrado e de revolta, em milhares de concentrações junto a empresas e serviços».

Notando que «há um apoio muito generalizado à greve geral, que está para lá do universo dos trabalhadores e chega a outros sectores que também são visados com esta política e com as medidas mais recentes do Governo», Paulo Raimundo cita o exemplo dos pequenos comerciantes e considera «compreensível que alguns desses comerciantes exprimam dia 24, de forma clara, a sua solidariedade com a greve».

Quanto a outros, que vêm dizer que compreendem as razões de quem vai aderir à greve geral - como têm dito Pedro Passos Coelho ou Ricardo Espírito Santo Salgado - demonstram «falta de coragem» e «grande hipocrisia», quando falam «como se não fossem responsáveis e beneficiários da política que justifica o recurso à greve geral».

O PCP «está empenhadíssimo no sucesso da greve geral» e «não nos ficamos pelas palavras de solidariedade». Paulo Raimundo lembra que «estamos empenhados, nos locais de trabalho, à porta das empresas, nas sessões de esclarecimento, com um conjunto muito largo de comunistas, dirigentes sindicais, activistas...» E, antecipa, «além destes camaradas nossos empenhados directamente na preparação da greve geral, muitos outros estaremos também nos piquetes, no dia 24, a contribuir para que os piquetes tenham em cada sítio a dimensão necessária para que a greve vá tão longe quanto possível».

 

Luta política e difícil


«Quem diz que a greve geral não é contra o Governo acaba por ter alguma razão», admite Paulo Raimundo, porque ela «é contra todos aqueles que fomentam a política que faz com que um dos objectivos da luta seja o combate às injustiças». Ora, «isto envolve o Governo do PS, como os anteriores, do PSD e do CDS-PP, e envolve todos aqueles que, de uma ou outra forma, acabam por controlar o poder político em Portugal, ou seja, os que detêm o poder económico».

 

«Esta acção de luta é uma greve política a partir da definição dos seus objectivos», centrados «no combate às injustiças e, mais relevante ainda, na exigência de uma nova política». Assim sendo, «não é uma greve contra o PS, nem contra o PSD, nem contra José Sócrates ou Passos Coelho, não é uma greve partidária, mas é claramente contra a política destes dois partidos e do CDS» e «contra todos aqueles que há mais de 30 anos alimentam esta política e são responsáveis pelas suas consequências».

Ao mesmo tempo, «procura-se trazer para a compreensão da luta e dos seus objectivos e para a adesão à greve geral todos os trabalhadores que sentem a injustiça desta política, independentemente das suas opções partidárias e de voto».

 

O futuro da primeira vez


Na quarta-feira, 24 de Novembro, «haverá milhares de trabalhadores que pela primeira vez na sua vida vão aderir a uma greve - no sector público e no sector privado, uns mais novos, outros mais velhos, uns com vínculos estáveis, outros praticamente sem vínculos laborais». Paulo Raimundo realça que «este facto dá muita confiança para o futuro», porque «representa um reforço para a luta que tem que continuar» e porque «o facto de milhares de trabalhadores terem tomado esta consciência é em si mesmo um sinal muito positivo».

A importância desta greve geral «está para lá daquilo que vier a ser conquistado dia 24» e o foco mantém-se nos locais de trabalho para a luta que é necessário prosseguir. Vão reunir-se o Comité Central do Partido, dia 29, e o Conselho Nacional da CGTP-IN, dia 25, e as suas decisões, «obviamente, levarão em conta a apreciação que for feita da greve geral e da correlação de forças no terreno». Mas Paulo Raimundo não duvida de que, «independentemente do que de concreto se venha a apontar para o futuro, em termos de acção convergente de âmbito global ou inter-sectorial, vai ser necessário aumentar a acção reivindicativa» ao nível de empresas e serviços.

Nos sectores privados, «para uma parte significativa dos contratos colectivos, inicia-se agora a revisão salarial». Nos próximos tempos, a concretização do salário mínimo de 500 euros, em Janeiro de 2011, e a tentativa de impor «aumentos zero» vão ser decididas, «não na mesa das negociações, mas em cada empresa», porque «os sindicatos só conseguirão ir mais longe nas negociações se mais forte for a acção dos trabalhadores nas empresas».

Na Administração Pública, «é preciso haver uma resposta ao nível de sector e de local de trabalho, no momento em que os trabalhadores vão sentir na pele as consequências do Orçamento do Estado». A exigência de mudança de política é a questão fundamental que se continuará a colocar. Tem que ser um elemento fundamental da acção convergente, e tem que estar presente na intervenção em cada local de trabalho, em cada empresa.

Por fim, «a exigência de mudança de política é a questão fundamental que se continuará a colocar». Sendo «um elemento fundamental da acção convergente», ela «tem que estar presente na intervenção em cada local de trabalho, em cada empresa».

«Baixar os braços está fora de questão», conclui Paulo Raimundo.



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