Editorial

«Para o ano que ora chega, o Governo promete mais do mesmo – para pior»

2011 – A LUTA É O CAMINHO

Dois traços essenciais marcaram, de forma impressiva, o ano de 2010:

o agravamento da situação económica e social, com consequências dramáticas para os trabalhadores, o povo e o País; e a resposta dos trabalhadores e do povo, através da luta, à política responsável por esse agravamento – a política de direita, política de classe ao serviço dos interesses do grande capital, que há longos 34 anos tem vindo a ser aplicada pelo PS e o PSD, quando necessário acolitados pelo CDS/PP.

Desemprego, precariedade, salários em atraso, exploração desenfreada, destruição de serviços públicos, pobreza, miséria, fome: eis a primeira face da moeda dos efeitos da aplicação dessa política no ano que ora finda – na outra face, estão os lucros sempre a crescer dos grandes grupos económicos e financeiros, que o Governo trata como os lacaios tratam os donos.

E para o ano que ora chega, o Governo PS/José Sócrates promete mais do mesmo – para pior. A começar já em Janeiro – em consequência dos PEC e do Orçamento do Estado gerados pela cooperação estratégica PS/PSD/Presidente da República - com os cortes nos salários, o congelamento das pensões e reformas, os cortes nos abonos de família; com o aumento do IVA sobre todos os bens e serviços; com os aumentos da electricidade, do gás, dos combustíveis, dos transportes, do pão – e mais desemprego, e mais famílias lançadas na insegurança e no desespero, e mais pobreza, e mais miséria, e mais fome.

Ou seja: o ano de 2010 foi um ano de extremas dificuldades para a imensa maioria dos portugueses, confrontados com o maior e mais brutal ataque, desde o 25 de Abril, aos seus direitos e às suas condições de vida – mas foi um ano extremamente proveitoso para a imensa minoria que vive à custa de quem trabalha e vive do seu trabalho; o ano de 2011 será ainda pior para essa imensa maioria – e será ainda melhor, será um ano em cheio, para essa imensa minoria.

 

Não foi esta, contudo, a realidade que esteve presente na chamada mensagem de Natal do primeiro-ministro. Bem pelo contrário, nada disto constou da dita mensagem: palavras como desemprego, pobreza, miséria, foram arredadas do discurso natalício de José Sócrates, preocupado, isso sim, em alijar as responsabilidades que tem na situação que se vive; em justificar a sua política na base de argumentos falaciosos; em afirmar a continuidade dessa mesma política como uma «inevitabilidade»; em garantir a continuação da «austeridade» - esquecendo-se, no entanto, de dizer que essas «inevitabilidades» e essa «austeridade» vão recair sobre os trabalhadores e o povo, em benefício do grande capital.

E ao proclamar como exemplo maior das suas preocupações sociais os acordos do Governo com as misericórdias, mutualidades e outras instituições assistencialistas, o primeiro-ministro deixou bem claro, por um lado, a sua visão de justiça social, por outro lado, os seus reais objectivos para 2011…

E é nessa mesma perspectiva que justifica os passos seguintes, mais gravosos ainda, contidos nas «50 medidas» que constituem autênticos atentados terroristas aos direitos dos trabalhadores portugueses.

Com uma hipocrisia e uma desfaçatez inauditas, o primeiro-ministro disse, a dada altura: «nos últimos dias, negociámos com os parceiros sociais os termos do aumento do salário mínimo nacional para os 500 euros no próximo ano»...

Assim falando, omitia descaradamente que tal «negociação» com tais «parceiros sociais» não foi mais do que a concretização de um roubo – mais um – aos trabalhadores. Como é sabido, o que foi acordado na concertação social, e confirmado pela Assembleia da República, foi que o aumento para 500 euros entraria em vigor a 1 de Janeiro próximo –  mesmo assim, um aumento miserável, que se traduzia em cerca de 80 cêntimos por dia. Pois bem, o que Sócrates anunciou, na sequência do negócio feito entre o Governo, as predadoras associações patronais e os amarelos da UGT, foi que esse aumento, para já, era apenas de 10 euros, cerca de 33 cêntimos/dia. O «espírito de Natal» do primeiro-ministro não dá para mais...

 

Face a esta situação, a luta de massas apresenta-se como elemento determinante para a construção do necessário e indispensável novo rumo para Portugal.

Com efeito, é a luta de massas – ela e só ela – que porá termo a esta política de desgraça nacional e conquistará a alternativa política e a política alternativa necessárias.

O ano de 2010 foi um ano de muitas pequenas, médias e grandes lutas, envolvendo a grande massa dos trabalhadores portugueses, de praticamente todos os sectores de actividade, no público e no privado – lutas que tiveram a sua expressão maior na histórica Greve Geral de 24 de Novembro a qual, envolvendo mais de três milhões de trabalhadores, foi bem reveladora quer da força dos trabalhadores organizados na sua central de classe – a CGTP-IN – quer das potencialidades de luta existentes.

O ano de 2011 será o ano da continuação, intensificação e alargamento da luta de massas, confirmando-a como caminho certo para dar a volta a isto.

E é neste quadro de lutas concretizadas e de lutas a concretizar que se insere a candidatura presidencial do camarada Francisco Lopes, ela própria uma vertente da luta de massas – a única, entre todas as candidaturas, nascida da luta e integrando-a; a única que, profundamente identificada com os interesses, anseios e objectivos dos trabalhadores e do povo, se bate pela ruptura e pela mudança; a única que, inspirada nos valores de Abril, transporta consigo, como referência básica, a defesa da independência e da soberania nacionais.


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