«Não vale a pena responder à provocação, afirmou a Coreia do Norte»
Península da Coreia
Norte não responde a provocação do Sul

A República Popular Democrática da Coreia recusou-se a responder às manobras militares provocatórias da Coreia do Sul, e terá aceite o regresso de inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) ao país.

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No dia em que a Coreia do Sul levou a cabo exercícios militares na ilha de Yeonpyeong – palco de uma troca de tiros entre os dois países em conflito, iniciada por Seul, no passado dia 23 de Novembro –, o comando das forças armadas da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) comunicou que não valia a pena retaliar contra mais uma «provocação militar imprudente».

Em nota divulgada pela agências de notícias KCNA, a RPD da Coreia demonstrou contenção perante as manobras agressivas de segunda-feira, que ameaçaram mergulhar a península coreana numa nova guerra e toda a região numa espiral de violência de consequências imprevisíveis.

Tal resulta claro quando, apesar de reiterados avisos por parte de Pyongyang, o regime sul-coreano decidiu levar por diante acções com fogo real nas águas em torno da ilha. Os exercícios envolvendo uma dezena de navios de guerra, vários caças de combate e artilharia pesada, perduraram por cerca de uma hora e meia ao largo do Mar Amarelo, zona de fronteira marítima não reconhecida pela Coreia do Norte.

No final, como corolário da operação, o Estado Maior sul-coreano concluiu que a iniciativa decorreu «sem provocações da Coreia do Norte».

 

Ouvidos moucos

 

Para além de ter feito tábua rasa dos apelos de Pyongyang, a Coreia do Sul fez ainda ouvidos moucos aos pedidos da Rússia e da China para que renunciasse aos jogos de guerra. «A paz e a estabilidade devem ser mantidas na península» e «ninguém tem o direito de provocar uma guerra», advertiu a diplomacia chinesa, posição secundada pelos homólogos russos que consideraram os exercícios com munições verdadeiras uma «ameaça».

Para Pequim e Moscovo, a exibição militar só servia para elevar o risco de um confronto, enquanto que para os EUA o seu aliado não pode renunciar ao direito de efectuar tais manobras.

Esta divergência de interesses prolongou-se na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas que, no domingo, foi convocada de emergência para avaliar a situação. Enquanto que norte-americanos defenderam uma condenação da Coreia do Norte por parte daquele órgão, a China opôs-se a tal decisão, chegando mesmo a vetar o texto apresentado por Washington.

Em nome dos EUA, a embaixadora Susan Rice avaliou o sucedido acusando a RPDC de «comportamento provocador». Isto é, para os EUA, na véspera da Coreia do Sul realizar manobras militares numa zona disputada, quem assume um «comportamento provocador» é a Coreia do Norte.

Entretanto, o governador do estado do Novo México e ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU, Bill Richardson, garantiu à CNN que o governo de Pyongyang vai permitir o regresso dos inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica ao complexo nuclear de Yongbyon.

Richardson deslocou-se à capital norte-coreana na passada quinta-feira.

 

Obstáculos à paz

 

No mesmo dia em que reunia o Conselho de Segurança da ONU, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da RPDC emitiu um comunicado no qual acusou os EUA de serem «os principais culpados pela sistemática violação de todos os acordos internacionais voltados para a paz e a estabilidade na Península Coreana».

No texto publicado na íntegra pelo portal vermelho.org, a RPDC esclarece que os norte-americanos colocam todo o tipo de obstáculos e condições «transformando em ilusão as iniciativas de diálogo» e fomentando «o clima bélico». O governo norte-coreano diz que tal impede o país de se concentrar na reconstrução económica do território.

Para Pyongyang, acrescem as «intrigas» e a imputação de responsabilidades à Coreia do Norte, nomeadamente em relação à suspensão do diálogo por alegada violação dos acordos internacionais e acções provocatórias, o que, argumentam, não é verdade.

Foram os EUA quem deslocou material de guerra para a Coreia do Sul, incluindo armas nucleares, «violando flagrantemente o Acordo de Armistício»; quem não implementou a resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas que ordena a substituição do armistício por um tratado de paz; quem inviabilizou os textos subscritos pelas partes em 1993, 1994, 2000 e 2005, esclarecem.

Acresce, segundo a RPDC, que os sucessivos governos norte-americanos questionam sem qualquer fundamento o programa nuclear norte-coreano, o qual, insiste Pyongyang, tem fins pacíficos. Tal só adensa o clima de desconfiança e ameaça, para além de ir contra o direito internacionalmente reconhecido de qualquer país desenvolver capacidade nuclear para produção de energia.

«Todos estes factos mostram claramente quem quer o diálogo e a paz e quem deseja a confrontação e o clima de guerra na península coreana. Partindo do desejo de prevenir a guerra e conseguir a desnuclearização da Península Coreana, apoiamos todas as iniciativas de diálogo, inclusive as conversações, mas nunca a mendigaremos», conclui o documento.



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