Editorial

«Em 19 de Março, a luta de massas assume, uma vez mais, uma expressão nacional»

UMA GRANDE JORNADA DE LUTA

A decisão da CGTP-IN de convocar, para dia 19 de Março, uma grande manifestação nacional, apresenta-se como o dado mais relevante da semana que passou.

Com efeito, trata-se de uma manifestação que, como tudo faz prever, juntará em Lisboa centenas de milhares de trabalhadores vindos de todo o País, trazendo consigo a força dos seus protestos, gritando bem alto a exigência de uma ruptura com a política de direita e de um novo rumo para Portugal.

Por isso mesmo, a decisão da Central Sindical dos trabalhadores portugueses foi tratada pelos média dominantes, ou com o habitual silenciamento, ou com as habituais pequenas-pequeninas notícias, cirurgicamente colocadas de forma a que só sejam encontradas e lidas por quem porfiadamente as procure… Em flagrante contraste com o tratamento dado a outras iniciativas, por vezes com contornos mais do que equívocos, mas que merecem a esses mesmos média dominantes honras de primeiras páginas e páginas inteiras de luzido foguetório propagandístico.

Tudo isto a confirmar, afinal, que nada incomoda e desagrada mais aos grandes grupos económicos e financeiros e aos seus propagandistas do que a luta dos trabalhadores organizados nas suas estruturas representativas e de classe – é essa a luta que os põe em sentido; é essa a luta que conduz à mudança; é essa a luta que, pelo seu conteúdo transformador, tem as potencialidades necessárias para dar a volta a isto.

 

Com a manifestação de 19 de Março, a luta de massas assume, uma vez mais, uma expressão nacional, fazendo convergir numa grande acção na capital as muitas e diversificadas pequenas e médias iniciativas, as múltiplas greves, paralisações e protestos que – com assinalável sucesso, como já aqui assinalámos – têm vindo a ser levadas a cabo pelos trabalhadores, de Norte a Sul do País, em empresas e locais de trabalho, em sectores profissionais, em todo o lado onde as consequências nefastas da política de direita se fazem sentir.

Para essa acção nacional, é necessário que convirjam igualmente as muitas acções que têm vindo a ser desenvolvidas pelas populações, através dos seus movimentos de utentes, designadamente em torno da defesa dos serviços públicos.

Para que, da mesma forma que cada uma dessas lutas dos trabalhadores e das populações se traduziu numa autêntica moção de censura à política do Governo – aos que a executam de momento e aos que, apoiando-a sempre, têm como objectivo maior passar a executá-la – a grande manifestação de 19 de Março constitua uma poderosa moção de rejeição da política de direita e de exigência de uma política ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Um objectivo que se coloca com tanto maior premência quanto, como a realidade mostra todos os dias, a política que PS, PSD e CDS/PP vêm a aplicar há quase trinta e cinco anos, é uma calamidade nacional que empurra Portugal para o declínio e o afundamento.

 

O êxito da manifestação de 19 de Março decorre, naturalmente, do trabalho preparatório que, desde já, é necessário levar por diante.

Os trabalhadores portugueses têm uma rica e vasta experiência de organização de jornadas de luta semelhantes: como é sabido, muitas das mais importantes lutas – greves, concentrações, manifestações – travadas pelos trabalhadores à escala da Europa, nas últimas décadas, ocorreram em Portugal.

Sabem, por isso, que só com muito esforço, com muita determinação; com muito e intenso trabalho de organização e direcção; com uma ampla e persistente acção esclarecimento e de mobilização, se consegue erguer uma grande manifestação de massas.

Sabem, igualmente, dos muitos e grandes obstáculos que irão enfrentar – obstáculos que vão desde a ofensiva desmobilizadora dos média dominantes e dos seus comentadores de serviço, até às habituais, e cada vez mais frequentes, manobras intimidatórias no interior das empresas e locais de trabalho: as ameaças, as chantagens, as represálias.

Mas sabem, num saber de experiência feito, que a força de que dispõem, assente na sua organização e na sua unidade, e a capacidade que possuem, são suficientes para superar todos esses obstáculos e fazer da manifestação do dia 19 um grande momento da luta.

 

Neste esforço organizador e mobilizador, o colectivo partidário comunista desempenha um papel decisivo, como aliás sempre acontece nestas situações.

Num ano e num momento em que tem início o vasto e diversificado conjunto de acções assinalando o 90.º aniversário do Partido – e que, logo nos primeiros dias de Março, se traduzirão em grandes comícios, com a participação do camarada Jerónimo de Sousa, em Lisboa, Porto, Évora, Seixal e Funchal – os militantes comunistas saberão encontrar as formas adequadas de enquadrar essas iniciativas no trabalho preparatório da jornada de luta.

Com a certeza de que essa é a mais ajustada comemoração de noventa anos de luta do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores – luta travada em todos os momentos e em todas as circunstâncias.

Com a certeza, também, de que a ligação do Partido às massas trabalhadoras, aos seus problemas, anseios e aspirações, constituindo um traço da sua identidade, constitui igualmente uma das suas principais fontes de força.

Com a certeza, ainda, de que o envolvimento do nosso grande colectivo partidário na luta de massas é a mais expressiva homenagem que pode ser prestada, pela geração actual, às sucessivas gerações de comunistas que construíram este nosso Partido Comunista Português.


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