Napolitano alerta para crise política e admite eleições antecipadas
Novo escândalo indigna Itália
Basta de Berlusconi

Centenas de milhares de italianos manifestaram-se, no domingo, em 280 cidades para dizer «basta» a Berlusconi e condenar o envolvimento do primeiro-ministro num novo escândalo sexual.

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Na semana passada, a procuradoria de Milão pediu o julgamento imediato de Silvio Berlusconi por recurso a prostituição de menores e abuso de funções. A acusação afirma que o chefe do governo recorreu aos serviços sexuais da jovem Ruby (Karima El-Mahroug), quando esta ainda era menor, e que mais tarde, em Maio do ano passado, intercedeu junto da polícia para a libertar após ser detida por suspeita de roubo.

Nas últimas semanas, a imprensa transalpina tem publicado transcrições das escutas telefónicas que se referem a importantes somas em dinheiro, jogos sexuais e presentes oferecidos a jovens mulheres que participaram em festas na mansão de Berlusconi.

Dando expressão à forte indignação que o caso tem suscitado, um conjunto de associações feministas convocou manifestações em 280 pequenas, médias e grandes localidades de Itália.

Cerca de 100 mil pessoas manifestaram-se em Turim e Milão, 50 mil em Génova, 30 mil em Florença, 10 mil em Bari, nove mil em Veneza, três mil em Trieste e milhares em Pádua, Perúgia, entre muitas outras cidades.

A acção mobilizou ainda activistas em 50 outras capitais do mundo, designadamente Tóquio, Madrid, Atenas, Amesterdão, Paris, Nova Iorque ou Lisboa. Ao todo, as associações promotoras falam na participação de mais de um milhão de pessoas.

Dois dias antes, na sexta-feira, numa reunião com Berlusconi, o presidente Giorgo Napolitano alertou para o agravamento das tensões políticas e avisou que a Itália está em risco de eleições antecipadas.

E foi isso mesmo que os manifestantes voltaram a exigir nas ruas pela enésima vez: demissão imediata de Berlusconi, respeito pelas mulheres, combate às discriminações, emprego digno e apoio à maternidade.

Na Piazza del Popolo, em Roma, onde se concentraram entre de 50 mil e 100 mil pessoas, quase tantos homens como mulheres e crianças, segundo relatou a agência France-Presse, um imenso painel declarava: «Queremos um país que respeite todas as mulheres». Da tribuna chegaram mensagens de indignação: «Não suporto mais ter vergonha do meu país», «Vou enlouquecer se volto a ouvir dizer que as mulheres servem para distrair os homens».

Cada vez mais isolado, os índices de popularidade de Berlusconi caíram para 30,4 por cento, ou seja, menos 18 por cento do que há um ano, segundo uma sondagem publicada pelo jornal La Repubblica. Na terça-feira, o Tribunal de Milão marcou a primeira audiência do julgamento de Berlusconi para o dia 6 de Abril.



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