«A luta de massas é a mais forte de todas as moções de censura à política de direita»
A RESPOSTA NECESSÁRIA

Muitas vezes temos dito – e mais uma vez o sublinhou o Comité Central do PCP no Comunicado que aprovou na sua recente reunião – que para dar a resposta necessária à situação actual, com a imposição de uma ruptura com a política de direita e de um novo rumo para Portugal, é indispensável o desenvolvimento, a intensificação e o alargamento da luta de massas.

À classe operária e aos trabalhadores portugueses coloca-se, como questão crucial para a defesa dos seus interesses e direitos, combater e derrotar esta política de classe que tem como beneficiários exclusivos os grandes grupos económicos e financeiros – e à qual só a luta de massas poderá pôr termo.

O caminho é a luta – e ganhar as massas trabalhadoras para a compreensão dessa realidade constitui um objectivo importante na situação actual.

Com a consciência de que o combate travado pelos trabalhadores faz-se de pequenas, médias e grandes lutas, a começar pelas acções, de importância decisiva, nas empresas e locais de trabalho – ali onde nasce a exploração desenfreada do grande capital e, com ela, a luta de classes – e convergindo, no momento adequado, para acções de maior envergadura e dimensão, como têm sido as gigantescas manifestações realizadas e como foi a histórica Greve Geral de 24 de Novembro.

Com a consciência, também, de que, nas circunstâncias actuais, lutar implica e exige, em muitos e muitos casos, superar e vencer os desânimos, resignações, fatalidades, inevitabilidades e medos disseminados pela intensa ofensiva ideológica em curso. Uma ofensiva que, profusamente difundida pelos órgãos da comunicação social dominante, propriedade do grande capital, constitui um dos mais importantes instrumentos utilizados pelos que têm como objectivo primordial a perpetuação da política de direita. Uma ofensiva que, como a realidade tem mostrado, é possível travar e vencer.

 

Exemplo disso são as lutas a que aqui fizemos referência há uma semana e que, entretanto, na sequência da jornada da CGTP-IN, com expressão nas capitais de distrito, têm vindo a ser concretizadas com grandes adesões e assinalável êxito, constituindo, assim, importantes passos em frente e evidenciando inequívocos sinais da disponibilidade de luta das massas.

Registe-se, como expressões concretas do que acima se diz, as greves e paralisações realizadas num vasto conjunto de empresas dos sectores dos transportes e das comunicações (Metro, Carris, Transtejo, Soflusa, CP, EMEF, CP-Carga, Refer, STCP, RBL), bem como as que foram levadas por diante pelos trabalhadores dos CTT, da INCM, do Município de Loures e as acções desenvolvidas pelas populações, em vários pontos do País, pelo direito à saúde, contra o encerramento de serviços, contra a limitação de credenciais para o transporte de doentes, contra a introdução de portagens nas SCUT, em defesa do transporte público de qualidade.

E, porque é necessário que a luta continue, ela vai continuar. Para já, com o Encontro Nacional da Administração Pública, no próximo sábado, no Campo Pequeno, onde, logo a seguir, os professores se encontrarão também, enquanto a juventude trabalhadora prepara com entusiasmo, determinação e confiança a sua acção nacional.

Num momento em que os média dominantes procuram desviar as atenções daquilo que é essencial e gastam parte grande dos seus preciosos espaço e tempo com o folclore em torno da «moção de censura» que, daqui a um mês, será apresentada pelo BE na Assembleia da República – fazendo disso o maior acontecimento da actualidade – as massas trabalhadoras, com a sua força organizada, enfrentam a política do Governo PS/José Sócrates, exigem a mudança necessária, afirmam que Portugal e os portugueses não estão condenados à eternização desta situação – e essa luta é a mais forte de todas as moções de censura à política de direita, a mais eficaz condenação e rejeição dessa política que PS, PSD e CDS/PP, no meio de fingidos desacordos e divergências, têm vindo a aplicar, em serviço combinado, há quase trinta e cinco anos.

 

Como pode ler-se no Comunicado do Comité Central, «a intervenção do PCP no ano de 2011 integra de forma destacada as comemorações do seu 90.º aniversário» – comemorações que envolverão todas as organizações do Partido, as quais – através de múltiplas iniciativas: acções de rua, comícios, sessões, debates, exposições, convívios, iniciativas culturais e desportivas – farão chegar aos trabalhadores e às novas gerações a história da vida e da luta dos comunistas portugueses pela liberdade, pela democracia, pelo socialismo; comemorações nas quais estará sempre presente a necessidade do reforço do Partido e, nesse sentido, elas deverão constituir um forte estímulo ao aprofundamento da acção «Avante! Por um PCP mais forte», designadamente com o recrutamento de novos militantes e com o reforço da acção junto da classe operária e dos trabalhadores nas empresas e locais de trabalho, caminho indispensável para uma mais ampla e sólida ligação às massas, fonte de força essencial do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores.

E porque se trata de comemorações de nove décadas de luta travada ininterruptamente, nas mais diversas e nas mais difíceis circunstâncias, elas estarão inevitavelmente ligadas à luta actual.

Porque, como acima se disse e nunca é demais repetir, o desenvolvimento, a intensificação e o alargamento da luta de massas é condição indispensável para dar a resposta necessária à situação, derrotar a política de direita e impor um novo rumo para Portugal.



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